Aonde nós ficamos veio com uma cafeteira elétrica. Eles vendem aqui uns sachezinhos de café (koffiepads) que se põe nessa máquina e sai uma aguinha suja meio transparente, que pode ser que passe por café pros holandeses ou fique tomável com muito koffiemelk (um creme de pôr no café, altamente engordativo e gostoso), mas pros brasileiros é um insulto. Na rua até que você compra um café espresso mais ou menos tomável, só que custa euros de monte e, bem, tem que ir buscar. Mais ou menos tomável pra gente, claro. Os italianos dão risada do espresso da Holanda. Ou dariam, se não achassem trágico.
Bem, mas lá fomos nós atrás de comprar um tarugo de fazer café, já que deixamos o nosso em São Paulo. Tarugo é uma gíria familiar que denomina aquele suporte de plástico que você coloca o filtro de papel pra coar o café. Meu pai que veio com essa e foi prontamente adotado, já que soa muito melhor que “suporte de plástico para filtro de café”, que é que nem chamar bike de “veículo de duas rodas auto propulsionado”. Como nem desconfiamos se há um nome de verdade, agora é tarugo.
No supermercado vimos o filtro de café, mas nada do tarugo. Chamamos uma moça que trabalha no super e nos esfalfamos pra explicar o que era um tarugo de café, em inglês. Quando ela finalmente entendeu do que estávamos falando, nos garantiu que na Holanda não tinha mais esse conceito bizarro de fazer café na mão… todo mundo, TODO MUNDO, TO-DO-O-MUN-DO tinha uma cafeteira elétrica. Sim, vendemos filtro de papel pra coar café, mas você usa na cafeteira elétrica, como assim? Quem diabos esquenta a água na chaleirinha e coa café hoje em dia?
Não acreditamos em uma única palavra do que a moça disse e procuramos, sem sucesso, um tarugo em diversas lojas. Por fim, achamos que de fato não havia tal coisa na Holanda.
Ai rolou um pânico. A Carla ainda tentou se conformar… “mas não é tão ruim, dá pra tomar… olha, se puser koffiemelk…” mas não colou. Chegamos a pedir pro r e pra Aline porem o nosso amado taruguinho no correio, tamanho o desespero a que chegamos.
Mas crianças, temam nada, pois a Holanda é um pais cosmopolita, e numa lojinha de badulaques que vendia de lixo de cozinha a bicicletas, achamos filtro de café Melitta e, oh, tarugos! Tarugos galore, tarugos de diversos tamanhos pra escolher (mas não cores… eram todos brancos). Por coincidência ou não, a caixa da loja falava português!
A Carla ficou tão emocionada que comprou uma garrafa térmica super estaile, e viemos, como diz o meu pai, assobiando loucos de contente! Passamos num supermercado natureba daqui (tudo lá é orgânico/integral, o super inteiro! Un-fucking-believable. Há de ver. Procure por Natuurwinkel) e compramos café holandês arábico orgânico do melhor (não achamos café brasileiro ou colombiano, mas dizem que esse tipo árabico é top).
Pois é amigos, aqui o tarugo é branco e o filtro Melitta marrom, o inverso ai do Brasil, mas isso não importa, porque logo estávamos sendo inundados por um familiar cheiro de cafézinho coado… brazilian style. Yes!
Serviço
De Natuurwinkel
http://www.denatuurwinkel.com/
Tem várias lojas, mas eu sempre vou nessa: Elandsgracht, 118. O supermercado inteiro é orgânico. Tem que ver pra crer.
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Este causo é magnífico. Eu adoro
Oi. Sou amiga da Erika e do Rafa Salsa e também me mudei recentemente para Toronto. Sempre acompanho seu blog.
Então, a gente aqui também penou um pouco com a cafeteira. Café não é problema, tem de tudo quanto é tipo, e compramos até um moedorzinho para moer os grãos na hora, coisa fina! Mas não tinha como fazer café como a gente fazia no Brasil, com aquele coador básico no tarugo. E eu sempre impliquei com as cafeteiras elétricas, aquele trambolho cheio de peças e alta tecnologia só para coar um cafezinho.
O que eu descobri aqui e achei ótimo é a tal da “french press” – http://en.wikipedia.org/wiki/French_press
Comprando café bom e moendo o grão (que não pode ficar tão fino como no Brasil, pois o coador não é tão fino quanto o de papel), a gente faz um café espetacular, sem trabalho nenhum e tendo só uma jarra para lavar no final. Máxima qualidade e máxima eficiência.
Oi Carol, bem-vinda!
Nós acompanhamos o blog de vocês também!
Legal a solução que vocês encontraram! Eu não conhecia a “french press” e me pareceu bem interessante.
Oi!! Também sou brasileira (Salvador, Ba) e estou morando em Portugal com meu esposo. Estamos loucos procurando o que vocês chamam de “tarugo” e até hoje, nada… também ficamos surpresos porque sempre achamos os filtros de papel e nada do suporte… pra que filtro?!! E chegamos à conclusão da popularidade da máquina de fazer café. Mas ainda temos esperança de encontrarmos o suporte, pois aqui ainda se acha (já vimos em 2 lugares) filtro de pano (ainda há gente que faz café como nossos pais…). Mas sabemos que não é higiênico então ainda temos esperança de encontrar o tarugo! Muito legal seu post!! Abraços
Oi Valéria! bem-vinda ao Ducs em Amsterdam
Não perca as esperanças e mantenha o olho atento pra lojinhas de badulaqeus e coisas em geral, que você há de achar o essencial taruguinho
Boa sorte na busca e conte pra gente aqui quando achar!
Olá Dani,
Fiquei a imaginar a fissura por um café…sei bem como é,que bom que encontraram o tal “tarugo”aliás aqui no RGSul usamos muito este termo quando não sabemos o nome do objeto,daí logo dizemos “aquele tarugo”.Seu pai é de onde?Será do sul ou próximo?
Adoro a forma como escreves, é de tal forma descritiva que além dar altas gargalhadas tenho a impressão de ver voce contando a história/estória ao vivo!!!!
Muito bom!!!!
Bjs,saúde e paz!!!!
OI Suzy
Poisé, adivinhou. Meu pai (e minha mãe) são gaúchos! Hehehehehehe!
Muito obrigado, fico bem feliz que você tenha gostado do Ducs e dos meus textos
Espero continuar merecendo a audiência
Bjs
Ja achei minha profissao nos Paises Baixos. Vou me fazer Barista e vender café pra holandes hahahahahaha.
Abrir uma franquia do café no ponto. Só não sei se eles vao gostar hsuahsuahsuashau.
Fala cottonby! Se eles vão gostar não sei, mas a comunidade expatriada vai te deixar rico, certeza, hehehehehehehe!
Olá Daniel e Carla,
Descobri o site por acaso e estou adorando.
Tenho um noivo holandês e irei pra lá em março, passar férias de um mês. Quero muito comprar um “tarugo pra chamar de meu” e fazer meu café forte e pretinho, pretinho. Onde fica a loja que você encontrou em Amsterdã? Por favor me diga o nome e endereço. Daniel, uma pergunta: por acaso fizestes Letras ou frequentastes a FFLCH entre 2001 à 2006 ? Acho que me lembro de vc de lá… ou não?!?!