Venha curtir os últimos dias da Exposição Van Gogh e o Japão em Amsterdam

Quando eu era pequena, achava Vincent van Gogh o pintor mais fantástico de toda a galáxia. Porém, com o tempo, fui perdendo o interesse. Acabei ficando com a imagem de que ele só sabia pintar girassóis, pessoas comendo batata e o seu próprio rosto... Mas ano passado eu visitei o Van Gogh Museum (uma das maiores atrações de Amsterdam)  pela primeira vez,  e percebi que sabia muito pouco sobre a vida e obra de Vincent...

Uma das coisas que mais me surpreendeu foi a pequena exibição sobre o Japão no acervo permanente. Nunca passou pela minha cabeça que ele teria interesses por esse país, onde nunca esteve (na época a viagem era muito mais difícil, e as informações sobre o Japão eram poucas na Europa).

Van Gogh, Courtesan (after Eisen). Imagem divulgação do Museu do van Gogh

Isso me deixou muito curiosa. Eu queria entender como e por que o Japão teve um impacto tão grande na vida dele e na sua maneira de fazer arte. E para a minha alegria, o Museu do Van Gogh resolve abordar justamente esse tema em uma exposição temporária sobre a arte japonesa que influencio Van Gogh. A exposição vai só até dia 24 de junho (dá tempo ainda), e eu fui lá procurar as respostas para minhas perguntas.

Vincent van Gogh e a arte japonesa: uma paixão que moldou sua visão artística

Antes de se mudar para o sul da França e se internar na clinica de Saint-Rémy, Vincent levou alguns desenhos de artistas japoneses e passou boa parte de seu tempo estudando-os e copiando o estilo de pintar. Ele ficou tão apaixonado que dizia ver o Japão em todas as coisas. E é possível ver agora o que Vincent viu na época: a exibição é bem grande e tem obras de arte de vários artistas japoneses de então.

"A arte japonesa é um tanto como os primitivos, como os gregos, como nossos antigos holandeses, Rembrandt, Potter, Hals, Vermeer, Ostade, Ruisdael. É inesgotável" -- Vincent van Gogh

Seguindo os passos de Vincent, fui explorando a exposição e percebendo o motivo da paixão despertada no mestre. Os desenhos japoneses são ou muito ricos em detalhes. Tanto nos desenhos da natureza como de pessoas. É possível percer a influência e  maneira como Vincent combinou isso com o seu próprio estilo. Um bom exemplo é o quadro The Ravine (Les Peiroulets). É possível notar mas detalhes, comparado as suas obras anteriores, mas continua no estilo Van Gogh.

(Van Gogh - Die Schlucht "Les Peiroulets", domínio público, retirada de Wiki Commons)

Antes de ir ver a exposição eu esperava ver diversas obras de arte mostrando a beleza do monte Fuji e as árvores de cerejeira. Mas eu consegui contar nos dedos quantos quadros com esses clichês. O que tinha muito mesmo era desenho de mulheres.

Desses, gostei especialmente dos artistas Utagawa Kunisada e Katsukawa Shusen. Os dois tinham inúmeros quadros de mulheres com roupas tradicionais da época. Todos muito bonitos, mas eram tão parecidos (e tantos), que acabou ficando um pouco repetitivo, na verdade. Mas deu para ver a influência em Vincent: ele também fez um nesse estilo, chamado Courtesan (after Eisen).

Encontro de mundos, encontro de artes: Japão e Vincent Van Gogh, poesia e pintura, perguntas e descoberta

Outra coisa maravilhosa da exposição foi a combinação de duas formas de arte diferente: pintura e poesia. Havia vários quadros com poemas escritos, como The Residence with Plum Trees at Kameido, Moon Bridge in Meguro e outros. Eu acho que isso deu um toque especial e fez com que nós entendamos melhor o significado do desenho, apesar de alguns estarem escritos apenas em japonês, sem tradução. E eu gostaria muito de saber o que estava escrito em todos eles.

(Van Gogh, Flowering Plum Orchard (after Hiroshige), releitura do quadro The Residence with Plum Trees at Kameido, de Utagawa Hiroshige. Imagem: Divulgação do Museu do Van Gogh)

Era hora de ir embora, e descobri na lojinha de souvenirs que aparentemente Almond Blossom é o quadro mais famoso da exibição. Ou ao menos o mais promovido, pelo número de produtos com o quadro estampado. Não é o meu quadro favorito do Van Gogh, se quer saber. Seascape near Les Saintes-Marines-de-la-Mer é muito mais bonito e acho que merece mais reconhecimento. Qual a sua opinião? Tem um quadro favorito de Vincent? Conta pra mim nos comentários.

No fim, a exibição não respondeu a todas as minhas perguntas, mas me deu uma visão de um Japão diferente do que estamos acostumados a ver hoje. E, ao descobrir esse Japão, eu acabei também redescobrindo um pouco da magia do Vincent Van Gogh da minha infância.

Serviço para exposição Inspiração do Japão no Van Gogh Museum

Data: Até 24/06/2018
Página da exposiçãoMeet Vincent: Inspiration from Japan
Endereço: Paulus Potterstraat 7
Horários: Diariamente das 10h00 às 18h00, exceto sextas, quando fica até as 22h00. (Confirme aqui)
Preços: Compre seu ingresso aqui

Texto: Ana Clara Coltri (colaborou: Daniel Duclos)

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