Chegamos em SP após enfrentarmos as 12 horas habituais de turbulência, café ruim e encontrões no cotovelos que sobram nas poltronas da classe econômica. Já fomos entrando no clima de Patropi logo ao embarcar e ocuparmos nossos lugares. Holandês é assim, ele compra a poltrona 7D e ele senta na 7D. Não na 7E ou na 7C. 7D, mesmo que resmungue e reclame do azar de pegar uma poltrona tão ruim, e longe dos amigos. Mas os brazucas não se conformam assim tão fácil. Logo que entramos já tinha um grupo na nossa frente… como é a gíria?… “causando”, pra arrumarem-se nos lugares de preferência, diferentes dos adquiridos. Era uma verdadeira operação de guerra, uns 15 brasileiros trocando de lugar, um queria ir na janela, outro no corredor, outro ao lado da mulher e outro ainda longe da mulher, será que não tenho folga nem no avião?
Observávamos, fascinados, a ginga, o ziriguindum e o balacobaco verdeamareloazulanil em ação, quando passa pelo corredor um guri de uns 4 anos de idade, correndo e gritando agitando os bracinhos pra cima, UAAAAAHHHHHHH, e logo atrás dele a mamãe também corria, aos gritos, com pronunciado sotaque regional, de “Ô MULÉÉÉÉQUIIII, volte aqui MULÉQUIIIIIIIIII!”. Eu e Carla caímos na gargalhada e imediatamente começamos a cantar… “Moro… num país tropical… abençoado por Deus…“, enquanto tocávamos pandeiros imaginários. Não tem jeito, o seu país é como a casa dos seus pais. Você pode morar fora o quanto quiser, pode sair, pode casar, mas ela sempre será também a sua casa, e, assim como sempre haverá um canto nela pra você, ela sempre terá um canto dentro de você também. Ah, a saudável baderna latina…
Chegamos sem mais incidentes dignos de nota, e encaramos, pela primeira vez em meses, um trânsito de verdade, não aquela filinha de carros que os holandeses tanto reclamam. Sampa nos recebeu em grande estilo e da maneira mais tradicional:
Passamos algumas horas em Sampa, e algo aconteceu em nosso coração, não porque cruzamos a Ipiranga com a São João, mas porque fomos num super e quase enfartamos com os preços – e olha que o Albert Heijn cobra em euro, a concorrência é forte. De qualquer forma, logo entramos novamente em um avião rumo à Floripa (outro quase enfarte com os amistosos preços das linhas aéreas inteligentes, que costumavam cobrar barato e não entregar comida de bordo. A comida eles continuam não entregando) e aqui estamos, emprestando uma conexão pra postar um tico enquanto chove… chooove… choooveee… só pra não termos muita saudades de Amsterdam. Continuaremos, nos próximos dias, com acesso intermitente. Enquanto isso… Aquele abraço… fevereiro e março…
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Pra não sentir saudades mesmo, porque aqui em Amsterdam choveu o dia inteiro, sem parar. Quem sabe vcs não tem mais sorte aí em Floripa?
@ronnie: nops, aqui em floripa chooove. Deu uma folguinha agora, após 48 horas de água…
Dani e Carla, deve ser mais gostoso ir pro Brasa sabendo que vão voltar pra Noord-Holland do que ir pra ficar… né não?
Ahh, brasil … esse balacobaco, esta malemolencia, essa coisa verde amarela …
Olha, qd eu for liberada pelo psiquiatra e os advogados disserem que já judicialmente seguro, qd eu parar de chorar compulsivamente ao lembrar do evento, eu vou postar como foi a minha viagem de volta …
huiahsua