Transporte público na Holanda: o tram

Transporte na Holanda
Um bonde? Ou um tram? Ah...

Quem nunca saiu do Brasil, ou já saiu mas nunca esteve na Holanda, pode se confundir um pouco no uso do transporte por aqui. Pelo menos, nós nos confundimos. Existem alguns detalhes aos quais não estamos acostumados, o menos importante não sendo a ausência de catracas.

Para saber mais como pagar o transporte público, veja esse artigo do Ducs Amsterdam.

Vamos conhecer um dos principais modos de transporte que você irá encontrar em Amsterdam.

O tram

As novas gerações ficam encafifadas com esse inusitado componente de muitas cidades européias, mas ausente no Brasil. Conhecem ônibus, metrô, trem, táxis e até rickshaws, mas o que seria esse tram, essa peculiaridade?

Oras, no Brasil tivemos trams até outro dia! Em São Paulo, o último dos trilhos de tram foi arrancado em 1968, e deixou muita saudade na população, assim como em todas as cidades onde existiu e depois foi extirpado. Alguns dizem que foi em Sampa, outros no Rio, que se originou o nome brasileiro do tram: bonde. De qualquer forma, o bonde não teve seus trilhos arrancados na Holanda, e é uma das formas de transporte mais importantes daqui.

Algumas pessoas dizem que o tram é o "bonde moderno", mas isso não é correto. O tram é o bonde, ponto. Claro, há uns muito modernos, mas é assim com ônibus e metrôs modernos, e nem por isso as pessoas chamam o bus de "ônibus moderno". Bus é ônibus, tram é bonde. Aqui, usarei tram em vez de bonde porque me acostumei, e é o nome mais usado mesmo, vai facilitar sua vida e a minha ficarmos com ele. Além do quê, escrevo Amsterdam com eme no final, e não Amsterdã, ou Amsterdamo, ou Amesteredão.

Hoje em dia, os "bondes modernos" são elétricos. Já foram puxados por animais, mas faz tempo que eles se engancham à rede elétrica através de uns chifres que saem do teto. Às vezes sai altas faíscas elétricas deles, o que pode dar um certo susto nos incautos, especialmente a noite, quando ficam bem visíveis.

Transporte na Holanda
Tram elétrico e painel eletrônico

As paradas de tram principais tem um painel que indica o horário preciso da chegada dos próximos trams. Fique de olho, porque rola uma pilantragem, ou seja, o horário muda pra se atualizar com possíveis atrasos/adiantamentos. Caso não haja o painel, como é o mais comum, procure por um papelzinho impresso com as paradas e horários.

Aí cabe saber algum holandês. "Uren" quer dizer "horas", maandag t/m vrijdag é "de segunda a sexta-feira", zaterdag é "sábado", e zon- en feestdagen é "domingos e feriados". Agora é ler a tabelinha. Confie, pero no mucho, nos horários. Às vezes ele atrasa um pouquinho, o que é chato. Às vezes ele adianta o que pode ser legal ou muito chato. Se ele tiver passado 3 minutos antes, você chegou um minutos antes, quer dizer que o tram do próximo minuto não virá e você irá ficar esperando até o próximo ainda.

E se tiver celular com nternet, pode usar o app do Google Maps ou o app da 9292 para calcular rotas e saber os horários.

Horários do tram
Vá praticando...

Se você ficar na parada do tram, ele irá parar pra você, não é preciso dar sinal. Existem portas de entrada e de saída, e a quantidade e localização delas depende do modelo do tram. Em geral a porta ao lado do condutor é apenas de entrada, e a última, no fim do tram é apenas de saída. A porta que se localiza em frente ao cobrador é de entrada, e no tram mais moderno e comum daqui, é dupla. Neste modelo, há ainda mais duas portas duplas de saída.

Preste atenção na sinalização. O círculo vermelho com uma barra branca central quer dizer "não, turista, não é por aqui" e o retângulo branco vazado por uma seta também branca, ambos em fundo verde, quer dizer, "sim, sim, é nesta daqui que você desce."

Você achando a porta de entrada, talvez ela se abra pra você. Isso pode acontecer porque o motorista/cobrador te viu e abriu a porta, ou algum outro holandês apertou o botão que comanda a abertura. Se ela não abrir, aperte o botão você mesmo. Se mesmo assim a porta não abrir e o tram se mandar, das duas uma: ou você apertou um adesivo ou saliência aleatória achando que era o botão, ou o condutor tá de sacanagem com  você. Escolha a hipótese que irá fazer mais sucesso com seus amigos lá em casa e saia contando.

Tram!
Tram modelo antigo

Ok, você entrou! Parabéns neste feito esquecido desde os anos sessenta no Brasil: entrar em um bonde! E agora? Agora, pague a viagem. Como? Se tiver o OV Chipkaart (cartão de transporte) já, pode fazer o check in. Se não, vá até o cobrador ou condutor e compre um OV Chipkaart descartável.

Depois é entrar na batalha de descolar um lugar pra sentar ou ficar de pé mesmo, o que nem sempre é fácil. Os trams não tem muitos bancos, e ficar de pé te põe invariavelmente no caminho de alguém, mas com o tempo você pega o jeito. Só preste atenção à área, nos trams mais modernos, em frente e logo ao lado da cabine do cobrador. É uma área sem bancos, muito ao jeito pra você se encostar com seu mochilão, mas ali é reservado pra carrinhos de bebê e cadeirantes. Se algum subir, ceda seu lugar.

Se achar lugar, verifique se não é um "Zitplaats bestemd voor invalide", assento reservado (eles tem cor vermelha e são claramente marcados). O ideal é sentar num assento comum, a não ser, lógico, que você seja de fato uma pessoa com idade, dificuldade de locomoção, grávida ou segurando criança de colo.

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A Camila achou um canto pra sentar... (repare no botão vermelho de parada).

Agora é saber a hora de descer. A maioria dos trams que você irá encontrar um painel eletrônico com o nome da linha, a próxima parada ("Volgende halte"), e a hora. Além disso, na parede lateral costuma haver também um painel contendo, em luzinhas vermelhas, as próximas paradas, que vão se atualizando ao longo do percurso. E claro, estas são anunciadas pelo sistema, sendo que os pontos de interesse turístico são anunciados também em inglês.

E você sempre pode pedir ajuda de onde descer para o cobrador. Frequentemente eles são legais e estão de bom humor, especialmente com turistas. Uma vez a Carla perguntou pro condutor onde deveria descer. Quando chegou o ponto ele parou, e disse no alto falante, em inglês, "moça, é este ponto, desça a rua em frente, reto e você irá chegar onde quer." Muito legal.

Se você tiver sorte, o tram não terá de parar nenhuma vez pra tirar trecos dos trilhos antes de prosseguir viagem, o que é pentelho. Ficam uns trecos grandinhos nos trilhos, é meio apavorante: uma vez, durante a noite, o condutor não viu um treco de ferro no trilho, bateu com um estrondo. Não foi legal.

Vez ou outra o tram quebra, ou é o da frente que quebra e impede todos de andarem. Não esqueça que tram não ultrapassa. É no trilhão lá, um por vez. Aí, amigo, não te resta outra coisa a fazer a não ser juntar aos locais nas reclamações e descer, em busca de alternativas. Pergunte a alguém o que é suposto fazer. Hey, às vezes eles podem até saber!

Transporte na Holanda
Tram "de socorro".

Pra indicar que você quer descer, aperte um dos botões vermelhos perto dos bancos. Pra abrir a porta, procure os botões verdes ao lado da porta. Se apertar o botão verde, não é necessário apertar o botão vermelho antes, basta esperar de pé ao lado da porta que o tram irá parar e abrir aquela porta, mas aí você não estará sendo muito holandês... o esporte local, eu notei, é ficar sentado até o último segundo possível, tendo já comandado o tram pra parar com o butãozinhu vermelho, e pular no segundo que o tram parar, direto no botão verde pra abrir a porta, e aí descer, atropelando quem estiver na frente, mas ficando o tempo máximo possível sentado.

Transporte na Holanda

O fato de você não estar viajando no tram, nem pretendendo viajar de tram, não irá te fazer ignorar o tram. Isso pode ser perigoso em algumas áreas da cidade, onde há trilhos em ruas ou áreas para pedestres. Prestenção, que é fácil de ignorar o trilho até ter uma minhoca mecânica de várias toneladas em cima vindo em sua direção. Às vezes nem assim, e aí tome sinetadas, e, se tiver sorte, chamada via alto falante do tram. Se não tiver sorte, bem...

Transporte na Holanda
Muitas vezes o grupo de turistas está um pouco mais pro lado, e aí...

Aliás as sinetas dos trams compõem um dos sons que mais dizem "Holanda" na minha mente. É característico e é engraçado notar como eles desenvolvem uma espécie de diálogo sinetístico, uma linguagem das minhoconas mecânicas, que escorre pela cidade, conversando via trrrrlms. Será que pra ser cobrador de tram precisa ser fluente em sinetística avançada? Nah, prefiro pensar que é o som de grandes animais independentes, não produzido pelos humanos no controle.

Uma variação curiosa do tram é o sneltram, ou seja, o "tram rápido". Ele corre nos trilhos do metrô por um tempo e, em alguns finais de linha do metrô, ele extende o seu chifre se enganchando na rede elétrica, e sai andando pelos trilhos de tram. Um misto tram/metrô. Se você pegar a linha 51 no metrô, você andará de sneltram.

Acho que isso cobre razoavelmente a área do tram. Mas se você quiser, pode também pegar um modo de transporte... "alternativo". 🙂

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Veículo movido à cerveja

Ingressos pra atrações em Amsterdam

Um jeito bacana de retribuir o Ducs e ainda se dar bem é comprar ingressos online comigo. Assim você evita ficar tomando vento em fila quando você devia estar passeando… e me dá uma força preciosa!

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15 comentários em “Transporte público na Holanda: o tram”

  1. Olá! Minha dúvida é sobre como pagar o tram direto com o cobrador. Posso pagar com meu cartão de débito ou crédito?

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  2. CURIOSIDADES
    Só uma informação: os trams aqui no Brasil chamava Bonde porque a primeira empresa a explorar o transporte de trams por aqui era um empresa inglesa chamada Bond Lt, ai os brasileiros apelidaram os trans de Bonde.
    quanto aos contatos com a fiação mencionado nesta publicação como chifre aqui chamávamos de suspensório.

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  3. Daniel, tudo bem? Para minha estadia em Amsterdam pretendo ir do aeroporto ao hotel seguindo as instruções que vc cita aqui e no seu guia (que é bem legal, aliás), só com transporte público. Só fiquei com uma dúvida: Estamos em 3 pessoas, é tranquilo usar o Tram carregando cada um uma mala média? Ou serei aquele "mala com a mala"? Abraço!

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  4. Prezados,

    primeiramente, gostaria de registrar os meus parabéns pelo site, muito bem feito e bem organizado, com informações bastante uteis.

    CAso seja possível, gostaria de registrar umas dúvidas com relação aos cartões da empresa GVB. Estou com dúvida em relação ao qual cartão comprar, se o OV--Chipkaart anonimo ou o GVB 4 days. Para mim, a vantagem do OV--Chipkaart anonimo seria ser integrado com o trajeto do aeroporto-centraal station. Todavia, pelo que li qnd for pegar o trem é necessário ter um saldo mínimo de 20 Euros como caução. Isso se aplica no trajeto de volta da Centraal para o aeroporto? Se isso for verdade, eu irei perder mais ou menos 18 euros( 20 euros da caução menos 2 da passagem) pq não usarei mais o cartão. Está correto meu raciocínio? Se sim, estava pensando em comprar o avulso do trajeto aeroporto- centraal station (ida e volta) e comprar o GVB 4 days. Muito obrigado

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  5. Oi Ducs: li em algum lugar ( não lembro onde) que se pode pegar um tram em Amsterdam e fazer um circuito pela cidade no estilo dos Hop-on, Hop-off turisticos. Você poderia me dar alguma dica de qual linha e companhia seria melhor para isso?
    Leio sempre os seus artigos. Fui a primeira vez em 2014 a Amsterdam e pretendo voltar este ano. Você tem ajudado muito.
    Obrigada

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  6. Olá Ducs, então só para confirmar, vou passar 3 dias em Amsterdam, visitarei o parque das tulipas e Zaanse Schans... enfim, todas os passeios de turista, agora a pergunta: o passe GVB de 72 horas é a melhor opção para mim, certo???? Sei que a linha M51 está
    no meu caminho e que diversas vezes iremos partir do aeroporto para passeios, que me diz??? GVB 72H???

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