Bienal de violoncelo em Amsterdam: o poder restaurador da música

A música está tão presente em nosso cotidiano que, às vezes, subestimamos o poder que ela possui. Em tempos de crise e confusão - econômica, política, de valores - a música funciona como bálsamo, pode nos confortar e acalmar.

Eu mesma só fui sentir o poder da música quando, no puerpério do meu segundo filho, passei grande parte do tempo tão ocupada com os dois guris que esqueci de colocar as músicas que eu gosto para ouvir. Quando voltei a escutar é que me dei conta do quanto estava me anulando sem ouvi-las; e da felicidade de ouvir aquelas músicas que tocam no meu íntimo. Nesses tempos de polarização no Brasil, um festival de violoncelo em Amsterdam pode te fazer voltar a acreditar na humanidade!

Festival de Música em Amsterdam
(Foto: Adobe Stock)

O violoncelo é um dos instrumentos que mais profundamente me toca (o outro é o trompete). Não sou especialista em música e não sei explicar tecnicamente o motivo do violoncelo me emocionar tanto. Mas é ouvir e arrepiar, dependendo de quem toca e de como toca. E embora  mais presente na música erudita (clássica ou contemporânea), ele é facilmente notado quando incorporado a estilos como o pop, rock, jazz ou world music. Qual o segredo do instrumento que, desde 2006 tem sua própria bienal em Amsterdam?

 A dupla de Viena, Matthias Bartolomey e Klemens Bittman, se apresenta em 19 de outubro durante a Cello Biennale. No entanto, os ingressos para esta apresentação já estão esgotados.

Cello Biennale

A cada dois anos, solistas, orquestras, conjuntos e outras formações musicais – incluindo singer-song writers – se reúnem em Amsterdam por 10 dias em torno do violoncelo, mostrando a força da música para fazer um mundo mais belo.

De 18 a 27 de outubro, a Cello Biennale soma mais de 100 eventos com a participação de músicos de 27 países em dois palcos amsterdameses: o Muziekgebouw aan ‘t IJ e a Bimhuis.

A programação é intensa: há dias em que as apresentações começam às 9h30, com o Bach & Breakfast, e só terminam à meia-noite, com o Nachtconcert, que começa à meia-noite.

Além de muitos concertos e shows, exposição de violoncelos e técnicos do instrumento que os comparam. Um dos temas centrais da bienal em 2018 é o poder da música. Dentro da programação Let’s talk, artistas e pesquisadores lideram conversas sobre a influência da música na mente das pessoas, de como pode ajudar a curar feridas… até as causadas por uma guerra.

Abaixo destaco algumas partes da programação que valem a sua visita.

Um café da manhã com música clássica ao vivo em Amsterdam: Bach & Breakfast

De 21 a 27 de outubro, as manhãs no Muziekgebouw aan ‘t IJ começam com o Bach & Breakfast: um café da manhã singelo, com suco de laranja, capuccino e croissants acompanhado de violoncelistas solistas que interpretam composições do alemão nascido em 1865, Sebastian Bach.

Destaco as apresentações do estadunidense Matt Haimovitz, que executa a Suíte nº 5 para violoncelo na segunda (22), e da holandesa Harriet Krijgh que executa a Suíte nº 1 para violoncelo no sábado (27). As seis apresentações de Bach & Breakfast serão na maior sala do Muziekgebouw, às 9h30. Os ingressos custam 12 e 15 euros.

Hello Cello – matinés para crianças

(Foto: Adobe Stock)

Existe na Holanda, uma grande preocupação em transmitir as tradições para a 'saguizada'. E na bienal do violoncelo, a programação Hello Cello é para que crianças e jovens possam ter um contato maior com o instrumento; há inclusive workshops de violoncelo para crianças aprenderem a tocar. O Hello Cello também busca promover o conhecimento da música clássica no ensino básico - para que as salas de espetáculo e os conservatórios continuem sendo bem frequentados.

Um concerto que me enche de esperança nas futuras gerações é o da Hello Cello Orkest, orquestra formada por 160 jovens e crianças. Será no domingo (20) às 16h15 com entrada gratuita na maior sala do Muziekgebouw. Se mora ou está com filhos na cidade e eles têm mais de 7 anos, vá com eles no workshop SoundLAB. Nesse workshop, as crianças terão a oportunidade de tocar o instrumento. Será no átrio do Muziekgebou na segunda (21) às 13h no átrio do Muziekgebouw. O ingresso custa 8,50 euros.

Poder da Música, poder do violoncelo

Para discutir o poder da música, um dos temas da bienal de 2018, foram criadas quatro tardes de conversas, Let’s talk (em inglês) sobre o poder da música dentro da bienal do violoncelo.

Em Power of Music II, por exemplo, os diálogos serão sobre música em tempos difíceis (e que timing, pensando no período eleitoral brasileiro!). Uma das convidadas é a maestra Laura Hassler, que fundou a Músicos Sem Fronteiras após a guerra no Kosovo, com o objetivo de curar as feridas da guerra com a leveza da música.

Projeto Sounds of Palestine

A violoncelista Fabienne van Eck, que trabalha como professora de violoncelo num campo de refugiados palestinos pelo projeto Sounds of Palestine e a violoncelista Tjakina Oosting, que leva a sua música a pacientes com doenças graves em hospitais são as outras convidadas da tarde de segunda (21), às 15h30. As três falam sobre suas experiências com a força da música no Power of Music II, evento gratuito na Bimhuis.

A influência da música em nosso cérebro

A influência da música no cérebro de pacientes com demência ou que se recuperam de uma operação é o tema do Let’s Talk que acontece na quinta-feira (24) às 15h30, na Bimhuis. O que ocorre na nossa mente quando ouvimos a nossa música favorita? Essa é uma das perguntas desse diálogo com músicos do coletivo Ludwig e com o neuro-musicólogo Artur Jaschke. Juntos, pesquisam a influência da música no desenvolvimento do cérebro.

A sedução do violoncelo

Na sexta-feira (26), último tarde do Lets talk, o tema é a magia do violoncelo. O que faz tanta gente se apaixonar pelo instrumento que é capaz de levar muita gente - a maioria dos ingressos de diversos concertos já foi vendida - ao Muziekgebouw por dez dias? Músicos, psicólogos, poetas e jornalistas participam dessa conversa que explora a sedução do violoncelo. Será às 16h no Muziekgebouw.

Fé, esperança e conforto

Dentro da programação 'o poder da música', está também o concerto Geloof, hoop em troost (Fé, esperança e conforto). Nessa apresentação, o russo Mischa Maisky executará Quatour pour la fin du temps, do francês Oliver Messiaen. O compositor escreveu esse quarteto em um campo de concentração alemão na Polônia durante a II Guerra Mundial. Junto com outros três detentos o tocou algumas vezes. A obra também mostra o que significa para a nós a música em situações difíceis.

Neste mesmo espetáculo, o alemão Nicolas Alstaed executará Kaddish, de Maurice Ravel, e o italiano Giovanni Solimma toca Lamentatio, que ele mesmo compôs.

Há uma lista de espera para assistir essa apresentação, que será na sexta (26), às 17h30, no Muziekgebouw. Tomara que você consiga os ingressos, que custam 18,50 ou 23 euros.

Cello Feest, a festa do violoncelo

A programação mais irreverente da bienal está na Cello Feest, que acontece na Bimhuis - 'A' casa de jazz e improviso de Amsterdam. Oito noites, com dois artistas por apresentação, mostram o que há de mais interessante do violoncelo alternativo no mundo todo. Worldmusic, Jazz, Pop, improvisos e performances na programação.

No sábado (20), a cantora, compositora e violoncelista Mela Marie Spaemann faz uma apresentação em que mistura jazz, soul e clássico, com canções que não saem mais da cabeça. Na sequência, o show da banda franco-espanhola NES. A cantora e violoncelista Nesrine Belmokh está a frente da banda, que, segundo a crítica, é uma artista que tem um pouco de Billy Holliday, Fairuz e Caro Emerald, além de ser uma ótima violoncelista.

Muziekgebouw aan ‘t IJ: sede do festival de violoncelo

A Cello Biennale ocorre no Muziekgebouw aan ‘t IJ, sendo que a Groote Zaal (grande sala, com 725 assentos) possui uma das três melhores salas de concerto do mundo, graças à acústica. Junto com a Bimhuis (que é uma caixa preta que sai de dentro do edifício do Muziekgebouw),  foi inaugurado em 2015 pela Rainha Beatriz.

Conta também com diversos outros espaços, como a Kleine Zaal (sala pequena, com 100 lugares), 3 foyers, 3 estúdios, átrio e hall de entrada com um café com vista para o rio ‘t IJ.

Durante a Cello Biennale, todos estes espaços serão tomados com apresentações, muitas delas gratuitas. Assim, caso esteja à toa por Amsterdam, vale muito a pena dar uma voltinha por estas partes, com o risco de ser capturado pela boa música vinda de um violoncelo!

Serviço

A programação completa da Cello Biennale está aqui. Os ingressos podem ser comprados avulsos, sendo que 4 ingressos têm 20% de desconto e 7 ou mais ingressos 30%. Ha também a opção de comprar ingressos por dia (dagkaart - entre 60 e 85 euros com direito a todas as apresentações de um único dia) ou um passe-partouts (entre 190 para estudantes a 465 euros).

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2 comentários em “Bienal de violoncelo em Amsterdam: o poder restaurador da música”

  1. Olá, amei saber que tem um festival de Cello em Amsterdam.
    Minha filha toca Cello dês dos 4anos, parou a dois anos e está com muita vontade de voltar, hoje ela tem 10 anos.
    Em Julho de 2019 nos mudamos para Den Bosch e estamos a procura de uma escola de Cello pra ela.
    Você sabe alguma para me indicar? Ou ondem consigo informações sobre escolas de música.
    Abraço
    Letícia Cunha

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