Paris seguindo as dicas dos locais: comida e hospedagem

A primeira vez em que fomos à Paris, nós piramos na batatinha e saimos pela cidade em um rodamoinho daqueles do Tazmania.

Fizemos o roteiro esgota-turista completo, com Louvre, subir no Arco do Triunfo, subir e descer a Champs-Élysées, Notre Dame, barquinho pelo Sena, e ver a cidade luz se acender de cima da Torre Eiffel conforme o sol se punha.

Não me arrependo — não vejo nada de errado em conhecer as atrações turísticas de um lugar, e essa era a viagem que queríamos fazer na época.

Mas pra volta, resolvemos fazer uma viagem diferente e fazer de conta um pouquinho que moramos em Paris.

Também é legal dar uma espiada no que a cidade tem a oferecer para seus moradores, ter um gostinho de uma outra vida. E foi o que resolvemos fazer em Paris.

Paris Notre Dame

Brincando de morar em Paris por uma semana

Eu sei que morar numa cidade é outra coisa, e você não realmente mora em um lugar até passar pelos perrengues do dia-a-dia, dia após dia. Passar uma semana não é morar.

Mas fingir que mora é um estilo de turismo, e um que queríamos experimentar agora em Paris. Em vez de reservar um hotel, resolvemos alugar um apartamento e, em vez de ficar com o tradicional Lonely Planet, nos armamos de uma série de dicas de moradores e ex-moradores de Paris.

Os nossos "guias" para uma Paris local

Escolhemos alguns blogs de moradores pra nos nortear:

  • David Lebovitz — (em inglês) David é um americano que mora em Paris e tem um popular food blog. Ele escreve excepcionalmente bem (você poderia pensar que isso é um pré-requisito pra ser blogueiro, mas eu e você sabemos que não), é divertido e engraçado e seu blog é cheio não só de excelentes receitas, mas de dicas quentes (e gostosas).
  • Chocolate & Zucchini — (em inglês) outra foodblogger parisiense, a Clotilde Dusoulier. Seu blog também é bastante popular, mas ao contrário de David, ela é nativa. Eu confesso que não leio, é uma descolada da Carla. Ela comprou o livro da Clotilde, o Clotilde's Edible Adventures in Paris (Compre na Amazon). Diversas das nossas dicas vieram desse livro.
  • Conexão Paris — Possivelmente o maior city blog em português, a Lina Hauteville faz um trabalho de muita credibilidade e, se você está indo à Paris e não conhece o Conexão Paris, bem-vindo à Internet 🙂 De lá saíram diversas dicas, incluindo a do apê que alugamos.

Além disso contamos com a generosidade e hospitalidade de alguns amigos que, por eu não ter pedido permissão pra citá-los, não vou nomear. Mas eles sabem quem são e têm a nossa gratidão.

Paris guias

Alugar um apartamento por uma semana em Paris

Não é tão caro quanto parece, se você comparar com um hotel tão bem localizado quanto o apê. Claro, se você comparar com um hostel no subúrbio, é bastante dinheiro.

Mas o dilema da hospedagem— "bom preço, boa localização, conforto: você pode escolher apenas dois destes" — em Paris é crônico. Ou seja, quando é caro, é caro estilo "sinto muito senhor Clooney, seu crédito não é suficiente", quando é desconfortável é um pulgueiro (literalmente, espere pulgas e, se ficar nelas, você tá no lucro) e quando é longe, é, tipo, fora de Paris.

Um apê pode ser uma saída pro dilema, e no nosso caso, foi. Por abrirmos mão do staff e das facilidades do hotel, pagamos não muito mais caro pra ficar numa localização legal. E, como fingir que morávamos em Paris era parte da graça da viagem, não houve desvantagens!

Apartamento (ou studio, vai) no Marais

Pegamos a indicação no Conexão Paris. Uma leitora indicava um no Marais que achamos simpático, e sempre ouvimos falar bem do bairro: uma das amigas que morou em Paris e nos deu dicas recomendou passear pelo Marais: "o antigo gueto judaico e virou um point gay. Tem lojas caras de roupas e perfumes com vitrines belíssimas".

Enfim, o apartamento parecia super bem localizado.

E era mesmo! As recomendações eram todas verdade: pequeno, equipado, super bem localizado (Rue Saint Paul, esquina com Rue Saint-Antoine) e proprietários simpáticos. Bem assim. O único problema que achei no apê foi a internet via wi-fi. Não rolou e tivemos de navegar conectados com um cabo. Uma coisa assim, bem 2002.

Reservamos pelo site Homelydays. O anúncio é esse aqui. Nós pagamos €600,00 por 7 dias, com adiantamento de €120,00, depois o restante (€480,00 se você é ruim de conta) na hora. E teve mais um caução de €500,00, pago na hora também, que foi devolvido certinho ao fim da estadia.

Pertinho dele tem o metrô, tem um dos melhores falafels de Paris, alguns supermercados (incluindo um Monoprix — vá ao subsolo), uma padaria na esquina pra comprar baguete de manhã...

Resisiti à tentação de dizer uh-la-la ao fechar o negócio. Afinal, a idéia era nos sentirmos parisienses...

Apartamento em Paris — Marais
Querida, cheguei...

Da Holanda pra Paris de trem

Tem diversas maneiras de ir da Holanda pra Paris, mas o nosso meio de viagem preferido é o trem. Não é necessariamente o mais barato, mas tem grandes vantagens:

  • É confortável e rápido (ao contrário do ônibus)
  • É prático — sem check in, detector de metal, despachar bagagem, meganhas te tratando como criminoso (saudades do tempo do "inocente até prova em contrário")
  • Dá pra ir vendo a paisagem (confessa: foto de janelinha de avião é tudo igual)
Vôo para Viena
Quase todas

A companhia que faz o trecho é a Thalys, seus velozes trens cobrem a distância entre Amsterdam e Paris em 3 horas e 18 minutos. Mas, como morávamos em Haia, nós embarcamos pertinho em Rotterdam, uma das paradas do trem.

Se você quiser pesquisar passagens entre Amsterdam e Paris, o melhor é usar o site da NSHisped. Esteja avisado que eles têm uma grande birra com cartões de crédito não europeus, e pode ser que eles recusem o seu. Tem dicas no artigo sobre como ir de Amsterdam à Bruxelas que valem, porque o trem da Thalys que para em Bruxelas é o mesmo que continua até Paris.

Em geral funciona bem, exceto quando fomos: o Thalys atrasou meia hora. Ainda bem que havíamos marcado o encontro com a proprietária do apartamento com bastante folga...

Recebendo as chaves do apê

Após driblar o aglomerado padrão de pessoas tentando te separar dos teus euros das mais criativas maneiras lá na Gare du Nord, chegamos no apartamento sem problemas.

Recebemos a chave de maneira tranqüila, apesar de não falarmos uma língua em comum com a proprietária. Eu sei meia dúzia de frases em francês, o que é meia dúzia de frases a mais do que a pessoa que nos entregou as chaves e pegou nosso depósito sabia de inglês. Ou português. Ou qualquer outra língua que não fosse o francês.

Com simpatia e a língua internacional dos euros, deu tudo certo.

E agora? Agora comer!

O Crepe

O primeiro lugar que visitamos foi uma dica do David Lebovitz: uma creperia, o Breizh Café, ali pertinho no Marais mesmo. Um lugar nada pretensioso, aconchegante e gostoso de comer.

Os ingredientes são frescos, o atendimento é sensacional (tá vendo? Existe isso em Paris), comemos dois crepes cada: um salgado e um de sobremesa. Na verdade, alguns desses eram Galletes: crepes feitos de trigo sarraceno (o Breizh Café usa trigo sarraceno orgânico).

O único aviso é: se quiser um café, peça por um espresso — se pedir por café vai vir um um tanto aguado.

Paris crepe Paris crepe

Breizh Café
http://www.breizhcafe.com/
109, rue Vieille du Temple
Horários: 12h00 até as 23h00, fecha segunda e terça.

O Falafel

Ainda no Marais, tinham nos falado da rue des Rosiers pra comer um sanduba de falafel.

Eu já contei como conhecemos o falafel no artigo sobre como comer barato em Amsterdam. A Carla entrou num fast food de Falafel (o Maoz), e perguntou, assim, candidamente, com os olhinhos grandes e inocentes:

— O que é um falafel?

Meu amigo, o atendente explodiu em indignação: U DO NOU UAT IS A FALAFEL?! FALAFEL IS FALAFEL, U WANT FALAFEL? FALAFEL IS A FALAFEL!

Que traduzido quer dizer: "falafel é um bolinho frito feito de massa de grão de bico ou grão de favas, muito popular no Oriente Médio, em geral servido num pão chamado lafa" (ou talvez eu tenha lido isso na Wikipedia mais tarde, não estou certo).

De qualquer forma, fomos até a rue des Rosiers e achamos sem dificuldades as lanchonetes de falafel. Era só ver a enorme muvuca num aparente caos.

Os sandubas são servidos no balcão e é pra você comer enquanto caminha pelo bonito bairro — é street food, um estilo de comida que eu adoro.

Escolhemos a fila do L'As du Falafel, recomendado também pelo Lebovitz, e tentamos entender o sistema.

A certa altura vem um cara na fila pra pegar seu pedido. Você faz, dá a grana e recebe não um sanduba, mas um papelzinho (uma comanda).

Quando chegar sua vez no caixa ela estará acabada antes de você perceber. Eles são rápidos. Aproveite seu sanduba de falafel — é muito bom e uma refeição completa por €5,00!

Paris 2010

Voltamos comendo falafel pro apê, a tempo de assistir o vexamão que a Holanda deu contra a Espanha na final da Copa. Mas nem a patada do De Jong na vítima espanhola estragou nosso humor, tão contente que estávamos com o pandulho cheio de falafel!

L’As du Fallafel
34, rue des Rosiers
Horários: Fecha de sexta às 18h00 e só reabre no domingo.

A baguete e a manteiga

Na esquina do apartamento tem uma unidade da Paul, uma rede padarias, e era lá que eu comprava a baguete de manhã. Eu tentei um dia comprar no supermercado, mas foi um erro: murcha, sem graça. A da Paul estava sempre fresquinha (e os outros pães de lá são bons também).

Tudo o que precisávamos pra acompanhar a baguete de manhã era uma manteiga supimpa, e de novo nosso amigo Lebovitz deu uma mão e indicou a manteiga suprema.

Ele recomenda duas: a beurre cru baratté à l’ancienne e a Le Beurre Bordier. A beurre cru baratté à l’ancienne era vendida praticamente ao lado do nosso apartamento, então foi até covardia.

E é boa, sim, certamente que vale comprar. Mas...

...Mas a manteiga do Mounsieur Bordier, meu amigo... que creme! Eu me apaixonei perdidamente por essa manteiga, a Carla ficou até com uma ponta de ciúmes. Peça a versão salgada e...

Suspiro. Rapaz...

Beurre cru baratté à l’ancienne
À venda no Pascal Beillevaire
77, rue St. Antoine

Le Beurre Bordier
É vendida em alguns lugares, mas nós compramos no Da Rosa, uma delicatessen (isso é francês pra "antro de perdição pro seu paladar", sério, pode procurar no dicionário). Fica no Quartier Latin, que também vale uma visita.

Da Rosa
http://www.restaurant-da-rosa.com/
62, rue de Seine  75006

Os sorvetes

Nós tínhamos altas recomendações do sorvete da Bertillon, que é vendido em diversos lugares, mas eles tem uma loja também. Nós fomos na  loja e...

Fechada!

O remédio foi se consolar com outro sorvete. Aleatoreamente escolhemos a Amorino (critério: está aberta agora).

E é boa sim, segurou a onda. Mas voltaríamos ainda pra Bertillon — e quando fizemos valeu a pena! O sorvete é excelente, e achamos melhor do que o da Amorino, facilmente.

Ainda fomos em mais uma sorveteria em Paris, a Pozzetto. O sorvete é bem servido e gostoso, mas o mais legal foi o que aconteceu lá. Conto na próxima seção.

Amorino
http://www.amorino.com/fr/
47 rue Saint Louis en l'île
Horários: todos os dias das 12h00 até as 0h00

Maison Bertillon

Accueil


29-31 rue saint Louis en l'ile
Horários: De quarta a domingo, das 10h00 as 20h00. Fecha de segunda e terça

Pozzetto
http://www.pozzetto.biz/
39, rue de Roi de Sicile

Como não levar patada dos atendentes em Paris

A gente sempre ouve que parisiense é mal-humorado, e na primeira visita que fizemos (aquela do esquema turistão) eu descobri porque. Levei patada a torto e a direito, mesmo começando a falar em francês.

Mas aos poucos, com a experiência (viajamos pra França mais uma vez entre as duas idas a Paris), fui observando certas coisas e passei a mudar o meu comportamento.

Eu comecei a procurar o dono/atendente do estabelecimento assim que entrava, olhar no olho (não olhar no olho é patada no troco, pode contar) e cumprimentar: bon jour/bon soir mounsieur/madame.

Depois é que eu começava a gastar meu parco (ou, confesso, praticamente inexistente) francês.

Só isso me trouxe muita simpatia e boa vontade.

Sei disso porque me disseram. Na Pozzetto, eu cheguei com essa rotina, e o cara foi mega simpático. Ele foi falando francês e eu fui mantendo a fraude lingüística até que ele fez uma pergunta que realmente não entendi.

Ele repetiu em inglês e, ao final, quando me entregava o troco do sorvete, me elogiou e disse que achava muito legal que eu, apesar de não falar realmente francês, havia me esforçado e mostrado boa vontade e educação.

Cê vê? Coisa simples, mas faz diferença. Entrou, primeira coisa, olhe no olho e cumprimente. Em francês. Mantenha o francês até ele falhar. Funcionou, ao menos, comigo.

O macaron

Macaron (pronuncia-se macarron) é um doce, especialidade e orgulho francês. Eu poderia explicar tudinho, mas a Carla já fez isso em um artigo aqui no Ducs: Macarons de Paris. Vá lá ler, que eu espero e, na volta, te conto do café bom demais que tomamos em Paris.

*tamborilando com os dedos* Dundundurum, pãmpz, pãmpz, tundurum... Opa, já leu? Maravilha, continuemos.

O café

Então, eu tive graves problemas de adaptação ao café holandês, como contei no já clássico artigo sobre os holandeses e o café. Quando viajo pros países latinos, me encho de esperança de tomar um cafézinho decente.

Nesse quesito, a Itália reina suprema e inconteste, com espressos de virar os olhos, daqueles que deixam um gosto bom por horas na boca e alegram seu dia. Nunca tinha achado um café assim fora da Itália, sabe, daqueles.

Pois achei, e em Paris.

Vejam, a Carla estava no pique de soltar seu lado foodblogger e explorar a região de Les Halles, atrás de lojas de cozinha, queijos, chocolates, doces e outras gostosuras, devidamente guiada pelo David Lebovitz e seu excelente artigo sobre a área.

E foi uma dica dele que nos levou ao Caldo Freddo pra experimentar o espresso de lá.

Bom, claro que o dono tinha de ser italiano — olha o nome! E, se não fosse o nome basta tomar o café!

A Carla bem que desconfiou de eu ficar toda hora sugerindo pra dar uma passadinha nos Les Halles, sabe, pra explorar direitinho as lojas de culinária, eu nem me importava de ficar, sabe, esperando em algum lugar, tipo, olha ali, no Caldo Freddo, pronto, tá resolvido, pode ir tranqüila amor...

Paris café
Bom, já que você insiste, eu fico e tomo mais um cafézinho...

Paris 2010

E ela voltava pra me encontrar quase às lágrimas de emoção por um bom café (e overdose de cafeína). No último dia o dono, um italiano já com alguma idade, veio até conversar comigo e, quando contei que estava condenado ao exílio cafeinístico da Holanda, se emocionou. Ficamos amigos pro resto da vida, ali mesmo!

Caldo Freddo
36, rue Montorgueil 

Paris café
Naturalmente...

Descobrindo Paris com os locais

Para adiantar seu lado, o Ducs tem uma parceria muito legal pra vender ingressos pras atrações de Paris!

E se quiser alguém pra te receber e te levar por Paris, fala com o pessoal da França Entre Amigos - um super time de brasileiros moradores que vão te receber com todo o conforto e te levar por uma Paris só sua.

Pronto, agora é... aproveitar!

Torre Eiffel: fogos de artifício durante o 14 de julho
Paris é uma festa

 

Ingressos pra atrações em Amsterdam

Um jeito bacana de retribuir o Ducs e ainda se dar bem é comprar ingressos online comigo. Assim você evita ficar tomando vento em fila quando você devia estar passeando… e me dá uma força preciosa!

Dá uma olhada na página de ingressos do Ducs Amsterdam

Booking.com

Reserva um hotel bacana aqui em Amsterdam!

Eu escrevi um artigo com muitas onde ficar em Amsterdam.

E se você fizer sua reserva através dos links do Booking aqui no Ducs, eles repassam uma comissão pra gente (ao mesmo tempo que você paga menos pelo hotel).

Então é uma forma de apoiar o Ducs em Amsterdam e ainda descolar um lugar legal, ter suporte em português e pagar menos! :) Todo mundo ganha!

Booking.com

3 comentários em “Paris seguindo as dicas dos locais: comida e hospedagem”

  1. Oi Duclos!!
    Adoro seu blog!! Leio toda semana alguma coisa. Não conheço Amsterdam ainda mas em breve irei pois estou com viagem marcada! Adoro suas dicas e já estou doida para conhecer a cidade. Tenho uma pergunta, vou viajar com uma amiga e ela está grávida, como são as coisas para gestantes ai? Existe alguma restrição ou preferência nos lugares?
    Abraço!
    Iara

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