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O transporte público em Amsterdam: como usar ônibus, tram, metrô e trem

por Daniel Duclos em 07/02/2011

O transporte público em Amsterdam é bastante bom, coisa que você nunca adivinharia ouvindo um amsterdanês típico falar. Reclamar do transporte é um esporte nacional da cidade — bem, reclamar é um esporte nacional do país, ok.

Mas como usuário constante de transporte público, aqui e no Brasil, posso dizer que  o de Amsterdam é bom sim e, apesar de ter seus problemas, funciona. Vejamos como.

Ponto de tram em Amsterdam

Ponto de tram em Amsterdam (Foto: © by Arthur Staal, all rights reserved, used with kind permission)

Empresas de transporte público que atuam em Amsterdam

Existem 3 principais: a mais presente é a GVB, sigla em holandês de Companhia Municipal de Transportes (respire fundo, GemeenteverVoerBedrijf, pronto). Opera trams (isso é bonde), ônibus, metrô e a balsa.

Existe também a Connexxion, que opera algumas linhas de ônibus em Amsterdam.

E tem a NS, companhia holandesa de trens. Em geral você vai pegar o trem só se você vai pra outro município, mas não necessariamente. É perfeitamente possível pegar um trem pra andar entre duas estações de trem dentro de Amsterdam.

Todas essas empresas se odeiam e se possível não se conversam. Embora isso esteja mudando e esteja havendo uma lenta, lenta integração com o famoso OV-Chipkaart. Calma, que eu explico. É o próximo tópico.

Ônibus articulado em Amsterdam

Ônibus da GVB em Amsterdam (Foto: © by Arthur Staal, all rights reserved, used with kind permission)

Como pagar o transporte público em Amsterdam: OV-Chipkaart

Vocês, novatos de Amsterdam, não sabem como têm sorte pra entender o pagamento do transporte público. No meu tempo, eu tinha de fazer uma faculdade de holandeseologia avançada com pós graduação em lógica batava só pra saber quanto custaria ir de casa até o centro. Eu peguei o tempo das strippenkaart (mais adiante no artigo eu te conto o que era e porque nem tenho tanta saudades assim da danada). Vocês hoje tem essa molezinha de OV-Chipkaart, só fazer blip e desblip com o cartão eletrônico e pronto.

Claro, todo mundo paga mais caro agora pelo privilégio de não precisar fazer contas envolvendo euros, faixas de papel, estrelas e cores diversas, mas tudo tem um preço nessa vida, e se tem uma coisa que companhia de transporte sabe fazer, é cobrar o preço.

Pronto, deixa eu explicar. O sistema de transporte público de Amsterdam — e gradualmente da Holanda toda, mas vamos nos ater à cidade por enquanto — usa um cartão com um chip chamado OV-Chipkaart.

OV-Chipkaart que dizer Cartão de chip para Transporte Público. OV é curto pra Openbaar Vervoer, Transporte Público em holandês. Sim, "Público" se diz "Openbaar" em holandês. É ou não é uma língua civilizada?

Quais OV-Chipkaart existem? Qual comprar?

1. Cartões temporários

O OV-Chipkaart vem numa variedade de formas querendo atender ao maior número possível de pessoas com máximo lucro pras companhias de transporte. Qual comprar vai depender do seu uso. Vamos começar do mais caro, mas mais simples: o OV-Chipkaart descartável.

O OV-Chipkaart descartável, direto com o cobrador ou motorista do tram ou ônibus. Custa, nesse minuto, €2,70 [NL] e vale por uma hora pra todo tram, metrô e ônibus da companhia de transportes municipais de Amsterdam, a GVB.

Eu acho um roubo o preço, e não sou o único. Por outro lado é prático, isso de entrar no tram e pagar a sua viagem (ou viagens) se você não tem o OV-Chipkaart e está de passagem por Amsterdam (e só vai usar o transporte naquela hora).

Se você está a turismo e pretende usar o transporte público com regularidade, talvez seja interessante comprar os passes diários da GVB. Tem de 24, 48, 72, 96, 120, 144 e (tá campeão de tabuada já?) 168 horas. Também conhecidos por passes de um a sete dias.

Quanto custa? Veja os preços no site da GVB.

2. Cartões recarregáveis

Agora, se você vai passar um tempo mais longo na cidade, talvez valha a pena pagar um OV-Chipkaart recarregável pra chamar de seu. Tem duas versões: anônima (eu chamo de "Enemy of the state", em homenagem ao filme) e personalizada. Eu comecei usando a anônima, porque, né, dane-se o Estado, privacidade e tal, mas aí o governo fez uma oferta que não pude recusar: tornou mais barato viajar identificado, e eu vergonhosamente vendi minha privacidade em troca de uns euros extras no fim do mês.

Suspiro.

Enfim, tanto o cartão anônimo quanto o identificado custam, hoje, €7,50 (só o cartão!). Daí você pode recarregá-los com euros (no máximo 150 deles) e a tarifa é calculada com base na distância percorrida.

Ao fazer o check-in, ele desconta €4,00. Ao fazer o check-out ele devole o que sobrou dos seus quatro pilas menos o preço da tarifa, que é o preço-base (hoje €0,79) mais €0,105 por quilômetro percorrido. Esses 79 centavos você paga só por entrar no transporte, a não ser que você já tenha pago eles nos últimos 35 minutos. Daí ele conta como uma baldeação (overstappen), e tá tudo certo, cê só vai pagar os quilômetros extras.

Tá complicado? Tô simplificando. E imagina como era a strippenkaart. Mas não se preocupe, essas contas você só tem de fazer se vai ficar aqui um tempo que justifique. Enfim, faça como 98% das pessoas que conheço: faça blip na entrada e saída e fique irado quando seu saldo fica baixo e você tem de recarregar (mas DE NOVO?!).

Ah, cê quer saber por quanto eu vendi minha privacidade? Eu peguei um desconto, esses produtos, tipo assinatura, só podem ser carregados no cartão personalizado.

Os preços todos estão no site da GVB, e, sortudo você, tem em inglês.

3. Cartões integrados NS e GVB

Lembra que eu falei que as companhias se odeiam? Pois, em geral os cartões da GVB não valem na NS. Tem dois jeitos de mudar isso. Um, se você mora aqui, é comprar um cartão da NS, ativar a função de OV-Chipkaart pra NS (tem de se cadastrar no site e depois confirmar em uma máquina da NS) e aí ele passa a valer em ambas as empresas.

Dois, se você tá de viagem e só quer poder ir de trem pra Schiphol sem comprar passagem separada da NS e usar o mesmo OV-Chipkaart em tudo, eles têm um produto integrado exatamente pra isso.

Onde comprar (e recarregar) o OV-Chipkaart

Logo na frente da Estação Central (Amsterdam Centraal Station e não, não é inglês, note os dois aa) tem uma loja da GVB. Acho que é o lugar mais fácil pra comprar o seu OV-Chipkaart. Existem lojas da GVB em algumas estações de trem/metrô também. Veja todos os endereços das lojas, sim, no site da GVB.

Transporte público em Amsterdam

Casota da GVB na frente da Centraal. Procure por ela.

Também é possível comprar o OV-Chipkaart on-line.

Se você tá super confiante, pode comprar o cartão nas máquinas da GVB que existem nas estações de metrô. Dá pra pagar com cartão de crédito, Chipkinip e PIN (esses dois últimos são coisa de holandês ou, bem, de quem mora na Holanda). Nessas máquinas também dá pra você recarregar o saldo do seu cartão (assim como em máquinas amarelas no Albert Heijn, bancas, alguns ônibus da Connexxion e outros lugares).

OV-Chipkaart: como usar

Seja qual for seu OV-Chipkaart, o modo de utilizá-lo é sempre o mesmo:

Ache a maquininha com o logotipo do OV-Chipkaart e encoste o cartão nela. Isso se chama "check-in". Você ouvirá um blip, se tudo deu certo, ou péééé, caso não — olhe o visor pra entender o motivo. Ao desembarcar, ache a maquininha mais próxima da porta de seu desembarque e encoste novamente o cartão *blip*. Isso é o "check-out". No visor é mostrado o status do seu cartão, preço da viagem e outras informações relevantes.

Public transport Amsterdam

Essa na frente é a máquina que lê o OV-Chipkaart. Na frente, o logo do cartão. Em amarelo, ao fundo, a máquina de carimbar strippenkaart que, se tudo der certo, você não irá encontrar.

Se você está viajando com um cartão com validade por hora (aqueles de 1 a 7 dias), a sua hora começa a contar a  partir do primeiro check-in. Sempre faça check-in e check-out.

Não fez check-in e está lá, viajando todo soltinho dando uma de esperto ou esqueceu de fazer o check-in? Multa, mané! Sai por €35,00 mais o preço da passagem [fonte em NL], mais o micão. Ah, não vou dizer que nunca vi gente usando o manjadíssimo xaveco de "I'm a tourist, I didn't know" com sucesso, mas se quer saber, se você esqueceu honestamente, pague, e se deu uma de esperto: pague e bem-feito.

Não fez check-out? Se você está viajando com cartão recarregável, saiu a sua viagem por módicos e singelos €4,00 do seu saldo. Em outras palavras: ouch, que preju! Se você tá viajando por hora, o cartão vai reclamar da próxima vez que você for fazer check-in.

Se der um erro e você fizer, digamos, check-out  seguido de check-in de novo no mesmo tram, dá pra pedir seu dinheiro de volta, mas a GVB não facilita sua vida. Tem de prencher formulário, mandar pelo correio, é um perrengue.

Ok, chega de OV-Chipkaart. Vamos ver os meios de transporte público coletivo em Amsterdam.

O bonde (tram)

O tram é o bonde (em Portugal, eléctrico), que no Brasil foi eleito como sinônimo de atravanco e atraso e extirpado das ruas. Claro, sim, pra abrir caminho pros super modernos ônibus, movidos pela indústria petrolífera e automobilística, que aplicou esse golpe com sucesso nos Estados Unidos e Reino Unido. Enquanto isso, o bonde continou muito do bem obrigado na Europa, transportando a galera com eficiência em diversas cidades.

Inclusive Amsterdam.

Eu gosto de tram, bastante. Em Amsterdam, no centro, é o melhor transporte público. Tá certo, quando um quebra os outros que vêm atrás têm de fazer todo um malabarismo ou ficam travados mesmo, mas no geral é um meio de transporte bem agradável.

Se você está de passagem por Amsterdam, o mais provável que o tram seja seu maior meio de transporte (fora as pernas e, se você tiver alugado uma, a bike, claro).

Eu escrevi um artigo completo sobre o tram em Amsterdam, e recomendo a leitura pra evitar de pagar alguns micos.

E ah, uma coisa: é traM. Não "trem" ou "trã". TraMM. :)

Tram Amsterdam

Em algumas ruas de pedestre passa também tram. Fique atento. Já salvei uma guria que estava distraída, certa vez. Não, tô falando sério. Se ouvir o trim trim do tram, saia da frente.

Tram em Amsterdam

Neve leve eles até que enfrentam...

O ônibus

Em Portugal é autocarro, em Sampa City é bumba ou busão, em Amsterdam é bus. Não como em inglês "bãs", mas bus com aquele U holandês que todos nós gostamos. Em Amsterdam, as linhas municipais são operadas pela GVB, e nas partes em que o tram não chega é o que domina, ou seja, tem maior importância quanto mais pra fora do centro. No centro o que manda é o tram mesmo, embora naturalmente circulem diversas linhas de ônibus.

A Connexxion opera, além de algumas linhas locais, linhas intermunicipais, servindo locais que ficam fora do alcance da GVB. Por exemplo, dá pra ir pra pra Zaanse Schans de ônibus da Connexxion (além de trem).

Ônibus é ônibus, não tem muito segredo. Você entra pela frente, faz blip com seu OV-Chipkaart, senta, observa as paradas serem anunciadas no monitor e pelos sistema de autofalante (quando funcionam), faz check-out na saída, quando quiser descer aperte o botão de parada. Nada muito fora do comum, a não ser que não há cobrador: essa parte é feita pelo motorista mesmo.

Se estiver usando a Connexxion, você pode, além de usar o OV-Chipkaart, comprar uma passagem direto com o cobrador, se o seu destino ficar fora de Amsterdam (Zaanse Schans, por exemplo). Pergunte quanto é, porque dependendo de pra onde você vai pode sair mais barato comprar a passagem do que blipar seu OV e pagar por quilômetro.

Um lance que é importante saber que existe é o ônibus noturno ("nachtlijnen"). Eles operam madruga adentro, mas neles não vale o OV-Chipkaart. Você tem de pagar avulso a passagem, que é mais cara. Mas um busão noturno pode salvar uma caminhada na friaquinha tensa de Amsterdam noturna do inverno. Veja todas as infos em inglês sobre as linhas noturnas da GVB.

O metrô

Metrô é pouco útil pra quem vai turistar só no centrão de Amsterdam. Lógico, tem estação de metrô no centro, mas elas são tão perto uma da outra que nem compensa pegar pra andar entre elas.

Agora, se você vai dar rolê mais pra longe, aí o metrô já fica interessante. Como turista, eu diria que a sua maior chance de pegar o metrô é ir até a Bijlmer ArenA, onde tem uma área de compras e o estádio do Ajax, o Amsterdam ArenA (onde, além de jogos e um tour pra visitantes, rolam uns shows).

O intervalo entre os comboios é maior do que entre trams e ônibus, por exemplo, podendo passar fácil dos 15 minutos, indo pra casa dos 20, o que é bem irritante pra quem calcula o tempo certinho de chegar num lugar e perde o comboio por segundos.

As estações, variam, há umas melhores do que as outras, algumas com grande infra (especialmente, claro, aquelas integradas com estações de trem, como a própria Bijlmer e a Amsterdam-Zuid, por exemplo).

Metro Amsterdam

Pra abrir a porta do metrô tem de apertar o botão. Fuja deste micão. (Foto: © Carla Duclos)

E o mico (ou "porque eu não tenho tanta saudades assim da strippenkaart")

Quando eu cheguei, o metrô não tinha catraca, eles estavam instalando. Ainda funcionava a srippenkaart, e a Holanda estava dividida em um sistema de zonas. Era mais ou menos assim: pra cada zona que você fosse cruzar, você teria de "pagar" uma faixa em uma cartela de faixas (strippenkaart). Além disso, você tinha de pagar uma faixa extra, sempre. Então, se você ia da zona A pra B, tinha de anular 3 faixas: uma básica e mais uma pra cada zona, A e B.

Agora, isso é uma mega simplificação (quais as zonas? E se você embarca em uma parada que está na fronteira de zona? E se você desembarca numa fronteira de zona? E se você vai do ponto A ao B de um jeito e volta de outro, varia o número de faixas? E se...), só que já era baderna o suficiente pra mim. No meu, o quê, segundo dia de Amsterdam, eu tinha de ir ao centro. Munido de uma cartela de zonas, prestes a entrar no metrô, perguntei na recepção do hotel (ainda não tinha alugado o apê):

— E, hã, quantas faixas eu anulo pra ir daqui ao centro?

— Três. Na verdade, seis, porque vocês estão em dois.

Ok, fui super confiante pro metrô. Como não havia catraca, não há até hoje cobrador e o condutor é inacessível, você tinha de carimbar você mesmo (e sim, uma galera, hã, "pulava" esse passo e ia na dura, arriscando a multa). Bom, fui lá eu carimbar as seis faixas numa máquina amarela em que você insere a faixa e ela KATCHLUNG carimba automaticamente a faixa, anulando-a. E aí comecei:

KATCHLUNG!

Depois mais uma: KATCHLUNG!

Daí pensei, bem faltam 4: KATCHLUNG! KATCHLUNG! KATCHLUNG! *caramba que trampo* KATCHLUNG!

Na volta, mesma coisa: KATCHLUNG! KATCHLUNG! KATCHLUNG! KATCHLUNG! *ufa* KATCHLUNG! KATCHLUNG!

Nenhum holandês se deu ao trabalho de me avisar que é só pra carimbar a última faixa que você está pagando. Ou seja, eu deveria ter carimbado a 3a e a 6a apenas, indicando duas passagens de 3 faixas. Eu carimbei as 45 faixas da minha primeira strippenkaart antes de eu ler no Lonely Planet que eu estava adquirindo um mico de proporções konguescas, além de estar fazendo ginástica à toa.

Suspiiiro.

Veja o mapa do metrô em Amsterdam. Aliás, esse site tem mapas de metrô do mundo todo!

Bicicleta no metro de Amsterdam

Ah sim, você pode levar sua bicicleta no metrô: tem de ser nos vagões designados e tem de pagar um adicional na tarifa. Em tram e ônibus, bikes não são permitidas a não ser que sejam as dobráveis. (Foto: © Carla Duclos)

A balsa

Sim, Amsterdam tem balsas, mas não é pros canais não. Pra esses há as pontes. A balsa da GVB serve pra ligar Amsterdam à Amsterdam-noord, o bairro que fica depois do het IJ, a baía na frente de Amsterdam. Amsterdam-noord não é muito frequentada por turistas, mas pode ter coisas interessantes lá, como alguns bares e restaurantes que, justamente, não são muito frequentados por turistas.

Balsa da GVB em Amsterdam

Balsa da GVB em Amsterdam, atrás da Centraal.

Existem 5 rotas de balsa, e você pode levar sua bicicleta junto. A passagem é gratuita. Mais informações, como sempre, no site da GVB.

Ah sim: há um túnel pra carro e ciclistas ligando Amsterdam-noord, que passa por debaixo do NEMO.

O trem

O trem na Holanda é todo um universo a parte, e um sobre o qual pretendo ainda escrever um artigo dedicado. Se você está de passagem, provavelmente só irá pegar o trem entre Schiphol e a Centraal Station. E é nesse trecho que irei me concentrar... por enquanto :)

Em Schiphol, as plataformas de trem ficam no subsolo (interessante pensar em subsolo em um aeroporto com altitude negativa: -6 m) e são acessíveis do saguão principal. A primera coisa que você deve fazer é comprar uma passagem pra Amsterdam Centraal.

Você pode usar as máquinas amarelas. Teoricamente elas aceitam cartão de crédito, cobrando uma pequena taxa extra, mas já vi gente com dificuldade de usar o cartão. Você sempre pode tentar. Como é o aeroporto, o menu em inglês ou está por padrão ou é bem fácil de acessar.

Caso você prefira, há um balcão de atendimento, que também cobra uma taxa extra na passagem pra ter uma pessoa de verdade pra falar contigo.

Máquina de passagens no Schiphol Amsterdam

Máquina de passagens no Schiphol Amsterdam

Depois que você pagou, o lance é achar agora o próximo trem que pare na Amsterdam Centraal. Existem alguns trens que vão direto, outros que param antes, alguns têm a Centraal como ponto final, outros apenas param lá a caminho de destinos posteriores. O que importa é achar um que pare lá, e tem bastante.

Pra achar, você pode, além de, logicamente, perguntar pra algum guarda, olhar nos painéis amarelos que contém os horários regulares dos trens ou ficar fuçando o painel azul que lista os próximos trens. E na frente de cada plataforma tem também um painel que diz qual o próximo trem que irá parar ali. Assim:

Trainstation Schiphol Amsterdam

E, claro, você sempre pode planejar sua viagem usando o site da NS em inglês. Lá tem também o preço. Coloque como origem Schiphol e destino Amsterdam Centraal Station.

Em geral os maquinistas anunciam a Centraal em inglês, mas o nome é praticamente igual ao holandês, acho que dá pra você se virar.

Aliás, uma vez eu estava vindo de Schiphol junto com o casal de amigos Rodrigo e Aline. Estávamos falando português, cheios de mochilas (eles estavam passando um mês viajando por aqui), mas eles estavam indo pra nossa casa, claro. Então fui descer em uma estação diferente da Centraal. Uma senhora muito solícita me informou que ali não era a Centraal — crente que eu era turista. Eu respondi em holandês: "eu sei, eu moro aqui". Acho que fui meio abrupto, mas foi sem querer, culpa do meu holandês ruizim.

De qualquer forma: dificilmente você irá errar a Centraal.

Amsterdam Centraal Station

A Centraal de Amsterdam vista de um ângulo mais original e menos usual.

A checagem de bilhetes é feita de maneira aleatória. Mantenha-o com você ou prepare-se pra um colóquio com um fiscal que, acredite em mim, já ouviu esse papinho de "sou turista moço" muitas, muitas vezes. Sorte lá.

Calcular rota de transporte público na Holanda

Quando digo calcular rota, quero dizer, você consegue descobrir todo o itnerário entre quaisquer dois pontos na Holanda usando o transporte público.

Nem preciso dizer que todo mundo aqui usa isso, né? Mesmo pra fazer um trajeto que já conhece, já que você consegue calcular com uma razoável precisão o horário de saída da sua casa e chegada na porta do destino final. Então, junte-se aos locais e veja como usar o 9292ov e calcular qualquer rota de transporte público na Holanda. Recomendo altamente que você siga o link.

O transporte em Amsterdam é mesmo super pontual e eficiente?

Não é aqui aquela precisão suíça lendária (que, desconfio, é lenda até na Suíça). Claro, há problemas, e diversos. Sim, há atrasos de trams, trens, ônibus e metrô — mas na ordem de minutos. Sim, em Amsterdam o metrô não é dos mais modernos e tem um intervalo razoável entre trens. Sim, há escadas rolantes quebradas nas estações, e alguns elevadores cheiram bem mal.

Cartaz em estação de metrô em Amsterdam é contestado por um anônimo

O cartaz diz que a escada-rolante está quebrada, mas que deverá em dezembro funcionando de novo. A letra de mão acrescenta "e no dia seguinte detonada de novo".

E no entanto, o transporte aqui é bom. Quando digo isto, não digo em comparação com o do Brasil — e nem acho que se deva comparar com o da Suíça pra se dizer que é ruim. O transporte público é bom porque é perfeitamente possível usá-lo no dia-a-dia de uma maneira prática, sem sentir necessidade de um carro particular. Um carro é um conforto, e este é o ponto. Ele é um conforto, não uma necessidade diária, ao menos para nós. Quando precisamos de um carro, alugamos — duas vezes, pra nossa mudança de Amsterdam pra Haia.

Então, não, o transporte não é super mega pontual, mas sim, de modo geral ele é eficiente.

E, se nevar, espere desastre.

E você? Mande suas dicas e micos!

E você? O que você acha do transporte público de Amsterdam? Eu contei um micão que paguei, conta um seu aí também. E, ah, eu não esgotei o assunto: existe muito mais pra se dizer, e se você tem uma dica legal, compartilha aí com a gente nos comentários.

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Nesse artigo usei duas fotos de Arthur Staal, que gentilmente me cedeu seu uso. Ele tem um excelente photostream no Flickr chamado Amsterdam Rail. Eu recomendo altamente que você acompanhe.

Se você está planejando uma viagem pra Amsterdam, dá um pulo na minha página de dicas sobre Amsterdam.

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Daniel Duclos (Daniduc), o autor do texto, mora na Holanda, desde novembro de 2007. Criou e mantém o Ducs Amsterdam, o qual escreve, fotografa e ilustra.

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{ 192 comentários… leia abaixo ou deixe um }

Fábio Andrade maio 2, 2013 às 20:35

Olá Ducs!

estarei em Amsterdam com 4 amigos entre 17 e 21 deste mês de maio. ficaremos no centro e achei um saco esses passes do transporte público, já falei q faremos tudo a pé! hehehe

minha dúvida é a seguinte: dia 18 iremos para um festival em Nijmegen de 13h às 00h. acha q devemos comprar logo as passagens ou deixamos para o dia mesmo? sabe dizer se há opções além de trem voltando na madrugada? se as pessoas daí tem costume em dar carona voltando desses festivais de música eletrônica? ou melhor ficar lá até a manhã seguinte e voltar de trem?

de já obrigado! seu blog tem sido essencial para a formação do roteiro da viagem! Abraço!

Responder

Daniel Duclos maio 7, 2013 às 02:07

Andar a pé é excelente pedida em Amsterdam.

Eu nunca compro antes passagens internas. De madrugada só conheço trem noturno. Nunca fui a um festival de música eletrônica, então não sei dizer se as pessoas tem costume de dar carona. Sempre se pode tentar.

Abraço

Responder

Vitor Almeida maio 12, 2013 às 02:21

Parabéns pelo guia! Você não noção a segurança e conforto que ele nos passa. Tenho uma dúvida!
Qual os horários de funcionamento dos metrôs e trens na Holanda – Amsterdã?
Estarei em Amsterdã em julho de 2013. Meu voo chegará ás 23 horas. Eu queria ir de trem ao centro (não quero pegar táxi) pois é lá que meu hotel está localizado. A pergunta é: Até que horas o trem e o metrô funcionam nesta cidade?
Sucesso, Vitor

Responder

Daniel Duclos maio 12, 2013 às 12:07

Depende da estação e do ponto, mas os últimos transportes costumam passar pouco depois da meia noite. Porém, há trens e ônibus noturnos a madrugada toda, obviamente com intervalos maiores e itnerários ajustados.

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