A verdadeira Casa da Anne Frank e um passeio alternativo local em Amsterdam

UPDATE IMPORTANTE: Até 1° de junho de 2018, devido a reformas, a Casa de Anne Frank só aceita que se compre ingressos online! Não é possível comprar ingressos na hora! Ficou sem ingresso? Veja abaixo uma alternativa local para descobrir a verdadeira Casa da Anne Frank.

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Essa é a estátua da Anne Frank perto da Casa da Anne Frank no Jordaan, uma das atrações mais famosas de Amsterdam. Vale a visita, mas você pode ir muito além por um passeio histórico no bairro em que Anne Frank morava.

A Casa da Anne Frank é uma das atrações mais famosas de Amsterdam. É visita imperdível (indiquei no top 5), mas também muito concorrida. Se você quiser um passeio alternativo, desconhecido pelos turistas, mas ainda assim ligado à Anne Frank e a história de Amsterdam...

Eu posso te ajudar 🙂

Eu vou falar primeiro da Casa da Anne Frank que todo mundo conhece, mas logo depois, eu vou te levar por um passeio pelo bairro em que Anne Frank morava, lindo, cheio de coisas legais para descobrir (incluindo a livraria onde Otto Frank comprou o famoso diário para a filha) e totalmente fora do esquemão turístico.

Se bem que Anne está pela cidade toda...
Se bem que Anne está pela cidade toda...

Ah, sim... a atração famosa conhecida como Casa da Anne Frank não era onde ela morava!

Leia até o fim e descubra mais um segredo da linda Amsterdam. Eu te garanto que esse será um artigo pra você imprimir e levar com você para descobrir Amsterdam muito além das principais atrações turísticas.

Mas primeiro a...

Atração famosa de Amsterdam: a Casa da Anne Frank

A Casa da Anne Frank é de fato uma das top atrações de Amsterdam, e visita imperdível em algum ponto da sua exploração. Eu contei a história dela já, mas resumidamente: nos anos 1940 Anne, da família judia imigrante dos Frank, ganhou um diário aos 13 anos...

Uma breve versão de uma trágica história

Adolescentes e diários, nada de extraordinário, não fosse duas coisas; Anne Frank não era uma garota comum e a Alemanha invadiu a Holanda e iniciou o período de terror da ocupação nazista.

Anne e a família se esconderam (junto com membros de outra família) num anexo secreto atrás da empresa do pai dela, no famoso bairro do Jordaan. Lá viveram apertados, espremidos, sem contato com o mundo exterior, sem poder fazer barulho por mais de dois anos.

Casa da Anne Frank
(Foto: Sarah Richter CC BY-NC-ND 2.0)

Infelizmente, os ocupantes do anexo secreto foram denunciados em algum ponto e deportado para campos de concentração. Apenas o pai de Anne, Otto, sobreviveu, e encontrou o diário da filha mantido durante a provação.

 Hoje em dia: atração popular (e muitas filas)

Hoje o anexo secreto pode ser visitado, e é uma das atrações mais populares de Amsterdam, atraindo mais de um milhão e duzentos e vinte e sete mil visitantes em 2014 para o que é conhecido como "A Casa da Anne Frank".

Devido a essa popularidade, se você quer visitar a Casa da Anne Frank sem pegar filas, é preciso correr e comprar o ingresso online antes que esgote. E se esgotar, o que acontece rápido, só resta esperar na fila da bilheteria (Só vá a partir das 15h30, pois o horário antes disso é reservado para quem tem o ingresso on-line).

Fila para Casa da Anne Frank
Não tô brincando, tem hora que vira a esquina

É uma experiência marcante, e você irá ter bastante informação, pois a fundação que mantém a casa como atração popular faz um excelente trabalho de explicar e contextualizar a história de Anne.

Mas por que ficar só nisso? E se você quiser ir explorar um pouco Amsterdam e sua história por conta própria? Você pode ir até o bairro em que ela morava, andar pelas ruas em que ela passeava, fazia compras, estudava...

E se você descobrir que a verdadeira casa da Anne Frank fica mais ao sul na cidade num belo bairro praticamente desconhecido pelos turistas?

A verdadeira casa da Anne Frank e um passeio pelo bairro por onde Anne Frank morava: Rivierenbuurt

Anne Frank e seus companheiros se esconderam atrás da empresa do pai dela. Não era a casa dela, ela morava em outro lugar! Ela morava em uma casa no bairro dos rios, ou, em holandês Rivierenbuurt.

Rivierenbuurt Amsterdam
Rivierenbuurt: Um bairro arborizado, agradável, com muita história, lojas, bares e restaurantes, totalmente fora do esquema turista

As marcas da história de um belo bairro

O vlog acima a gente mostra um pouco do roteiro desse artigo. Curtiu? Aproveita de se inscreve no nosso canal 🙂

Abaixo eu fazer um roteiro sugerido. Mas você pode fazer esse roteiro sobre a vida da Anne Frank nesse lindo bairro com um guia. Infelizmente o passeio não é em português (ainda), mas tem em inglês e espanhol nesse link aqui! Dica: O preço por pessoa fica bem mais em conta para grupos de 10 pessoas ou mais.

A Rivierenbuurt é um bairro muito bacana de Amsterdam, com muita história. Ele foi projetado e construído nos anos 1920 e 30 pelo influente arquiteto holandês H. P. Berlage como um bairro de classe média.

Sim, Amsterdam é uma cidade que cresce planejadamente, em planos de 20 anos. O famoso cinturão de canais? Foi planejado. E a Rivierenbuurt faz parte do plano de expansão sul, liderado pelo nosso herói Berlage. Ele batizou diversas ruas com nomes de rios da Holanda e deu o nome de Bairro dos Rios (Rivierenbuurt).

Rua em Amsterdam
O nome dessa rua é Jekerstraat e você vai passar nela. Continue lendo.

E nele se instalaram os judeus de classe média, donos de pequenas empresas, como o pai de Anne. A Rivierenbuurt se tornou um bairro judaico em Amsterdam (existe outro, no centro, ocupado por judeus de renda mais baixa, e que foi muito afetado pela Segunda Guerra).

Mas a Rivierenbuurt também foi muito afetada, não tanto os prédios, mas as pessoas (infelizmente). Dos cerca de 17 mil judeus que moravam no bairro em 1940, apenas 4 mil estavam vivos ao fim da guerra. Você andando pelo bairro pode não notar, mas os sinais desse desastre estão lá.

Por exemplo, andando pelas ruas você pode notar umas plaquinhas douradas, quase ninguém vê, na calçada, em frente à casas da vizinhança. Se aproxime e leia. São nomes de judeus que moravam naquela casa e foram assassinados pelo regime nazista.

Placas da Família Frank
Essas estão em frente à casa onde a família Frank morava, na Rivierenbuurt. Otto sobreviveu, claro, e isso está escrito na placa. Note que a data de falecimento das irmãs, Margot e Anne, está apenas com o mês, já que não se sabe o dia exato.

A história ali, aos seus pés, e quase que você não vê.

Por onde começar seu passeio

Vamos começar pela praça onde ficava a verdadeira casa da Anne Frank. Para chegar lá a partir da Estação central (Centraal Station), pegue o tram 4 e desça na parada Waalstraat.

UPDATE: Devido à obras na Roseveltlaan, a parada do tram 4 está desativada até o dia 1/06/2019! Em vez dele, pegue o Tram 12 (sai da Centraal) e desça na parada Waalstraat. Descendo na parada, atravesse a Churchilllaan e entre na Waalstraat e siga o roteiro a partir da Merwedeplein.

A primeira parada é uma antiga livraria da cidade, onde Otto Frank comprou o famoso diário que daria de presente à Anne Frank! De lá suba uma quadra até a Merwedeplein. Eu fiz um mapa com o passeio todo - com algumas dicas extras nele. Dá um bizu:

Percurso total do passeio: 3 km
Tempo: sem parar: 40 minutos (mas qual a graça de fazer correndo, sem parar?). Com paradas 1h30. Com muitas paradas: 3h00.

A livraria onde o pai de Anne comprou o famoso diário: Boekhandel Jimmink

A primeira parada do passeio é uma tradicional livraria de Amsterdam. Fica bem pertinho da casa onde Anne morava com sua família, e foi lá que seu pai, Otto Frank, comprou um presente de aniversário que entraria para a história.

Em 11 de junho de 1942, Otto entrou na livraria Jimmink e comprou um diário vermelho-xadrez (na real, um caderno de poesias) para dar para a filha Anne que estava fazendo 13 anos.

E foi esse diário que ela levou para o anexo secreto e escreveu suas impressões e pensamentos que se tornariam mundialmente famosos.

A livraria funciona até hoje, e tem bastante material sobre Anne Frank. O dono é simpático e conversador, e a livraria é atulhada de coisas, toda apertada, daquelas que são uma armadilha para ratos de sebo (embora ela venda livros novos).

E eu costumo comprar também cartões postais bem bacanas nela.

Boekhandel Jimmink
http://www.jimminkboek.nl/ (o site parece ter sido feito na mesma época da Anne... mas tem muita info bacana se você ler em holandês)
Rooseveltlaan 62
De terça a sexta das 9h00 às 20h00, sábado das 9h00 às 18h00, domingo das 13h00 às 18h00

A verdadeira casa da Anne Frank

Antes de começar é melhor eu avisar para evitar decepção: a casa em si não está aberta à visitação pública. É uma fundação não governamental que restaurou a casa ao estilo dos anos 30 e oferece como abrigo para escritores que sejam perseguidos em seu país de origem.

Mas você pode visitar a praça, chamada Merwedeplein, e deixar flores aos pés da estátua de Anne Frank que tem lá (uma tradição que os moradores mantém viva).

Estátua perto da verdadeira Casa da Anne Frank
E estátua mostra Anne Frank deixando sua casa em direção ao esconderijo que hoje ganhou o nome de "Casa da Anne Frank".

O número da "verdadeira" casa da Anne Frank é 37, segundo andar. E sim, à frente dela tem também as plaquinhas da família Frank (pus a foto mais acima no artigo).

Você pode ver Anne aparecendo na janela de sua casa no único vídeo que existe dela (ela aparece a partir dos 9 segundos de vídeo).

Cafe (pub) na esquina para ver a vida passar

Na esquina em frente a Merwedeplein, na Waalstraat com a Jekerstraat (você seguir o caminho por lá) tem o Cafe Blek. Apesar do nome, é um pub (holandês chama pub de cafe, sem acento mesmo). Quando o tempo está bom, eles põe mesinhas na calçada e é bem agradável tomar uma cerveja ou um café olhando a vida local passar.

Ah sim: uma coisa legal do Blek é que sempre tem gente com criança por lá também...

Cafe Blek Amsterdam

Cafe Blek
http://www.cafeblek.nl/
Waalstraat 48
Abre as 11 da manhã e fecha tarde

Decidindo parar ou não, o passeio vai prosseguir.

Descobrindo as ruas de compras em Amsterdam: Maastraat e Scheldestraat

Dali você pode ir explorando o bairro, em direção à Scheldestraat, uma rua de compras bem bacana e bem local. Pegue a Jekerstraat e vá andando (repare em mais plaquinhas no chão: tem duas logo no começo, pertinho do cafe Blek, em frente ao número 14).

Logo você irá chegar à Maasstraat, que é também uma rua de lojas com opções bacanas. Se quiser pode explorar a pracinha, dar uma descansada,  mas eu vou atravessar a rua e pegar a Geulstraat e andar mais 400 metros (5 minutinhos) e chegar na Scheldestraat. Esse é o verdadeiro prêmio.

Geulstraat rua Amsterdam
Embora a Geulstraat tenha também alguns detalhes arquitetônicos legais para quem estiver atento.

Parada para os melhores sorvetes de Amsterdam

Cansou? Vamos parar pra tomar um sorvete no Pisa IJs, um dos favoritos da Carla: ela é a especialista em sorvete aqui em casa. E está treinando a Babyduc na arte de se empanturrar com gelados. Escolha qualquer sabor. vai ser bom.

Sorvete em Amsterdam: Pisa IJs
Os sacrifícios que a gente faz para escrever um artigo no Ducs...

E se você prestar atenção, pode notar que alguns dos sabores estão marcados com um asterisco *. São os que não contém leite. Supimpa: intolerantes à lactose também podem curtir um dos melhores sorvetes de Amsterdam.

Pisa IJs

Scheldeplein 10 (tram 4)
Das 12h00 até a meia noite

Lojas para crianças em Amsterdam: lojinha da Nijntje

A Scheldestraat também tem diversas lojas bacanas para fazer compras para crianças. A mais famosa é, claro, a lojinha da Nijntje.

loja Nijntje Amsterdam

Talvez você a conheça pelo seu nome internacional (Miffy), ou talvez você apenas reconheça a fofucha carinha redonda dela... ou talvez seja a primeira vez que você ouve falar. Mas todo holandesinho sabe quem é a Nijntje (o nome vem de "koNijntje", coelhinho em holandês).

A coelhinha é a base da infância feliz na Holanda, é impossível ignorar (e se você notou uma certa semelhança de estilo com a Hello Kitty, bem, você não foi o único: o próprio Dick Bruna, criador da coelhinha, notou e resmunga até hoje sobre essa "inspiração" não autorizada: a Nijntje é mais antiga do que a Hello Kitty por uns bons 20 anos).

Quando a Carla engravidou a primeira vez, antes até do nenê nascer, já começamos a acumular coisas da Nijntje; primeiro foram presentinhos, depois nós mesmos compramos, depois de um par de anos, a própria Babyduc passou a pedir - ela é, claro, mais uma fã desde o berço.

E nosso amigo Dick Bruna não é tímido em capitalizar a popularidade que os livrinhos criaram (aliás, uma das minhas diversões esses anos tem sido traduzir em casa os livrinhos da Nijntje pro português, para eu poder ler com as rimas pra Babyduc). Existe um bazilhão de produtos baseados na personagem, e você acha uma boa parte deles na lojinha da Nijntje na Scheldestraat.

Coelhina Nijntje
Um bazilhão de Nijntjes

Sim, verdade que tem a Casa do Dick Bruna em Utrecht (ele é de lá), mas se você quiser um insight da alma infantil holandesa aqui em Amsterdam mesmo, olha que sorte, você já está na Scheldestraat. Passa lá!

De winkel van Nijntje (A Lojinha da Miffy/Nijntje)
http://www.dewinkelvannijntje.nl/
Scheldestraat 61
Segunda, das 13h00 às 18h00, terça a sexta, das 10h00 às 18h00, de sábado das 10h00 às 17h00 e de domingo das 12h00 às 17h00

Outras lojas para crianças em Amsterdam: roupas, brinquedos e livros

Ah, mas se você tá com pimpolhos, seus gastos potenciais não terminaram. A Scheldestraat oferece outras lojas legais para crianças.

A Oude Muis & Kleine Beer ("O velho camundongo e o Pequeno Urso") tem brinquedos lindos, de materiais como madeira, pano (ou seja, não é o domínio do plástico que as lojas de brinquedo padrão se tornaram), estimulando a imaginação e a descoberta.

Loja para crianças em Amsterdam: brinquedos alternativos
Fofurices na vitrine

Eles vendem também livros (ja hoor, in het nederlands, sim claro, em holandês, mas lindamente ilustrados) e cartões. Vale a pena explorar. Aposto que você vaia achar algo de bom gosto que vai agradar (você e a criança). O pessoal que trabalha lá é simpático e prestativo.

Oude Muis & Kleine Beer
A única URL oficial que achei funcionando é a página deles no Facebook:https://www.facebook.com/OudeMuisKleineBeer/
Scheldestraat 98
De segunda das 13h00 às 18h00, de terça a sexta, das 10h00 às 18h00, sábado das 10h00 às 17h00, domingo fecha

E ali perto tem outra loja de produtos infantis de todo tipo, a Koter & Co. Eles têm roupas, brinquedos, carrinhos de bebê (embora nesse caso o acervo maior esteja online) e não tem medo da concorrência da Nijntje: eles estão literalmente ao lado. E inclusive vendem um coelhinho de pelúcia.

Loja infantil em Amsterdam
A Koter & Co vende de tudo e até coelhinhos. Nijntje? Que Nijntje?

A Koter & Co é também de um estilo fora do padrão bigcorp-roupa-rosa-ou-azul-brinquedo-de-plástico que dominou a indústria infantil, e se você quer algo mais, digamos, humano, com as três opções que indiquei, a Scheldestraat é um achado. Have fun!

Koter & Co
http://www.koterenco.nl/ (é uma loja online também)
Scheldestraat 55
De segunda, das 11h00 às 18h00, de terça a sexta das 10h00 às 18h00, de sábado das 10h00 às 17h00, domingo fecha

Supermercado orgânico: Eko Plaza

Uma última indicação antes de você sair da Scheldestraat, carregado e empanturrado: o Eko Plaza é um supermercado completo, mas inteiramente de produtos orgânicos. Tudim.

Além de tudo o que você esperaria num supermercado oferecido em versão orgânica (e aqui na Holanda as exigências para usar o selo de "orgânico" são rígidas), tem ingredientes mais raros, e até uma seção de lanches - se sobrou espaço depois do sorvete, e se quiser comer algo andando por Amsterdam, dá uma parada lá.

Ou você pode se divertir conhecendo o supermercado mesmo. O quê? Eu adoro ir a supermercado em viagens, você não? E o Eko Plaza é um que certamente vale explorar, pelo conceito e pelos produtos oferecidos.

Eko Plaza
http://www.ekoplaza.nl/
Scheldestraat 53 (logicamente tem em outros endereços pela cidade)
De segunda a sábado, das 8h00 às 20h00, de domingo das 11h00 às 18h00

Restaurantes na Scheldestraat

Ah, olhaí, mentira, não era a última indicação. Se você notou, a Scheldestraat tem uma pilha de restaurantes de diversos estilos, então se seu plano é almoçar primeiro antes de seguir passeando, pode escolher um. Em geral é bom.

Scheldestraat Amsterdam

Ok, uma dica: eu curto a Feduzzi, delicatessen italiana. Não é exatamente um restaurante onde preparam sua comida, mas, bem, uma delicatessen. As comidas estão prontas (mas são frescas e feitas com ingredientes de qualidade, na cozinha deles - não é comida "pronta", é comida que já está pronta pra você não esperar), você pode sentar e pedir, ou você pode olhar os outros produtos italianos que estão à venda (incluindo vinhos e deliciosos azeites de oliva), e  você pode até pedir um sanduíche to go.

Produtos italianos e comida num estilo despretensioso e amistoso, certeza que você vai achar algo gostoso pra comer na hora ou levar pra casa.

Feduzzi 
http://www.feduzzi.nl/
Scheldestraat 63
De segunda a sexta, das 10h30 às 19h30, de sábado das 10h00 às 17h00, domingo fecha

Voltando pela linda e arborizada Churchilllaan até a Victorieplein

Depois de explorar a Scheldestraat, se empanturrar e comprar coisas bacanas, vá até a esquina com a Churchilllaan e vira a direita nela.

Avenida arborizada em Amsterdam

É uma linda e arborizada avenida, que tem nome de Primeiro Ministro inglês e não de rio. Isso hoje em dia, na real. Originalmente o nome era Noorder Amstellaan (laan é avenida, e holandês adora grudar palavras, e Noorder Amstel é um rio), mas claro, depois da segunda guerra, houve muitas mudanças de nome no bairro. Churchill foi homenageado, assim como Roosevelt (e, uns anos depois, Kennedy), rebatizando as principais avenidas do bairro.

De toda a forma, é uma avenida muito agradável de se passear e bonita através das estações, com as árvores mudando com o ritmo da natureza.

Churhilllaan no outono
Churhilllaan no outono

 

No verão as árvores estão cheias e verdes, no outono amarelas e lindas, na primavera há tulipas e flores plantadas e no inverno, bem, ela fica mais austera - exceto se nevar, aí ela fica austera e linda.

Loja de bicicletas: Danny's bike shop

De toda a forma: atravesse a Churchilllaan, e ande pelo lado par da avenida. Ande uma quadra e logo vai achar a Danny's bike shop na esquina com a Maasstraat.

Loja de bicicleta em Amsterdam
O quê? Bicicletas?! Em Amsterdam?!? Como assim, gente!

Bem, achar loja de bicicleta em Amsterdam não é difícil, e em geral elas são boas e isso inclui a Danny's. O que faz ela especial é que eu gosto do nome (hehe) e foi onde eu comprei a minha mais recente bike e todos seus acessórios. E sempre fui bem tratado lá, sem paparicação, mas com eficiência.

Além de vender bikes novas e usadas, acessórios, eles consertam, instalam e até deixam você estacionar sua bike (pagando por mês ou avulso).

E se você estiver cansado, eles alugam city bikes também. Você pode escolher entre modelos com freio na mão e contra-pedal e é um jeito de alugar uma bike sem estar marcado com aquelas cores berrantes das locadoras famosas.

(Precisa deixar um depósito de €75,00).

Prefere continuar a pé? Ótimo, não falta muito pro fim do passeio mesmo (mas fica a dica se quiser alugar pra passear mais longe). Vamos continuar caminhando.

Danny's Bike Shop
http://dannysbikeshop.nl/
Maasstraat 23
De segunda a sexta, das 9h00 às 18h00, de sábado das 9h00 às 17h00, domingo das 12h00 às 18h00

Uma doceira repleta de guloseimas a serem descobertas

Quem descobriu essa doceria foi a Carla, pelo cheiro, quando tava passando na frente, Se não estiver empanturrado ainda, pare. Se estiver empanturrado, pare também e peça pra viagem.

Banketbakkerij Blommestein
http://www.blommestein-banket.nl/
Churchilllaan 26
De segunda a sexta, das 8h30 às 17h30, sábado das 8h00 às 16h00, fecha domingo. Entre 1 de julho e 1 de setembro funciona de segunda a sexta das 8h30 às 17h00, de sábado das 8h00 às 16h00

Victoriplein, a praça da tragédia e da vitória

Ande até a Victorieplein, onde você vai achar um prédio com cara comum. Pra você pode parecer 'um prédio comum" e até "um prédio pequeno", mas época foi um marco.

O nome oficial é 12-verdiepengenhuis (um pouco imaginativo mas bem descritivo "casa de 12 anadares"), foi apelidado de Wolkenkrabber, por ser o primeiro arranha-céu de Amsterdam! É um insuspeito marco histórico da cidade, obra de J.F. Staal, arquiteto que trabalhou com nosso amigo Belarge no Plano Sul ("Plan-Zuid").

E por falar em Belarge, na praça você vai achar uma estátua dele, todo austero, no coração do bairro que projetou.

Victorieplein Berlage Amsterdam

E nem vai desconfiar que era ali naquela praça que os judeus arrancados de seus lares (sim, aqueles das plaquinhas) eram concentrados para serem transportados de tram para uma estação de trem em Amsterdam de onde seriam deportados para os campos de concentração nazistas.

Terrível!

Mas a esperança venceu: a praça hoje se chama praça da Vitória (Victorieplein), olhando de frente para a Avenida da Liberdade (Vrijheidslaan). Foi por essa avenida e passando pela praça que em 7 de maio de 1945 tropas canadenses avançaram por ela para liberar Amsterdam.

É apenas justiça histórica que, após tanto sofrimento, a Rivierenbuurt tenha sido também a porta de entrada da libertação da cidade.

Victorieplein hoje: sem esquecer o passado, vivendo para o futuro
Victorieplein hoje: sem esquecer o passado, vivendo para o futuro

Parte final do passeio a pé pelo bairro da Anne Frank: Cafés na Rijnstraat

Ok, estamos quase terminando. Está cansado? Espero que não - houve diversas paradas pelo caminho. Mas se tiver, pode ainda relaxar em café na Rijnstraat,  virando na primeira a esquerda depois da Victorieplein (veja o mapinha que eu preparei pra você seguir tudinho sem erro).

Existem diversos, pode escolher sem medo. Mas se quer uma sugestão, recomendo a Casa Brazuca, do Thiago, um brasileiro morando há décadas em Amsterdam. O café é bom, o ambiente é de bom gosto e tem sandubas frescos e bem feitos.

Se continuar subindo pela Rijnstraat logo você chegará numa ponte sobre o Amstelkade. Do outro lado ela muda de nome para Van Woustraat e a Rivierenbuurt acaba e começa o De Pijp, outro bairro muito legal de Amsterdam. Você pode continuar o passeio por lá ou pegar o tram 4 de volta pro centro.

Seja qual for sua escolha, pare um pouco sobre a ponte e aproveite para tirar algumas fotos. Eu fiz isso muitas vezes.

Vista sobre ponte em Amsterdam
O passeio está chegando ao fim... ou não.

A Rivierenbuurt tem esse aspecto trágico e belo, um lindo bairro com história difícil mas com superação também. Espero que tenha gostado e possamos concordar com uma coisa: a família Frank tinha bom gosto para escolher o bairro onde morar.

Se ficou com vontade de fazer esse passeio mas está inseguro em fazer sozinho, tem AQUI um passeio guiado feito em grupo. Eu não conheço o guia, mas achei interessante a proposta dele de justamente mostrar esse lindo bairro onde Anne Frank costumava morar. Atenção: no passeio não está incluso o ingresso para a Casa de Anne Frank!

Ponte Amsterdam
Na verdade eu tirei bem mais de uma foto sobre essa ponte...

Fontes

  • http://www.annefrank.org/en/Anne-Frank/Not-outside-for-2-years/Hiding/
  • http://www.annefrank.org/en/News/Press/Visitor-numbers/
  • http://geheugenvanplanzuid.nl/archief/actueel/joodsehuizen.htm
  • http://nl.wikipedia.org/wiki/Plan_Zuid
  • http://nl.wikipedia.org/wiki/Maasstraat_%28Amsterdam%29
  • http://nl.wikipedia.org/wiki/Nijntje
  • http://www.citymom.nl/speelgoedwinkels-en-cadeaus/oude-muis-kleine-beer/
  • http://nl.wikipedia.org/wiki/12-verdiepingenhuis
  • http://nl.wikipedia.org/wiki/Vrijheidslaan

Ingressos pra atrações em Amsterdam

Um jeito bacana de retribuir o Ducs e ainda se dar bem é comprar ingressos online comigo. Assim você evita ficar tomando vento em fila quando você devia estar passeando… e me dá uma força preciosa!

Dá uma olhada na página de ingressos do Ducs Amsterdam

Booking.com

Reserva um hotel bacana aqui em Amsterdam!

Eu escrevi um artigo com muitas onde ficar em Amsterdam.

E se você fizer sua reserva através dos links do Booking aqui no Ducs, eles repassam uma comissão pra gente (ao mesmo tempo que você paga menos pelo hotel).

Então é uma forma de apoiar o Ducs em Amsterdam e ainda descolar um lugar legal, ter suporte em português e pagar menos! :) Todo mundo ganha!

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22 comentários em “A verdadeira Casa da Anne Frank e um passeio alternativo local em Amsterdam”

  1. Ola Daniel,

    Que blog post excelente! Eu me mudei recentemente para Amsterdam a trabalho depois de morar 10 anos na Australia. Lembro que quando me mudei pra Australia eu procurava blogs com historias sobre Melbourne e depois Sydney - cidades que morei - e quase nada encontrei. Amo história e decidi aceitar um emprego aqui para continuar a explorar a Europa. Já conhecia Amsterdam e já fui a casa da Anne Frank, na minha opiniao o diario dela eh um marco historico. Eu sabia que a casa verdadeira ficava em Rivierenbuurt mas nao tinha ideia dos detalhes que voce conta no seu post como a livraria que o pai da Anne frequentava e comprou o diario - não me lembro de ter lido sobre isto no museu dela! Eu não consegui ir a Rivierabuurt da primeira vez que vim a Amsterdam e queria dizer que ainda bem que não fui e resolvi me mudar pra cá e ler o teu post. Fazer o passeio que você recomenda será certamente muito mais rico que se tivess ido correndo da primeira vez que vim aqui. Muito obrigado pelo post!

    Responder
  2. A casa de Anne Frank não esta mais aberta para visitação ?
    Tenho interesse em comprar alguns tickets ... estarei com mais duas pessoas em Amsterdam dos dias 11 a 15 de agosto.

    Responder
  3. Olá, Gostaria de deixar uma dica para os futuros visitantes. Inclui Amsterdam no meu roteiro de viagem, na ultima hora e quando fui comprar os ingressos para Anne Frank não tinha mais disponibilidade. Já estive no museu porém dessa vez, estarei com minha filha. Não poderia deixar de visitar o museu com ela porém já estava desanimada só de pensar em ficar naquela fila imensa. No site, na versão em português, não havia disponibilidade de ingressos, tudo esgotado. Porém , no site em inglês, aparece a opção para o curso da sobre Anne Frank + visita ao museu . Li que a opção do curso e ticket para o museu é liberado com 2 semanas de antecedência. Ou seja, na versão do site em português não tinha mais o ingresso simples por 9 euros porém , em inglês, paguei 14 euros pelo curso e ingresso para o museu, agendei horário e fiquei feliz da vida. Paguei 5 euros a mais pela tranquilidade de não ficar naquela fila quilométrica. Agora, no site em inglês, haviam mais de 50 ingressos liberados. Então a dica para os brasileiros é que não comprem pelo site em português, mudem para a versão em inglês e comprem com a opção do curso . Lembrando sempre que os ingressos são disponibilizados com 2 semanas de antecedência.

    Responder
  4. Fala Ducs! Beleza?
    Quando eu fui à Amsterdam (agosto/2014) não consegui comprar ingresso antecipadamente pro Museu (casa) Anne Frank e isso me deixou bem tenso. Será que eu conseguiria? Quanto tempo eu perderia na fila?

    Daí eu li em algum lugar um dica sensacional. Ir no fim da tarde. Eu cheguei lá pouco antes do museu fechar, à noite e... fiquei 15 minutos na fila!

    Consegui visitar o local e não perdi o dia inteiro lá, o que foi muito bom, visto que eu tinha pouco tempo pra curtir a cidade.

    A dica é: verificar os horários do museu (variam conforme a época do ano) e tentar chegar lá próximo do horário de encerramento. Se fecha às 19h, chegue às 17h30, por exemplo.

    Seu blog e o ebook me ajudaram muito na viagem! Abraços!!

    Responder
  5. Olá, queridos! Maravilhosas as dicas de vocês, heim? Estarei em Amsterdam no final de Outubro, viajando sozinho e falando inglês não muito fluente, então tentarei esclarecer algumas dúvidas por aqui (tentarei não ser chato hahhaha) A primeira dúvida seria esta: estou com ingressos comprados para Anne Frank House e Museu Van Gongh, ambos para o dia 24/10, o primeiro para as 9:30 (Anne Frank) e o outro para as 16:00. Seria possível fazer este passeio em Rivierenbuurt neste intermédio? #posso abreviá-lo pois tenho pouco interesse em artigos infantis e bicicletas :(!# Devo contar com quanto tempo para a visita a Casa de Anne Frank? Existe uma opção de transporte público entre os dois pontos que não seja tendo que ir até a Centraal?? Desde já, muito obrigado!

    Responder
    • Oi Antenor, como vai?

      A visita da Casa da Anne Frank... depende muito de você, de quanto tempo você precisa para "digerir" cada pedaço da casa. Por outro lado, a casa costuma ser bastante cheia e, de uma forma ou de outra, a gente acaba sendo "empurrado"... então, diria, no máximo umas três horas. Assim, depois dá tempo de visitar a Rivierenbuurt. E de lá, procura o tram 3, que também passa na Museumplein.

      abraços,

      Responder
  6. Ducs, desde já agradeço pelas valiosas dicas. Gostaria de saber se você pode poderia me informar se há na Casa de Anne Frank há um guia audiovisual e se tiver, se há em português.
    Poderia me ajudar?

    Responder
  7. Ducs, me recomendarem comer um sanduiche de pao preto, abacate e bacon, em frente a Anne Frank (do outro lado do rio). Voce sabe o nome do restaurante que tem esse sanduiche? Obrigada!

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  8. Olá, adorei o site e as suas dicas! Confesso que fiquei mais ansiosa do que ja estava. Eu e meu namorado estamos construindo nosso roteiro e ficaremos em Amsterdam do dia 21 a 24 de janeiro de 2016, e como não conhecemos o lugar estamos preocupados em comprar os ingressos de museus e da casa da Anne antecipados por causa do horário rígido. Há algum problema em pegar filas? Ou é preferível que vá com ingressos comprados? Obrigada

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    • Oi Gianna! É muito preferível comprar ingressos antes - as filas podem ser muito demoradas, e ficar de pé na fila tomando vento e frio... bleh, pode ser bem chato. Se não tiver oturo jeito não tem outro jeito, mas se der pra comprar antes eu recomendo altamente.

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