Desde que viemos morar na Holanda, demos de cara com uma realidade que derrubou implacavelmente alguns mitos sobre morar no primeiro mundo. Alguns foram nas primeiras horas, outros demoraram meses pra cair. O maior deles é que “primeiro mundo” é um lugar uniforme. Itália e Holanda são diferentes entre si, e ambas diferem da Espanha, e, sem dúvida, todas elas do Canadá. Que não são os Estados Unidos. Ser “primeiro mundo” não muda a natureza humana, e pessoas são pessoas, com suas loucuras e bizarrias e peculiaridades em toda a parte. Traços culturais existem, mas culturas são particulares de cada canto, e não da grande abstração “primeiro mundo”.
Quando cheguei aqui encontrei algumas coisas diferentes da imagem projetada de uma Shan-gri-la onde tudo funciona. Acredito que muito disso venha da nossa tendência de idealizar a verdança do gramado alheio. A idéia não é dizer que Amsterdam é isso ou aquilo, mas mostrar que a experiência real é sempre diferente da idealização. Não há esse “primeiro mundo” uniformizado, asséptico e robotizado, da mesma forma que não existe um “terceiro mundo” igual em toda parte, sempre sujo e violento. O que há são pessoas, lugares e um mundo muito maior e muito mais complexo do que se pensa.
Dito isto, vamos aos mitos.
Limpeza
A cidade de Amsterdam tem lixo na rua, e nisso não está sozinha. Eu vi lixo em praias do Mediterrâneo (e eu achava que isso era exclusivo de praias brasileiras), e nas ruas de Genebra (embora ela ainda seja mais limpa que Amsterdam). Por algum motivo, eu imaginava que no “primeiro mundo” todas as ruas seriam limpíssimas, e, cara, isso simplesmente não é verdade. Tem pixação, tem garrafa e lata de cerveja e bituca de cigarro e plástico jogado nas ruas de Amsterdam. Não que seja um chiqueiro, não é isso. Mas eu tinha essa imagem de que seria impecável, hospitalar, todo o lixo nas latas. Esses foi um dos mitos que caiu nos primeiros dias.
Educação no dia-a-dia
Turistas são muito bem recebidos em Amsterdam. Das cidades que eu visitei, acho que é a que melhor recebe turistas. As pessoas param pra oferecer ajuda nas ruas, saem do caminho delas pra te explicar coisas, são de uma gentileza maior do que eu esperava – sempre me disseram que pedir informação na rua era difícil, que os europeus eram mal humorados, sem paciência pra turista. Ouvia histórias de destratos em bares e restaurantes. Chegando aqui, fui muito, muitíssimo bem tratado. Eles serão simpáticos, e prestativos e sorridentes. Uma agradável surpresa.
Mas uma vez que você deixa de ser visita e passa a pegar o bonde no dia-a-dia pro trampo, começa a disputar espaço na comutação diária das bikes, a entrar nas filas do supermercado e da farmácia, quando você passa a entender um pouco da língua, você descobre que a delicadeza no trato é reservada pros turistas. Quem é de casa vai entrar no esquemão, e o esquemão aqui, companheiro, é na porrada. Pode ser que em outras cidades seja diferente (em Texel éramos cumprimentados na rua por estranhos), mas os amsterdaneses furam fila, não seguram porta pra você passar, batem com o carrinho do supermercado no seu calcanhar sem aviso prévio, fecham e xingam na bike e “com licença” em holandês é cotovelo no baço. Demorou pra entender isso – primeiro ficávamos bravos. Depois achávamos que se fizéssemos o mesmo eles ficariam bravos. Mas é meio que assim que funciona, e eles nunca levam pro lado pessoal. Se você não foi atropelado no supermercado, ou cortado na fila, ou no trânsito de bike, você está aqui há pouco tempo, e não pode se considerar ainda um habitante de Amsterdam.
Estou me acostumando ainda, mas minha recusa em furar filas e insistência em murmurar “pardon” milisegundos antes de sentar uma mochilada em algum desprevenido entupindo o corredor do tram denunciam minha estrangeirice.
Regras são regras
Quando eu era adolescente, um amigo meu contou de um sueco revoltado com o conceito de quebra-molas que encontrou no Brasil. Como pode, perguntava ele, vocês colocarem coisas para quebrarem seus próprios carros? Meu amigo tentava esclarecer: oras, não é literalmente um “quebra molas”, é apenas algo para que os carros diminuam a velocidade.
- Oras, mas pros carros irem mais devagar não basta colocar uma placa indicando velocidade reduzida?
A inocência do sueco nos divertia a todos, e ficávamos imaginando como seria na Suécia, onde uma placa de velocidade máxima em uma rua é obedecida sem necessidade de quebra-molas. Bom, nunca fui à Suécia, mas eu te digo uma coisa: tem quebra-molas em Amsterdam. Placas de “não pare aqui sua bike” são sumariamente ignoradas. Placas de contra mão nem sempre são obedecidas.
Está longe, muito longe de ser uma guerra aberta como testemunhei em Sampa – mas a imagem de que todo mundo seguia as regras certinho foi outra que partiu desta pra uma melhor logo no começo.
Eficiência e burocracia
Eu achava que o Brasil era campeão mundial de burocracia, mas isso era apenas chauvinismo patriótico de minha parte. Ah, já contei da minha experiência com a burocracia holandesa. É feroz, isso eu garanto. Eficiência varia grandemente. Algumas horas e em alguns aspectos eles são extremamente eficientes. Outras horas, nem tanto. As obras aqui demoram bastante tempo, e o caso da linha Norte/Sul do metrô de Amsterdam não está entre os mais bem sucedidos da história da humanidade: as obras foram iniciadas em 2003 com previsão de término em 2011. Alguns bilhões de euros e casas históricas afundadas depois, a baderna toda foi paralisada. Consideraram desistir de tudo, o responsável foi afastado, mas no fim resolveram continuar, a um custo estimado de 1,7 bilhão de euros extras e com previsão de entrega em algum momento entre 2017 e 2018. A maioria dos amsterdaneses não está esperando de pé.
Segurança
Vindos da violenta Sampa, ficamos felizes de andar numa cidade razoavelmente segura. Crimes violentos ocorrem, mas são raros e em geral vão parar nos jornais. Há caixas eletrônicos direto na rua, sem nenhuma cabininha, e o povo saca a grana de noite sem medo. Uma vez vimos uma guria entrar sozinha pra fazer cooper no Vondelpark – era dez horas da noite. Agora, sim, de vez em quando tem tiroteio, e furtos são relativamente comuns. Furto de bike, então… difícil achar alguém que nunca tenha tido uma bike furtada. E, se não aconteceu com você, aconteceu com alguém próximo. Quando contamos isso no Brasil, espanto generalizado: mas aí é primeiro mundo, eles furtam coisas? Opa. Bike em Amsterdam é mercado sério. Deixe a sua destravada na frente da Centraal Station e volte dali meia hora, pra ver quantas você acha… e eu não poria minha carteira no bolso de trás, meio saltadinha pra fora, e sairia pra dar aquele rolê distraído na Damrak se fosse você. Só uma sugestão.
Mas enfim, apesar dos furtos e do ocasional crime mais sério, segurança ainda é um ponto forte daqui.
Ah, as generalizações
O ponto deste artigo não é dizer que amsterdamenses são uns grossos, ou que você terá sua bike furtada com 100% de certeza. É justamente o contrário: é você desafiar as imagens prontas que recebe, e que generalizações são perigosas. Obviamente existem locais extremanente educados, obviamente que nem toda bike é roubada, obviamente que ser seguro andar de noite na rua não te torna imune a qualquer crime. A sua rua pode ser um modelo de limpeza, e existem sim, ruas muito limpas aqui. A questão é justamente entender que impressões de aspectos da realidade não são a realidade em si. Com o tempo, as impressões e experiências vão se acumulando e formando um retrato que, se ainda não impecavelmente fiel, muito mais rico do que as visões chapadas em 2D que estamos acostumados a receber e aceitar como verdade.
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Continue a viagem:
- Aprendendo a reclamar
- Estranhos em terras estranhas
- Coluna do Daniduc: Olhando por trás dos clichês
- Visão das ruas – Google Street View na Holanda
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É verdade, no Terceiro Mundo as pessoas sempre generalizam, né?
Bem, *eu*, pelo menos, generalizo
Opa Ducs!
Belo post. Faço suas minhas palavras. Toronto é bem limpa mas… tem lixo no chão sim (no inverno, então, é caótico; acho que as pessoas aproveitam que tem neve acumulada e mandam ver). Segura (voltamos de noite para casa a pé sem nenhum grilo), mas também tem muito furto de bicicleta e outras coisas. As pessoas são educadas em geral, daquele tipo bem inglês (perguntando sobre o tempo e tal), mas também tem malandrão furando fila. As regras de trânsito funcionam bem, até porque a polícia do trânsito marca em cima e as penalidades são duras) mas (a) nego aqui não sabe dirigir e (b) nego aqui adora o Velozes e Furiosos, acha que é poderoso, que tá podendo, que o Vin Diesel é um fraco, e morre fazendo pega nas auto-estradas. Acho que é isso: pessoas são pessoas em qualquer lugar; mudam as instituições e os incentivos que as pessoas têm para respeitar e “acomodar” o outro…
“Acho que é isso: pessoas são pessoas em qualquer lugar; mudam as instituições e os incentivos que as pessoas têm para respeitar e “acomodar” o outro…”
Acho que é exatamente isso
Olá Ducs!
Tenho lido esse site de vocês ultimamente por estar indo praí no mês que vem. E é bem legal ler esses posts sobre os aspectos sociais e culturais da cidade.
Não sei se vocês acompanham o jornal O Globo pela internet pra saber das notícias daqui do Brasil, mas na seção de blogs deles tem uma categoria só sobre as cidades mundo afora (chamada Viagem), escritas por brasileiros residentes nas respectivas cidades. Daí lembrei que o que fala sobre Amsterdam está parado a um tempo, pois a pessoa que escrevia retornou ao Brasil e está a procura de um candidato pra continuar tocando esse blog.
O endereço é http://oglobo.globo.com/blogs/amsterda/
Vê lá o último post que ela fala justamente sobre isso. Vê se de repente não interessa à vocês.
Grande abraço!
Oi Helio!
Legal que você tem curtido o Ducs.
Então, sobre o lance do Globo – brigado pela sugestão. Várias pessoas escreveram sugerindo que eu fizesse o blog de Amsterdam no Globo (o primeiro foi o Rafael, aqui: http://www.ducsamsterdam.net/meta-post-ducs-fora-por-uns-dias/#comment-1092).
Mas aparentemente o Globo resolveu não dar continuidade ao Blog deles de Amsterdam – ele está há meses parado nessa. Enquanto isso, o Ducs continua bombando
Vamos fazer o Ducs em Amsterdam mais famoso que o Globo, hehehe.
Brigado pela compania nessa jornada! Grande abraço
É isso aí, Ducs, não se deixem engomar pela “pasteurização” de tudo que se relaciona com a Globo, com certeza teria alguma tipo de censura de “estilo”, bem ao padrão global, hehehehe
Continuem assim, descolados e criativos, alías, o ultimos posts sobre a questão da ética primeiromunidista e terceiromundista estão geniais!
Um abraço,
Jorge
Fala Jorge! Brigado, de novo, pelo incentivo!
Issaí, estamos no Ano 2009 Depois de Cristo. Toda a Internet encontra-se ocupada pelas Big Corps! Toda? Não! Um pequeno site resiste ainda e sempre ao invasor! (Você manja Asterix? http://historia.abril.com.br/guerra/asterix-gauleses-434170.shtml)
Bem-vindo à resistência, Jorge
(Se você está lendo isso, você é a resistência!)
Olá Ducs,
Pois, nada como estar no país e curtir o dia a dia para saber que nem tudo são rosas no primeiro mundo. Uma coisa é passear e fazer turismo , outra é viver e encarar a realidade. Mas acho que isso é assim no mundo todo.
Estivemos de férias em Israel, e mesmo com toda a propaganda negativa que a midia faz, é um país lindo, gostoso e agradável de passear. Claro, com seus lados não tão bons as vezes ( como o jeitinho meio briguento dos israelenses ou as buzinadas que os motoristas adoram dar), mas longe de ser um país inseguro, apesar de tudo. Nesse caso, vale ao contrário: pintam um país terrivel, mas conclui-se que não é tão terrível assim…
Um abração!
Exato, Sheila! Nada substitui a experiência – e ir lá vermos por nós mesmos! Por isso que eu amo viajar
Brigado pela compania nessa viagem do Ducs!
Pois então,
Praga tem muita pichação. Não demaaais, mas bem mais do que eu esperava. Mas lixo na rua, de fato é muito pouco – e como eu já disse, 99% é bituca de cigarro. E também tem bastante furto, mas roubo quase nenhum (pelo menos é o que dizem os locais e os turistas e bem, todo mundo mais que fala sobre isso). O povo anda na rua a qualquer hora da noite, sozinho ou acompanhado. Dizem que não há vizinhança perigosa em Praga, mas ainda insisto em achar que quem abusa da sorte deve se dar mal de vez em quando. Espero que essa seja outra idéia pré-estabelecida a cair.
Então Praga está melhor que Amsterdam… aqui tem umas duas vizinhança que o pessoal não recomenda.
(turistas: don’t worry, 1. são longe e não tem nada que um turista vá querrer ver e 2. “Não recomenda” de holandês está muito longe de ser os arredores de Bagdá)
Pichação tem vários lugares da Europa, inclusive o metrô (linha A) de Roma era inteiramente pichado, em alguns pontos até em cima do painel que msotra as estações. Aqui no prédio de casa tinha uma que ficou um ano e meio antes de ser removida.
No geral, Amsterdam é uma cidade excelente pra se morar. Mas essas coisas a gente só descobre morando. Como eu sempre digo, é um jogo de resistência, não de velocidade. Vá nos mantendo atualizado sobre como é morar em Praga
Abraço
Falar dos problemas da cidade significa já estar integrado com a cidade. muito legal o post, a experiencia de voces leva a pensar na de cada um.
.
só eu nao posso falar virgula do lugar em que moro. é um perigo. (os “daki” ficam furiosos: ‘quem pensa que é para falar isto da “nossa” cidade nao gostou volta nao precisamos de ‘gente de fora’ – os “nao-daqui” nao admitem e sao igualmente ferozes: como posso morar no paraiso e ainda reclamar?). Afinal, moro onde voces passam as ferias, amo a vida, ser feliz me consome e o segredo é correr atras das borboletas. ou algo assim.
.
Ass. anonimo (aproveitei para desabafar e tenho medo de retaliacoes)
Oi anônimo. Ainda estamos longe de estarmos integrados – é um longo processo. Mas o post é menos sobre os problemas e mais sobre as diferenças entre as expectativas e o que realmente acabamos encontrando nos lugares. É fácil idealizar lugares, mas quando vive-se neles, a realidade é sempre diferente – e ainda bem
O processo de descoberta é muito legal, e descoberta é crescimento.
brigado pelo comentário.
vixi, desculpe o “já”. eu tambem estou “aqui” (nao aí ) a “já” 5 anos heheh
Oi Dani, adorei o post.
Tive um choque quando cheguei em Amsterdam, idealizava um “primeiro mundo” onde tudo era perfeito e logo nas primeiras semanas meu conceito mudou. E mesmo viajando para outros paises na Europa so encontrei paises de segundo ou terceiro mundo…. hehe
Bjs,
Fe
Oi Fê! É uma honra ter você aqui no Ducs
Estamos com saudades!
Realmente “perfeito” e “humano” não coexistem – onde há perfeição não há humanidade. E no fim das contas, mesmo que o preço a se pagar sejam as imperfeições, adorei humanizar Amsterdam. E viajando vamos parendendo!
Brigado pelo comentário e, hey, volte sempre no blog! É um jeito de mantermos contato também. Beijão e um abraço pro Osmar!
http://www.conectou.com/2009/05/o-brasil-na-visao-de-um-paulista.html
hehe
Verdade – o lance de você mroa onde eu tiro férias – esquecendo que férias são uma suspensão do cotidiano por alguns dias, e morar *é* o cotidiano.
E falar dos problemas não quer dizer que não se gosta do lugar. Aqui na Holanda teve um casal de americanos morando aqui por decdas, escreveu um livro que esculhambou loucamente a Holanda. Os “daki”em vez de se enfurecerem, traduziram pro holandês e vendem loucamente. E fizeram rpefácios dando risada e dizendo “caramba, é assim mesmo”.
Uma coisa que me impressiona é a cultura porca dos holandeses, canso de ve-los jogando latinhas e sacos de sanduiche no meio da rua, isso me deixa louco cara..
Espero que este post enterre definitivamente a expressão recorrente no Brasil, quando alguém se depara com algum grande problema: “Mas isso não existe em nenhum país do mundo, só aqui”. Minha esperança é também que sumam outras pragas do mesmo estilo, como “desde que o mundo é mundo”, que é a glória da generalização. Agora sabemos que é diferente. É “desde que o mundo é imundo”. Ops, sorry, nao resisti. Abs.
Muito bacana o blog, as dicas, tudo. ótimos pontos de vista, parabens!
também tenho um blog similar, mas sobre a Irlanda, o E-Dublin. Depois da uma passada la
abracao
Fala Edu. Brigado pelo seu comentário aqui e lá no Dude’s talk
To acessando seu blog, muito bom, cara. Bem feito, bonito, muita informação. Já tá no favoritos!
Grande abraço.
Ei Dani… Ótimo post, como sempre
É verdade, a gente tem muito mito em relação ao primeiro mundo, e é só viver em qualquer país considerado primeiro mundo que a ficha cai mesmo. Aqui nos EUA tem pobreza e violência sim. Pertinho daqui, 10 minutos de Washington,DC (Capital da Nação), existem bairros muitos violentos que ninguém tem coragem de andar a pé ou dar uma passadinha de carro à noite.
Em relação à sujeira, New York City é campeã. Um grande exemplo é o metrô lá. Minha família se assustou com a quantidade de lixo e sujeira do metrô de NYC comparado com o metro de Sampa. E a gente também durante a na nossa primeira visita !
Outra coisa que me assustou aqui no começo, foi que algumas grandes redes de supermercado nem esquentam em retirar produtos vencidos das pratileiras. Depois descobrimos que vender produtos vencidos não é crime aqui e gerente não vai para cadeia como já aconteceu no Brasil. Existem até lojas especializadas em vender remédios, produtos de higiene e alimentos vencidos por um preço bem em conta. E nesta época de crise, a galera vai mesmoooo !
Saudades !
Meguinha
Oi Meg!
Aqui é a mesma coisa – produto vencido, você que tem que ficar ligeiro, não tem nade de “código do consumidor” não.
Gozado como a realidade semrpe atropela os mitos que a gente vai criando né? Mas isso é uma coisa legal de viajar, mroar fora.Seu mundo fica literal e figurativamente maior, e como crescemos com esses desafios!
também estamos com saudades. Pelo menos com a retomada do blog de vocês, nos sentimos um pouco mais pertinho. Sem ele, ficamos sem saber o que rolou na vida de vocês! Continuem escrevendo, que a gente vai matando a saudade como der até podermos fazer aquele forrózão, com aquele feijão na pressão (tssh tssh tssh), ouvindo o melô do stauá (de bigode e cavanhaque, sempre mantendo o respeito…) hehehehehe
beijão pra você e pro Pedro!
Parabéns pelo blog. É muito interessante e a sua narrativa é fantástica. Estive em Amsterdam em 2007 e estou retornado em março próximo. Vou aproveitar cada dica de vocês e tentar conhecer mais profundamente essa cidade deslumbrante.
Abraço forte
Pablo
Oi Pablo
Brigado pelo comentário e pelos elogios. Trabalho forte pra fazer o blog ficar legal e útil. Bom saber que estou indo no caminho certo.
Espero que você se divirta aqui. Boa viagem,
Abraço
Hoi Daniduc,
Heel erg goed, dit artikel en dat van de “relação entre limpar seu próprio banheiro…….”
Je zou het moeten vertalen in het Nederlands en in boekvorm uitgeven. De Nederlanders zouden jouw kijk op hun land beslist interessant vinden.
Zoals ik al eerder gezegd heb, zie jij de verschillen tussen de twee landen bijzonder scherp. En je kunt het op een leuke manier vertellen.
Ik heb niet alles gelezen van je blog en sommige dingen zijn voor de Nederlanders natuurlijk minder interessant, zoals de stroopwafels. Maar er zitten hele leuke beschrijvingen tussen.
Grappig is dat mijn familie niet snapt dat ze hier zo verschrikkelijk weg zijn van stroopwafels. Ik persoonlijk vind de afwezigheid van drop veel erger dan het gebrek aan stroopwafels.
Entendeu tudo ou tenho que traduzir?
Você reclamou sobre holandeses que não querem falar holandês com você, mas não tenho ideia de quanto você consegue entender.
Ga door, je blog is leuk en interessant.
Groetjes, Tineke
Oi Tineke
Ja, ik begrijp je goed. Ik vind moeilijk om te spreken en schrijven, soms om te luisteren. Maar ik kan wel lezen.
Dank je voor je reactie, ik heb nooit gedacht dat mijn tekst door een Nederlander zou worden gelezen. Maar ik vind het spannend om een je mening erover te lezen.
Het is nog een “work in progress”, en alle feedback is geweldig om mijn ideeën over het onderwerp te verbeteren. Het is maar een “first step”. Volgens mij, het is nog niet goed om te vertalen, en mij Nederlands is nog niet goed. Maar ik wil zeker Ducs Amsterdam in het Engels vertalen, en ik zal dat binnenkort doen.
Ducs Amsterm is trouwens een eindeloos “work in progress”
(Muita coisa, inclusive, escrevi há muito tempo, e em vários pontos não refletem mais minha visão atual.)
Nou, ik vind drop lekker, maar stroopwafels zijn erg lekkerder!
We gaan om februari naar Brazilië, en ik zal drop brengen voor jou! Wat is je favoriet merk? Serieus!
De novo, obrigado pelo feedback, é fantásico ouvir a opinião de uma Nederlander sobre meus textos! E muito obrigado por me dar a oportunidade de praticar meu holandês. Desculpe pelos erros. Pra escrever esse tanto tive que pensar bastante, e aprendi algumas coisas, e isso é muito bom
Abraços
Daniel
“ik heb nooit gedacht dat mijn tekst door een Nederlander zou worden gelezen.”
Waarom had je nooit gedacht dat een Nederlander je blog zou lezen?
Je wilt niet weten hoeveel Nederlanders er in het zuiden van Brazilië wonen. Er zijn verschillende Nederlandse kolonies. Vroeger of later moest een van die Nederlanders al surfend op jouw site terechtkomen. Dat was een kwestie van tijd.
“We gaan om februari naar Brazilië, en ik zal drop brengen voor jou”
Het is voor het eerst dat ik hoor dat een Braziliaan drop lekker vindt, ben je wel een echte Braziliaan?
Ik vind het heel aardig van je dat je drop mee wilt brengen, maar dat hoeft echt niet hoor. Jij komt geloof ik uit São Paulo? Dat is nogal een eindje hier vandaan. Of ben je in Nederland vergeten hoe immens groot dit land is? (Sorry, dit is weer echt Nederlands sarcasme. Dit soort dingen kun je in Brazilië niet overal spuien.) Verder komt mijn zoon eind december naar huis, hij studeert in Nederland, en hij weet dat hij voor veel drop moet zorgen. Tja, drop is voor mij een verslaving.
“(Muita coisa, inclusive, escrevi há muito tempo, e em vários pontos não refletem mais minha visão atual.)”
Dat is altijd zo, je krijgt een bepaalde eerste indruk die dan later niet blijkt te kloppen. Daar is niks mis mee. Verder veranderen dingen ook weer. Het Nederland waar vandaan ik naar Brazilië ben verhuisd bestaat niet meer. Er is zoveel veranderd.
“Desculpe pelos erros”
Wil je dat ik ze verbeter? Het zijn er echt niet veel hoor. Maar misschien stel je er belang in om te weten waar de fouten zitten? Ik stel het meestal, niet altijd, op prijs dat mensen mijn Portugese fouten verbeteren.
Groetjes.
Bem, eu respondi a Tineke direto por email – tem gente que assina os comentários e estava ficando com cara de “ué” com nosso chat em holandês, hehehe