Não é só a Copa do Mundo que está agitando a Holanda esse mês. Tivemos em junho também eleições parlamentares, o que mais ou menos equivaleria no Brasil às eleições presidenciais e do congresso nacional.
As eleições estavam previstas pra daqui um ano, mas aconteceram agora porque o gabinete liderado por Jan Peter Balkenende caiu, forçando eleições antecipadas. Agora, essa era muito nova pra mim, acostumado a achar que "gabinete caindo" é eufemismo pra "golpe de estado", e mais surpreso fiquei em saber que era o quarto gabinete liderado pelo sr. Balkende a comer capim pela raiz antes do término previsto. Ok, hora de sair pra entender como funciona o parlamentarismo holandês.
Eu já havia lido a respeito na Wikipedia quando mudei pra cá há cerca de dois anos, mas só fui entender um pouco melhor agora, vendo o processo eleitoral se desenrolar, inclusive porque já leio melhor em holandês e pude acompanhar muitas notícias em primeira mão — e morando em Haia, capital de fato da Holanda (aqui ficam o governo e embaixadas, aqui trabalha a Rainha), algumas delas testemunhei ao vivo e de perto.
Nesse artigo vou tentar explicar o que aprendi, mas antes, uma palavra de aviso. Esse é um artigo de blog, portanto não espere que seja completo, rigoroso, neutro ou imparcial. É meu entendimento pessoal, dentro das minhas limitações, sobre o assunto. Não citarei todas as fontes (as que eu citar e estiverem em holandês receberão o aviso [NL] logo após) e não aconselho você a usá-lo como referência formal. Entenda como um guia informal, pra dar uma noção de como é a vida política na Holanda e o que está acontecendo agora no país, parte essencial de morar por aqui.
Combinados? Tão vambora.
Sistema político holandês
A Holanda é uma monarquia parlamentarista. Isso quer dizer, como vocês já sabem, que a Holanda tem um monarca — no momento a Bea, hm, Rainha Beatrix dos Países Baixos (Países Baixos é o nome correto da "Holanda"). Nós estamos acostumados a pensar em monarquia como um sistema obsoleto e mantido apenas como uma tradição decorativa, ou então antidemocrático (caso tenha poderes mais do que decorativos) governando por direito de nascença. A Holanda não é nem um nem outro.
A Rainha não governa: quem gerencia o país são duas câmaras, coletivamente conhecidas por Staten-Generaal. A Eerste Kamer (Literalmente "Primeira Câmara", equivalente ao Senado) possui 75 membros eleitos indiretamente pelos parlamentos das 12 províncias dos Países Baixos. Ela se reúne apenas uma vez por semana (e em certas ocasiões especiais) e tem o poder de rejeitar ou aprovar, mas não propôr, legislação.
A parte pesada de governar o país mesmo é feita pelo segundo constituínte do Staten-Generaal, a Tweede Kamer (literalmente "Segunda câmara", equivalente à Câmara dos Deputados). A Tweede Kamer é composta de 150 assentos que são preenchidos por eleições diretas das quais participam diversos partidos.
Até aqui, a dona Rainha parece não apitar nada, mas não é bem assim. O monarca regente tem papel na formação do gabinete que irá governar de fato a Holanda e me parece que tem uma influência maior do que faz parecer. Mas vamos entender essa história de formação de gabinete e como são as eleições na Holanda.
Como é e quem pode votar nas eleições parlamentares (Tweede Kamerverkiezingen)
Podem votar nas eleições parlamentares os cidadãos holandeses com 18 anos ou mais (nas eleições locais e da União Européia é diferente, mas fica pra outro artigo). Não é preciso se inscrever em seção eleitoral nenhuma. Os residentes legais da Holanda precisam estar registrados em um município (eu me registrei em Amsterdam e depois em Haia, quando mudei, por exemplo. Todos devem fazer o registro, holandeses ou não), e quem pode ou não votar é deduzido desse registro (eu não posso votar, no caso, por não ser holandês).
O município envia pelo correio, pro seu endereço de registro, um Stempas (um cartão autorizando praquela eleição), que deve ser levado no dia da votação junto do seu passaporte pra um local de eleição. Qualquer local no seu município de registro serve.
As eleições ocorrem em dia de semana, e não é feriado. As seções eleitorais abrem cedo (7h30) e fecham tarde (21h00), e muitas ficam em estações de trem e há uma no Schiphol, pra quem está viajando conseguir votar.
Você recebe um modelo da cédula pelo correio. Ao menos, eu recebi um, assim como todos os outros moradores do meu prédio, o que é diferente do Stempas, que somente quem tem direito a voto recebe. Suponho que a finalidade deste modelo seja pra você se familiarizar com os candidatos, listados todos na cédula por partido. Sim, ela é enorme. A cédula de verdade (ligeiramente diferente dependendo da região que se vota) você pega, obviamente, na seção eleitoral, depois que um mesário confere seu passaporte e invalida seu stempas e libera pra você se dirigir à cabine de votação.
A Holanda considerou votação por urna eletrônica, mas depois que hackers desacreditaram o sistema, eles ficaram com o bom e velho papel mesmo na maior parte das seções (alguns ainda usam a versão eletrônica). E o mais cômico é que algumas urnas são, bem… latões de lixo reaproveitados. Sério!
Durante o dia rola boca de urna: "heb je al gestemd?" perguntam à todos que passam, entregando brindes e santinhos. Eu ganhei balinhas e lenços umedecidos do CDA. Don't ask.
As eleições parlamentares na Holanda e a formação do Gabinete
Bom, terminada a eleição, hora de contar os votos e ver quantos assentos no parlamento cada partido ganhou. Essa parte é fácil. A complicação vem a seguir.
Como há muitos partidos, é pouco provável que um deles consiga uma maioria na Tweede Kamer — ou seja, 76 assentos (150 dividido por dois mais um). E daí começa a graça: é preciso negociar uma coalização de partidos que, juntos, terão a maioria dos assentos e formarão um gabinete de ministros que governarão o país.
Em geral, é preciso somar os assentos de três partidos pra ter uma coalização com maioria — mas não necessariamente os três primeiros colocados, e nem sempre são três. Há casos de dois ou quatro partidos formando gabinetes. O que importa é haver uma combinação de partidos que queiram governar juntos e tenham um número somado de assentos que forme maioria. Pode inclusive ocorrer de o segundo, terceiro e quarto colocados em número de assentos se unirem e formarem uma coalização sem o primeiro colocado. Já pensou? Você ganha a eleição e não governa!
Tudo depende dos números de assentos de cada, da posição relativa e das negociações entre eles, uma negociação que pode ser bem demorada (já chegou a demorar 7 meses até sair uma coalização).
E é nesse processo, nessa negociação, que a Rainha participa, ao menos em alguns pontos determinados.
Com os resultados publicados, a Rainha chama os líderes de cada partido que teve um assento na Tweede Kamer. O nome do líder da facção do partido que senta num dos parlamentos (Eerste, Tweede, local) é chamado de "fractievoorzitter" daquele partido naquele parlamento. Aqui chamarei de fractievoorzitter me referindo aos líderes dos partidos na Tweede Kamer, que é do que estou falando.
Então, a Rainha chama cada um deles pra uma reunião com as portas fechadas no Palácio de Noordeinde (isso é específico da Beatrix, ela pessoalmente escolheu Noordeinde como local de trabalho). O fractievoorzitter do partido com maior número de assentos é chamado primeiro e assim vai em ordem ao longo do dia, sendo o último a conversar o fractievoorzitter do partido com menos assentos.
O que, exatamente, é discutido nessa reunião fica entre a Rainha e os fractievoorzitters. É claro que eles saem do palácio e tem uma multidão de repórteres esperando pra saber o que rolou, e eles dão declarações. Mas declaração de político, claro, que vai dizer coisas com muito cuidado e provavelmente não vai querer se comprometer (muito) nesse ponto.
Depois dessa reunião, a Rainha irá apontar uma pessoa pra mediar as negociações pra formação da coalização que comporá o gabinete. Essa pessoa é chamada de informateur, e é em geral político veterano, às vezes até já aposentado da política, com boa reputação no país e background no partido que teve mais assentos na Tweede Kamer.
A função do informateur é se reunir com os fractievoorzitters e ver quais as intenções deles em trabalharem juntos em uma possível coalização. O nome vem de ele levantar informações, e é o que ele faz, conversando com todos.
Depois que ele identifica pra Rainha quais partidos concordariam em formar uma coalização, somando os assentos e obtendo maioria na Tweede Kamer, a Rainha então aponta um formateur, que irá liderar as negociações para efetivamente formar a coalização, distribuir os ministérios e compor o acordo de governo (regeerakkoord). O formateur é, por tradição, o fractievoorzitter do partido com mais assentos dentro da futura coalização, e é ele que provavelmente será apontado pela Rainha como Primeiro Ministro dos Países Baixos.
Ah, sim, o Primeiro Ministro é apontado por Decreto Real. Todo o processo de informateur, formateur e coalização é determinado por tradição e não está formalmente declarado na Constituição. Claro, na prática o Primeiro Ministro foi eleito pelo povo, mas já aconteceu de o Primeiro Ministro não ser o fractievoorziter do partido com mais assentos (por exemplo, em 1971, o PvdA teve mais assentos mas não fez parte da coalização).
Nessa história toda dá pra ver que o monarca, se quiser, pode exercer uma certa influência na formação do governo, durante essas negociações. A Rainha parece um pouco menos ornamental agora, né?
Queda do quarto gabinete de Balkenende
Agora começa a ação. Quando a coalização governante chega num ponto em que não há acordo entre os partidos que a compõe, ela pode se dissolver. E foi o que aconteceu em 2010, durante o quarto gabinete liderado por Balkenende. O desacordo foi sobre a extensão da missão militar holandesa no Afeganistão.
Acontece que os holandeses haviam declarado que iriam manter suas tropas no Afeganistão somente até o fim de 2010. A OTAN pediu, esse ano, que os holandeses ficassem mais. Balkenende, que é do partido democrata cristão (CDA), concordou.
Porém, o CDA estava em coalização com os Trabalhistas e mais um integrante menor, o ChristieUnie, também democrata cristão. E o Partido do Trabalho holandês (PvdA), liderado na época por Wouter Bos, falou pó-pé-pára ai um pouquinho, né assim não, né assim não, e bateu o pé exigindo a retirada das tropas conforme o previsto e arrumando uma briga com o CDA. Bueno, não houve acordo e os ministros do PvdA apresentaram sua demissão coletiva à Rainha e o gabinete caiu. (Estou resumindo muito a história, claro.)
Com essa, foram chamadas eleições, que rolaram no dia 9 de junho de 2010. Os ministros do CDA continuaram (e continuam) tocando o governo enquanto o novo gabinete não se forma, e são chamados de "ministros demissionários".
Ah sim: as tropas holandesas deverão retirar-se da missão no Afeganistão conforme o planejado, no fim desse ano.
Eleições 2010 na Holanda
Quando os resultados saíram, houve um certo choque. Vejamos como foi:
| Sigla | Nome | Ideologia | Assentos 2010 | Diferença pra 2006 |
| VVD | Partido pelo Povo e Democracia | Neo liberais | 31 | +9 |
| PvdA | Partido pelo Trabalho | Trabalhistas | 30 | -3 |
| PVV | Partido pela Liberdade | Anti-imigração, ultranacionalista | 24 | +15 |
| CDA | Apelo da Democracia Cristã | Democratas cristãos | 21 | -20 |
| SP | Partido Socialista | Socialistas | 15 | -10 |
| D66 | Democratas 66 | Liberal-socialistas | 10 | +7 |
| GroenLinks | Esquerda Verde | Ambientalistas socialistas | 10 | +3 |
| ChristenUnie | União Cristã | Democratas Cristãos | 5 | -1 |
| SGP | Partido Político Reformista | Protestantes | 2 | 0 |
| PvvD | Partido pelos Animais | Ambientalistas, direitos animais | 2 | 0 |
Fragmentação da câmara
O choque foi primeiro pela grande fragmentação dos assentos, pulverizados entre muitos partidos, sem um líder destacado. Tudo bem que com os múltiplos partidos seja normal uma certa dispersão de votos, mas dessa vez eles ficaram bem dispersos, com diferença de apenas uma cadeira entre os dois primeiros colocados. Nunca um partido com maior número de assentos teve tão poucos deles.
Ascensão da extrema direita
O segundo choque foi a dramática ascensão do PVV, partido de extrema direita, radicalmente anti-imigração (principalmente vinda de países islâmicos, mas não se engane. Com esse tipo de fanático um grupo determinado é só o primeiro alvo).
O PVV tem como único membro oficial Geert Wilders, um populista falastrão, total media-whore, que muita gente tinha como um bobo da corte, fazendo palhaçada pras câmeras com seu cabelo tingido e espalhafatoso. Pois quem está rindo agora é ele, de quem não o levou como ameaça séria com seu discurso extremista, confiando num aparente status de curiosidade exótica, minoria barulhenta que não teria futuro sério. Meio que nem o Enéas nos anos 90 no Brasil.
Wilders saiu do VVD pra formar o partido de um homem só, num esquema que ele pode mandar com mão de ferro, sem oposição: quem simpatiza com o PVV pode ser "voluntário", mas não sendo membro oficial, não pode votar na política do partido. Assim, a palavra dele dentro do partido é lei. Do jeito que ele gosta das coisas. Ele ataca ferozmente os imigrantes islâmicos, culpando a imigração por toda sorte de problemas, predando o medo, preconceito e ignorância das pessoas pra se fortalecer. Nem vou repetir aqui as propostas dele, divirta-se lendo a página em inglês na Wikipedia sobre o PVV (sem link).
O VVD está longe de ser um partido extremista como o PVV (tanto que o Wilders o abandonou), mas é de uma direita econômica bem pronunciada.
Queda do CDA
O terceiro choque foi o tamanho da tunda que o CDA levou. O partido de Balkenende foi escorraçado da maioria da câmara pra um humilhante quarto lugar. Foi a maior queda de um partido incumbente desde... desde muito tempo. O trauma foi tão forte que Balkenende renunciou como líder do CDA e disse que não tomaria assento na Tweede Kamer [NL]. Foi substituído por Maxime Verhagen, atual ministro demissionário de Relações Exteriores, que assumiu como fractievoorzitter do CDA na Tweede Kamer, mas não como líder geral do partido (que permanece sem líder).
Uma curiosidade sobre Verhagen é que ele usa o Twitter ativamente, ele mesmo (não assessores), desde 2008. No começo ele era bem ativo, chegando a tuitar fotos tiradas durante reuniões ministeriais, até que ele tomou uma chamada do Balkenende e deu uma maneirada, mas ainda manda ver com vontade no "send". Aos poucos ele foi pegando o jeito do twitter e ganhando seguidores, com quem chegou a marcar um encontro, ao qual a Daniela, do Submarina, compareceu e relatou numa série de artigos bem legais.
As negociações começam…
As eleições foram numa quarta, e na quinta rolou a reunião em Noordeinde. Mark Rutte, como líder do partido com mais assentos, foi o primeiro a ser chamado, seguido por Job Cohen, ex-prefeito de Amsterdam e líder atual do PvdA. Mas o circo da mídia se armou mesmo, de verdade, pra entrevistar o Wilders. Só que ele passou reto dentro de seu carro blindado, pra dar entrevista só depois, em outro local. Os outros candidatos deram entrevista na frente do palácio mesmo.
As três fotos acima são de Mark Rutte, líder do VVD, provável futuro Primeiro Ministro da Holanda, na saída de Noordeinde, quando o fotografei. Ele sorriu, deu entrevista, falou com criancinhas e senhoras. O show político todo.
Possível coalização de direita?
A Rainha apontou como informateur Uri Rosenthal, fractievoorzitter do VVD na Eerste Kamer, mantendo a tradição (claro) de chamar um informateur do partido da mais assentos. A primeira hipótese que ele levantou, já proposta abertamente por Rutte, foi formar uma coalização de direita: VVD, PVV e CDA. O discurso é de que deveriam governar o partido com maior número de assentos (VVD) e o "maior vencedor", ou seja, o perigoso PVV, que teve o maior crescimento em relação à última eleição. O CDA entraria pra fechar um governo totalmente de direita (e completar os assentos necessários pra maioria).
Isso só foi possível porque o Wilders abriu mão do único ponto que ele passou a sua campanha inteira dizendo ser inegociável [NL], a idade mínima pra aposentar-se na Holanda, ponto que discordava do VVD (e de um monte de outros partidos). Foi sair o resultado e ele mudou o discurso e disse que negociava e queria governar junto com o VVD.
Porém, após muita relutância, o CDA afinal assumiu que não iria negociar com o PVV, e sem CDA, sem maioria pra VVD e PVV, e de volta à estaca zero. O informateur avisou a nação (ou seria "informou"?) e partiu pra novas negociações [NL].
E agora, José?
Agora o informateur continua buscando descobrir quem quer brincar junto. No momento ele está vendo se é possível uma coalização de partidos de esquerda, PvdA, GroenLinks, D66 de centro, mais o VVD de direita. O VVD já mandou avisar que nem está afim disso. Outra hipótese, então, seria uma coalização VVD-PvdA-CDA, excluindo o PVV. Ou será ainda uma terceira opção? Não se sabe neste ponto e as coisas mudam constantemente.
Aguardem cenas dos próximos capítulos, entre um jogo de Copa e outro. E se bobear, bem além disso.
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{ 31 comments… read them below or add one }
Uôus, nunca achei que fosse entender tanto do sistema político holandês. Moc dobrý!
Poisé, Badá, pra ser sincero, nem eu, mas é a vida. Děkuji vám! Abraço
Excelente artigo! Eu já vinha acompanhando as notícias por você (e com o meu parco holandês), mas é bom ver tudo junto, em ordem (digo, as informações, não necessariamente a situação política).
BTW: depois que hackers desacreditaram o sistema, eles ficaram com o bom e velho papel mesmo
Curioso… Por aqui, hackers, professores universitários, todo mundo e suas tias desacreditaram o sistema, e eles suprimiram a impressão do comprovante em papel, a única forma confiável de se auditarem os votos…
Érre, brigado – e brigado pela força na revisão!
Essa dos votos em papel, eu acho o mais curioso é o pensamento de que termos voto eletrônico é motivo de orgulho e sinal de avanço tecnológico, como se outros países não usasse porque, hã, são mais “atrasados tecnologicamente”. heh.
Bi-zarro.
Sempre quis saber como tudo isso funcionava…
Obrigada!
Oi Érika – graag gedaan
Caramba, quanta paciência pra explicar (quase) tudo assim tintim por tintim!!! Estou impressionada e vou indicar sempre seu blog pra quem quiser informações sobre a Holanda porque eu não tenho o MENOR SACO, rsrsrsrsrs.
Pra quem mora há pouco tempo aqui, até que você entendeu o fio da meada (e tem horas que juro que é melhor nãao entender: Ignorance is Bliss). O que deixou curiosa é você ter votado nesta eleição porque eu moro aqui há 16 anos e ainda não tenho passaporte holandês – e portanto, não pude dar meu voto!!!
Pra quem não leu direito: só pode votar nas eleições parlamentares quem tem passaporte holandês. Me explica isso direito, Dani…
Uai, Beth, mas eu não votei! Eu só recebi um modelo da cédula, como todo mundo que morava no meu prédio – nem era endereçado especificamente a mim, eles puseram um pra cada “morador do prédio” na caixa de correspondência de cada um. Não era a cédula de verdade, era apenas um modelo.
Pronto, mudei o texto pra deixar mais claro que eu não tenho direito a voto nessa eleição. Eu acompanhei o processo de fora, como estrangeiro interessado apenas.
Assim ficou melhor, hehehe. Eu achei o texto meio confuso. Mais confuso que isso só as negociações políticas sendo feitas por esses dias…A gente fica aqui só torcendo mas ao menos já escapamos daquele palhaço!!!
No mais, Paars-plus seria uma boa idéia mas duvido que role. Rutte não permitiria uma coisa dessas…ele como partido de centro-direita não
tem a menor intenção de aturar três partidos de esquerda. Uma pena.
E eu que nem modelo de cédula recebi ?
Beth
Você escreve bem, meu caro. Obrigado pela aula. Saudações!
Fala Daniel! Obrigado pelo elogio e pelo comentário. Abraço!
E como funfa a fidelidade partidária aí nas NL? A negociação é só com os líderes dos partidos? Não é possível se cooptar representantes individuais de partidos minoritários?
[]s,
Roberto Takata
A negociação é conduzida pelos líderes, mas eles agem em nome do partido. O CDA, por exemplo, fez uma votação interna pra decidir se queria formar governo com o PVV. Não foi uma decisão do Verhagen, mas do CDA.
Agora por tradição os assentos pertencem aos partidos, e o partido distribui os assentos às pessoas por um processo razoavelmente complexo. Se a pessoa sai do partido, a tradição é ela devolver o assento ao partido.
Então, AFAIK não há esse tipo de jogo, tentar cooptar um cara de um partido pequeno pra “roubar” o assento e mudar o equilíbrio. Porém, eu sei de uma exceção. Quem mais? Geert Wilders tinha um assento pelo VVD quando brigou com o partido em 2004. O esperado era ele devolver o assento ao VVD, mas nhé, ele não fez isso e fundou o partido dele mesmo, o Groep Wilders (Grupo Wilders), depois rebatizado de PVV.
Adorei a reportagem!!
So fiquei triste com o crescimento do PVV, nunca fui com a cara do Geert Wilders desde do famoso filme, e de todas suas aparicoes na midia sempre polemicas.
Talvez nunca gostei dele por ser imigrante e temer alguma mudanca drastica entre a relacao holandeses X imigrantes.
Voce acha que algo vai mudar?
Obrigada pelas informacoes!!
Um abracao para voce e para a Carla.
Fe
Oi Fê
O crescimento do PVV foi realmente muito triste. Eu acho q a gente nao gostaria dele mesmo se nao fossemos imigrantes: pessoas que estimulam divisão, preconceito, medo do desconhecido so prejudicam o mundo. Enfim.
Se algo vai mudar? Não sei. Eu tenho um medo grande da próxima eleição (que pode não demorar. Analistas da UvA estimam que será em menos de um ano), pq acho que o PVV pode crescer mais ainda. Mas veremos.
Brigado por continuar aqui com a gente!
Beijão proce e abraço pro Osmar
Muito bom o post, Dani! Ah, e as fotyos ficaram ótimas!
bjs
Oi Clarissa!
Brigado – e fico muito feliz que tenha gostado das fotos tbm! (deu um trabalhão consegui-las
)
Cara, sensacional!
Tirou várias dúvidas que eu tinha quanto ao processo de coalização….
Eram essas as fotos que vc disse que ficaram meia boca? Eu achei mto boas!
Abraço.
Opa Alê!
Legal que consegui explicar, fico feliz que tenha dado certo! As fotos eram essas mesmo, até que no fim se salvaram algumas
Valeu, abraço
Whoa! Menos de 2 dias de tópico no ar e 20 comments? Muito bom, Daniel-san! E ótimo artigo, não fazia ideia de como a política é complexa aí nas reclaimed lands.
E volto a ouvir falar do infame Geert Wilderse suas propostas extremistas – lembrei-me da nossa conversa em Amsterdam, dank je wel!
– mas o mais curioso é o nome do partido dele: Partido pela Liberdade.
Peraí, liberdade PARA QUEM, ô cara-pálida!? Que conceito deturpado este senhor tem de liberdade, com suas ideias retrógradas e polêmicas?? Liberdade pros holandeses, e ainda sim somente aos “puro-sangue”? É brincadeira…
Por todos os imigrantes que aí estão, rezo pra que este palhaço nunca chegue de fato a ter influência na política local…
Opa Diego. Danke je wel
Cê já reparou que os ditadores adoram nomes idealistas? Lembra da Alemanha oriental, oficialmente República Democrática Alemã? E a República Popular Democrática da Coréia do Norte? Super democráticos né? Poisé. Por esse viés, acho o nome do PVV perfeitamente adequado.
Verdade, nesta copa comentei sobre o fato da Coreia do Norte se auto-proclamar República Popular (!) Democrática (!!) e não notei tal semelhança no contexto… Faz todo o sentido.
E também uma pena que estes senhores usem nomes, que representam causas tão nobres, em vão…
Ohhh Dani, beleza pura esse texto!!!
Aprecio demais sua dedicação em organizar as idéias!
Valeu por tantas informações de modo tão claro, acho que vc conseguiu sintetizar muito bem o complexo sistema eleitoral daqui, (que eu desconhecia completamente) Pelo que entendi todo o processo é na verdade um espelho da estruturação da sociedade holandesa: pra todo e qualquer assunto sempre tem essa dinâmica de ouvir as partes, discutir os assuntos, reorganizar poderes, e uma certa morosidade em chegar ao resultado final…
Que seja varrido do mapa esse tal de Geert Wilders e seus simpatizantes, pelamor!!!
…e pensar que ainda existe esse tipo de pensamento no planeta, depois de tantas barbáries pelas quais passamos,
sorte e saúde !!!
abç
Monica
Oi Monica! Brigado mesmo. Isso é uma coisa que adoro fazer: estudar um assunto, tentar entendê-lo e depois organizar num texto que repasse algo do que aprendi. Já fiz isso com diversos assuntos que me interessaram ao longo do tempo. Por exemplo, protocolo TCP/IP (trabalhei com informática), sócio linguística (fiz Letras), evolução (fiz Biologia também) entre outros, e agora tô às voltas com minha vida na Holanda.
“…e pensar que ainda existe esse tipo de pensamento no planeta, depois de tantas barbáries pelas quais passamos”
Eu penso exatamente como você… seria tão bom se a humanidade pudesse aprender com a história…
Que legal tua formação Dani, bem eclética…isso se reflete nos teus textos,
curiosidade e dedicação aliadas a inteligência são mesmo qualidades muito preciosas, ainda mais quando bem aplicadas!
torço pelo teu sucesso aqui na Holanda!!! Hup, Hup, Dani!!!
abç
Oi Monica! Você não imagina como essa torcida é importante e que diferença faz receber receber seu comentário! Muito obrigado! E hup todos nós!
Para mim, que sou uma mera ignorante em política (sei um pouco, mas só do Brasil), as informações foram transmitidas de forma clara e deu para entender bem como funciona.
Belo texto!
Tenho uma pergunta: Na época que morei na Holanda, a dois anos atrás, surgiu um vídeo, idealizado por um “simpático” (para não dizer nenhum palavrão) membro parlamentar, fazendo milhões de críticas aos mulçumanos – na época que o vídeo saiu na internet, foi um caos, até porque foi próximo a uma data que iria ter um grande evento na Holanda (não lembro se foi o koninginnedag ou se a Gay Parade) e se cogitou a possibilidade de terrorismo. Inclusive esse parlamentar era contra os imigrantes. Ele e o Wilders são a mesma pessoa, você sabe dizer?
De qualquer forma, se não souber, não tem problema.
Parabéns pelo texto!
OI Marina, brigado. Fico feliz que tenha curtido!
E sim, você está falando do infamous Wilders, o próprio. O filme chama Fitna, e está ainda disponível na net, pra inflamar ânimos. Foi um golpe de marketing extremamente eficiente, especialmente quando ele usou no episódio em que teve a entrada barrada no Reino Unido, onde ia “promover” o filme.
Suspiro.
Bjs
Muitas semanas se passaram desde o dia das eleições,porém só hoje consegui sentar para ler os blogs que tanto gosto ( muuuuuito trabalho) e comentar com calma. Adorei a ampla explicação que vc nos deu sobre a politica da Holanda. Sempre achei tudo muito complicado ( apesar da sempre boa vontade de meu marido de tentar explicar, mas santo de casa não faz milagres, sabe cumé…), e confesso que muitas vezes nem fui votar, já que o voto não é obrigatório ( meu marido votava por mim, hehehehe).
Mas desta vez fui, inclusive votei por ele ( mas não ganhei as balinhas e lencinhos, sacanagem, heim?) , que estava viajando à trabalho. Me assustei com o tamanho do papel, e ainda bem que não uso oculos para perto, do contrário não daria para ler os nomes. E agora, com essa grande ajuda, acho que na próxima eleição vou me sentir menos ignorante na hora de escolher em quem votar( nosso candidato ganhou, no final das contas :Mark Rutte).
Obrigada !
Um abraço,
Sheila
Oi Sheila – graag gedaan!
Fico feliz que tenha sido útil o artigo. Realmente a coisa é meio embrulhada.
O santinho do CDA eu ganhei porque fui cara-de-pau: gastei meu holandês conversando com a mulher que estava distribuindo os santinhos. No fim ela estava distribuindo pra todo mundo, até umas garotinhas de 12 anos que claramente tbm não votavam
E super obrigado por voltar aqui no Ducs e pelo comentário!
Bjs
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