Bicicletas são parte da vida dos holandeses

Não sei se vocês sabem, mas a Holanda é um país muito chato. A maior "montanha" deles tem tipo 300 metros e fica na fronteira com a Alemanha (pausa para assimilarem o horror de terem caído num trocadilho tão óbvio e estúpido...). Além disso, é um país pequeno e tudo é perto. Com essas características, desenvolveu-se toda uma cultura de andar de bicicleta aqui. Um dos maiores cliches de Amsterdam, junto com canais, maconha e prostituição legalizada em janelas, as fietsen (bicicletas em holandês) dominam o trânsito e as paisagens. Eu não tinha noção do tamanho dessa paixão por bikes, do quanto isso está enraizado nessa cidade, é impressionante.

Mas antes uma aula rápida de holandês. Oficialmente, bicicleta é "rijwiel" em holandês, mas ninguém chama disso aqui. Acho que é que nem chamar carro de veículo automotor. Aqui em Amsterdam, bicicleta é Fiets. O ie fala quase como um i: "fits". Se tiver dúvida, olhem aqui nesse site: http://demo.acapela-group.com/ (selecionem Dutch, escrevam Fiets na caixinha mandem dizer, Say it!) O plural de fiets é fietsen. Pronto, acabou a aula.

carrinho de nenem - Amsterdam style!
(Foto: Daniel Duclos)

Então, dizíamos das bikes. O holandesinho nasce e é colocado num caixotinho que algumas bikes daqui tem na frente, com um bercinho. Se estiver chovendo eles põem uma coberturinha de plástico em cima do carrinho, e a mamãe ou o papai se mandam ciclovias afora (são 400 km de ciclovias em Amsterdam), pedalando sem medo. Niqui o gurizinho ou guriazinha já consegue sentar, o pai ou mãe colocam eles numa cadeirinha que fica na bike (existem fiets com até duas cadeirinhas pra crianças) e 'bora, ainda pedalando loucamente. Agora nosso pequeno amsterdanês já tem dois anos de idade e começou a andar em pézinho há quase um ano... já pode ter sua kinder fiets (bicicleta de criança). E ai vão pai, mãe e kinder, todos pedalando por Amsterdam. Isso ninguém me contou, isso eu vi (quer dizer, me contaram, mas confirmei, eu vi. É assim mesmo).

Bike pra 3
(Foto: Daniel Duclos)

Lá pelos 8 anos de idade o guri já joga futebol em cima da fiets dele (eu vi, juro!), faz acrobacia, pensa bem, ele começa a caminhar com um aninho, pouco mais, pouco menos, e andar de bike com dois aninhos, pouco mais, pouco menos... não tem diferença prática do tempo em que ele sabe caminhar e do que ele sabe andar de fiets.

Kinder fiets
(Foto: Daniel Duclos)

Quando ele tem 18 anos ele pedala segurando o guidão com uma mão só, com a outra ele escreve SMS no celular (ninguém me contou, eu vi), com uma sacola do Albert Heijn nas costas (a maior rede de super mercado daqui. Você não anda 250 metros na Holanda sem tropeçar em um), cabeça baixa prestando atenção no texto do celular, desviando loucamente dos turistas perdidos parados na ciclovia. Sem medo, ele e sua bike.

Com 25 ele já arrumou um emprego, e em alguns casos esse emprego exige um terno. Sem problemas. Ele põe o terno e vai trampar. De bike. Segurando a pastinha. E falando no celular. Na hora do almoço ele pode estar comendo um lanche, ou algo assim, com uma mão só. Só coxinhas precisam das duas mãos pra guiar a bike em zigue-zague entre os turistas. Ou da cabeça levantada pra enxergar o caminho.

E as meninas também pedalam pra balada usando vestidos ultra-apertados ou mesmo salto alto (ninguém me contou.... eu VI!).

E todo mundo sem capacete. Pra não dizer todo mundo outro dia eu vi um cara em roupa esportiva, numa bike de 10 marchas (marchas! ha!) usando capacete. O primeiro em 600 mil. Deve ser americano. Eles tiram o maior sarro da paranóia americana por safety (segurança). Olham (com pena) e dizem: bem talvez realmente os americanos precisem usar capacete por lá (tem uma lei que exige que menores de 18 anos usem capacete nos EUA), mas é que aqui a gente sabe andar de bicicleta...

Passeando
(Foto: Daniel Duclos)

E sabem mesmo! Eu não contei ainda, mas eles dão carona nas bicicletas. E não tem banquinho de carona, não, é sentadão onde der, eles vão totalmente equilibrados... sem medo nas bikes, zunindo por entre turistas e trams.

Agora nosso típico habitante de Amsterdam tem seus 70 anos de idade. Ele ainda está fazendo tudo na fiets dele. Anda pra lá e pra cá, sem usar o celular, essa coisa nova que inventaram ontem, mas totalmente a vontade. Pra parar a fiets na frente da banquinha de frutas onde foi fazer compras, ele tira o pé direito do pedal, passa pro outro lado da bicicleta, apoiando-o no calcanhar esquerdo, ficando de banda na bike que ainda anda com o impulso. Vai controlando a parada até desmontar num gesto fluído, que emenda no ato de baixar o apoio pra deixar o seu cavalo de ferro parado de pé, enquanto faz as compras. 70 anos. No mínimo. Ninguém me contou.

Eu vi.

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