"O melhor guia online sobre Amsterdam, em português" — Estadão


Hoje é dia de Sinterklaas – datas festivas na Holanda

por Daniel Duclos em 05/12/2008

São Nicolau é o santo padroeiro dos mercadores, marinheiros e crianças. Sendo os holandeses historicamente grande mercadores e marinheiros, e crianças aqui tendo papel destacado na vida social e familiar, faz bastante sentido a popularidade do Santo na Holanda. Ele é o santo padroeiro de Amsterdam, e é a origem do Papai Noel.

Sinterklaas é o Papai Noel (Santa Claus)?

Dizem que o gorducho de pijama vermelho inventado pelos americanos tem origem na veneração dos holandeses pelo Sint-Niklaas. O nome Santa Claus é suspeitamente parecido com Sinterklaas, e não vamos esquecer que foram os holandeses que fundaram Nova York (na época chamada de Nova Amsterdam) mas, segundo a Wikipedia, [carece de fontes] esta afirmação, e muitos dizem que a coisa toda foi inventada depois, pra encaixar, já que ninguém conhece a origem ao certo. De qualquer forma, enquanto o caricaturista americano Thomas Nast inventou a figura rotunda do Santa Claus exportada pelo mundo todo (não foi a Coca-Cola que inventou o Papai Noel - lamento decepcionar os teoristas conspiracionais), aqui na Holanda o santo manteve sua aparência enxuta e super em forma, na versão Sinterklaas do São Nicolau (Sint Niklaas).

A tradição do Sinterklaas

Aqui na Holanda o Sinterklaas é magro, usa roupas vermelhas e o chapéu de bispo, segura um cajado. No século XIX outros elementos foram adicionados ao imaginário do santo pelo professor e escritor holandês Jan Schenkman, que fez o bom velhinho chegar da Espanha (!) de navio a vapor (!!), montado em um cavalo branco (!!!), e, dizem alguns, até seu ajudante, o Zwarte Piet. E assim é. Todo ano o Sinterklaas chega da Espanha montado em se cavalinho, com seu ajudante e  um saco de presentes, os quais sai pela Holanda distribuindo com a ajuda de seu muito travesso ajudante, Zwarte Piet. Em algumas tradições, Sinterklaas é bonzinho e magnânimo, em outros menos - crianças malvadas não apenas ficam sem presentes, mas são postas no saco e levadas de volta pra Espanha (!!!!), aparentemente um destino terrível. Resisto à um grande número de piadinhas horríveis com muito custo, em respeito ao Bom Santo.

Hoje em dia

Então funciona assim. Lá pelo meio de novembro, Sinterklaas desembarca em Rotterdam de seu navio a vapor vindo da Espanha. Ele faz um tour pelas cidades, andando de cavalinho branco, em um grande desfile em cada uma, com seus ajudantes Zwate Pienten jogando doces típicos pras multidões, brincando com as crianças e fazendo malabarismos e palhaçadas. Sinterklaas também visita hospitais e orfanatos e é um grande acontecimento de novembro.

Sinterklaas e Zwarte Piet em Amsterdam (foto © 2008 by Marina e Ronnie - http://marinaeronnie.blogspot.com)

Nesta noite em que o Sinterklaas passa na sua cidade, as criancinhas deixam sapatinhos, bem, antigamente na beira da chaminé, hoje em dia, com aquecimento central, na porta da casa, com uma cenourinha dentro (pro cavalinho do Sinterklaas) e cantam uma canção tradicional antes de irem dormir. Na manhã seguinte, a cenourinha desapareceu, mas há em seu lugar doces deixados pelo Zwarte Piete. Pode ser pepernoten, ou mesmo a letra do primeiro nome da criança feita de chocolate. Se a criança não se comportou ela pode ganhar apenas um pacotinho de sal (!), o que, obviamente nunca acontece, porque, convenhamos, tem que ser muito filho d... bandido pra fazer isso com uma criança que pôs sapatinho, cantou musiquinha, pôs cenourinha e viu todos os amiguinhos ganharem doces.

Letra de chocolate

Os Ducs se comportaram este ano, postaram direitinho no blog, e ganharam uma letra do Zwarte Piet

Noite dos presentes - pakjesavond - 5 de dezembro

Mas enfim, na esperada noite, na noite encantada, no dia 5 de dezembro, as famílias se reúnem, as crianças cantam musiquinhas, e OH, o que será isso? Um barulho no sótão (ou na porta da frente ou onde a imaginação e habilidade dos pais conseguir fazer). O que será? vamos lá ver! Abre-se a porta e... PRESENTES! Sinterklaas passou por ali e deixou presentes! Há grande celebração.

A princípio, os presentes são apenas pras crianças. Os adultos não entravam nesta dança. Eles ganham poeminhas uns pros outros, acompanhado apenas de um docinho. Mas alguns fazem uma espécie de amigo secreto. A pessoa que você tirou ganha um presente melhor, enquanto pros outros adultos continua-se com os docinhos ou pequena lembrancinha.

Com tudo isso, eu acho muito surpreendente quem um dos santos mais populares da Igreja não seja formalmente canonizado! São Nicolau foi canonizado pelo povo, e hoje é dia dele, e ele trará presentes pra todas as criancinhas, e não importa nada das pequenas incosistências da lenda, porque hoje é a pakjesavond e vamos comer chocolate e cantar musiquinhas! Feliz Sinterklaasavond pra todos vocês!

Related Posts Plugin for WordPress, Blogger...
Daniel Duclos (Daniduc), o autor do texto, mora na Holanda, desde novembro de 2007. É o editor do Ducs Amsterdam, o qual escreve, fotografa e ilustra. Possui também um portfolio on-line pra suas fotos e ilustrações.

Quer ser um autor do Ducs Amsterdam também? Veja como fazer!

Procurando hotel pra sua viagem?

Eu escrevi um artigo com muitas Dicas de hospedagem.

Se você fizer sua reserva através dos links aqui no Ducs, eles repassam uma comissão pra gente. Então é uma forma de descolar um lugar legal, pagar menos, ter suporte em português e ainda retribuir o Ducs em Amsterdam! :) Todo mundo ganha!

Ah... e o Booking lista hotéis no mundo todo! Não precisa ser só em Amsterdam!

Tá com dúvida? Taca ela aqui:

{ 79 comentários… leia abaixo ou deixe um }

Barts dezembro 5, 2008 às 19:35

Nao é apenas um dê, é um de estilizado, nao é um dê qualquer, ele tem carinha!

Agora, eu acho isso uma certa sacanagem porque o Wallace vai se dar melhor que o Igor nessa historia de primeira letra ..

Responder

ronnie dezembro 5, 2008 às 20:27

na verdade ouvi dizer os adultos trocam tipo um inimigo secreto, com presentes pra sacanear os outros.

Responder

daniduc dezembro 5, 2008 às 21:22

@ronnie: Eu ouvi também que os poeminhas que os adultos trocam tem uma ponta de tiração de onda… acho que há todas estas variações, como, aliás em qqr tradição… ;)

Responder

daniduc dezembro 6, 2008 às 00:05

@barts: e não uma carinha qqr, mas a do Zwarte Piet :)

Responder

Carol dezembro 6, 2008 às 02:09

HAHAHAH Barts mandou muito bem!! Já estou aqui calculando as letras que requerem maior volume de chocolate.

ADOREI conhecer a tradição do Sinterklaas aí! Acho fofas demais essas tradições antigas, com rituaizinhos meigos e recompensas simples.

Curioso é que na Argentina se chamava Santa Claus e eu não entendia se era homem ou mulher, porque “santa” não poderia se aplicar a um homem. Nunca entendi essa tradução. Mas hoje em dia já virou “Papá Noel”, mesmo.

Aliás, a história das crianças ganharem presentes do bom velhinho, na Argentina, só começou mais na minha geração. Os mais velhos ganhavam presentes dos Reis Magos. Tinha várias tradições para esperar os 12 dias depois do Natal. Minha mãe conta que a família dela deixava preparados pedaços de bolo e leite para os Reis e uns potes d’água para os camelos, e saiam para a igreja. No caminho, o pai dela sempre dizia que tinha esquecido alguma coisa em casa e voltava. Quando voltavam da igreja, no jardim da frente havia marcas de pegadas dos camelos na grama, o bolo estava comido (com migalhinhas cuidadosamente espalhadas) e o leite meio bebido. E presentinhos para as crianças deixados em troca.

Mas voltando ao Nicholas, eu tinha te falado da Cantata do Benjamin Britten (“Saint Nicolas”). O Gustavo e eu a apresentamos quando cantávamos no coral, no CCBB. A cantata é ótima, pois o Britten é meio malucão. Tem movimentos bem calmos e religiosos, incluindo hinos tradicionais, e outros de pura aventura. A cantata vai narrando a vida do Nicholas, incluindo um monte de milagres bizarros que a tradição oral foi inventando e aumentando (o mais bizarro de todos é o dos três meninos que o açougueiro transformou em picles e o Nicholas ressuscita e eles levantam juntando os pedacinhos de carne do corpo – nham nham!). Mas sério, o coral faz coisas incríveis com a voz, inclusive sons de ventos e tempestades e coisa e tal. Vale a pena baixar a cantata, pegar a letra toda e ir acompanhando. (A letra é em inglês, tranqüilo de entender.)

Bom Sinterklaas pra vocês também!

Responder

Gus dezembro 6, 2008 às 17:26

Os Meninos Picles! O termo original é Pickled Boys, então é isso mesmo. A história parece que se baseia em alguma fome que devastou a Ásia Menor ou o sul da Europa na época do São Nicolau, ou como quer que se chame o bom velinho, e na tradição um açougueiro ou dono de uma taverna matou os meninos, fez picles, e vendeu para a moçada na taverna. Aparentemente, o negócio fez o maior sucesso. Até que o São Nicolau baixou na taverna, descobriu o negócio, e ressucitou os meninos. Bom, vá lá.

Essa música em si não é das melhores da cantata. Mas o verso é muito legal:

Tymothy, Mark, and John,
Put your fleshly garments on…

Muito interessante essa imagem do “Fleshly Garments”. Muito poético e macabro ao mesmo tempo. Para falar a verdade, em alguns momentos da cantata parece que o Britten (que se não me engano era ateu) transforma os já exagerados relatos da tradição oral do São Nicolau em coisas ainda mais exageradas e fantásticas… como por exemplo a música para o momento do nascimento, quando o Nicolau (que ainda não era santo) já nasce orando, fazendo milagres e cantando. Hehehe.

Para terminar o comentário gigantesco: eu vi uma reportagem na Der Spiegel sobre essa tradição, e especialmente sobre os ajudantes negros do Sinterklaas, os Zwarte Piet (é isso?). Parece que tem gente que critica pelo conteúdo racista da tradição. Mas convenhamos: o cara vem da Espanha, de navio e cavalo, sai distribuindo chocolates e docinhos para as crianças… e quando a crise aperta, pacotinhos de sal! Realmente, não dava para ficar mais maluco do que isso…

Responder

Gus dezembro 6, 2008 às 17:29

Aliás,

Dani, você deixou a cenourinha e cantou a musiquinha na véspera? Ou subornou os Zwarte Piet para eles deixarem um docinho na moita para você?

Cara, não se faz mais ajudantes de São Nicolau como antigamente. Deve ser a crise. Ou a globalização. Ou Bush.

Responder

Barts dezembro 7, 2008 às 13:34

Voce veja que a gente convive anos com as pessoas, faz amizade, batiza os filhos, está ao lado nas horas dificieis e nunca conhece alguem totalmente ….

Carol, voce é argentina???? :| Eu jurava que vc era brasileira! No mínimo agora vc vai dizer que o Gus é seu irmao gemeo, e nao seu marido!

Que fique claro que este comentãrio nada tem de preconceituoso, foi apenas a surpresa da coisa mesmo. Inclusive, to tentando ir pra buenos aires no proximo feriadao. Mas tipos, é que eu nao sabia mesmo, saca?

Sobre as migalhas do papai noel argentino, me lembrou um causo: la em casa meus procriam em estacoes, teve um ano que nasceu 3, por exemplo. Td munod tinha mais ou menos a mesma idade. Na pascoa, a gente fazia patinhas de coelhinho com os 3 dedos juntos, de farinha e agua, por toda a casa, subindo paredes, pelos sofás, estante acima, essas coisas. So paramos quando a Thaisa olhou aquilo e disse – nossa, que coelhinho mais porco, custava limpar os pés???

nao se fazem mais criancas como antigamente.

Responder

Carol dezembro 7, 2008 às 17:38

hehehe
Sorry Barts, espero que você não se sinta traída por descobrir meu segredo guardado a sete chaves depois de uma vida inteira compartilhada.

Se vc reparar no meu blog, tem pequenas dicas. Por exemplo, uma vez fiz empanadas argentinas, receita da mamãe. Coisas assim. Na verdade eu fui para o Brasil ainda bebê e sim, me sinto totalmente brasileira. Mas toda a minha família é argentina e meu argentinismo costuma aflorar quando o assunto é comida, e raramente quando o assunto são tradições, porque eu não cresci com tradições brasileiras.

Aliás, cadê os Ducs? Será que o açougueiro transformou eles em picles e o Sinterklaas foi lá colar os pedacinhos de carne de novo? É muito triste quando isso acontece.

Responder

Gus dezembro 7, 2008 às 17:43

Pois é, Barts, veja como são as coisas. Pelo menos ela não escondeu esse detalhe de mim, ainda bem. Mas vai saber o que mais eu não sei?

Pelo menos ela não liga para futebol, o que já ajuda.

Responder

carladuc dezembro 7, 2008 às 21:15

Oi,

Agora que o Sinterklaas nos colou de novo estamos aqui. :) hehehe
Essa foi muito boa! Rachei o bico.

Confesso que também ficamos surpresos com a revelação de que você era Argentina! E foi muito legal saber um pouco mais dessa tradição. Achei uma graça seu avô se esquecendo de alguma coisa e voltando pra casa pra arrumar os presentes e deixar os rastros bem direitnho. :)

Gus, eu imagino o quanto ajuda a Carol não ligar pra futebol! hehehe

Barts, poxa, maior cuidado pra preparar tudo. Realmente nã se fazem mais crianças como antigamente. :P

E nada de sal por aqui, mas pepernoten e letra de chocolate. :)

Obrigada pela participação de todos! Adoramos! :)

Responder

daniduc dezembro 7, 2008 às 23:47

Opa todos!. A cantata está anotada. Nào tenho baixado músicas por aqui, na verdade… mas vou procurar esta por aqui :)

Gus, o plural de Zwarte Piet é Zwarte Pieten. Não precisamos subornar ele não, nós nos comportamos direit…

OMFG!

COMO É??? A CAROL É ARGENTINA!?!?!

Responder

daniduc dezembro 7, 2008 às 23:57

Prnto, passou o choque. :) provavelmente como ela veio bebê pro BR, somente “lendo” não dava pra notar – daí o choque. Eu já vi isso acontecer, quando o povo descobrem que eu sou capixaba (saí de lá bebê), ou quando o Fred (amigo nosso, digamos, *bem* paulista) é carioca :) , também se assusta.

Gus, acredito que não ligar pra futebol deve realmente ajudar :)

Eu concordo com a Carol, acho essas tradições todas muito legais. Eu sabia que na Argentina era no dia de Reis, só não sabia que isto hhavia mudado. Acho que meus amigos argentinos (tinha *muitos* no colegial) estavam sendo criados no Brasil com tradições dos pais, que ainda mantinham os Reis ;)

Responder

Gus dezembro 8, 2008 às 00:30

O Fred é carioca? O mesmo Fred que eu conheci aqui em Toronto na casa do Rafa?

Responder

Carol dezembro 8, 2008 às 00:36

Caraca, estou me sentindo o Jason, chegando por trás e tentando matar os amiguinhos inocentes. Quando eu me mudei para o Rio (depois de morar a vida toda, até os 17 anos, em São Paulo), um dos primeiros amigos que fiz no Rio me disse um dia, com toda naturalidade: “Nossa, você é tudo de ruim. Argentina e paulista.” Fófis.

Mas aviso que ninguém reclama por aqui quando meu pai faz churrasco, eu faço empanadas e recomendo as melhores marcas do *verdadeiro* doce de leite para os amigos que achavam que aquilo que come no Brasil é doce de l… Ih, deixa eu parar antes que me chamem de argentina.

Aliás, vale lembrar que nosso ilustre amigo Mestre da Luz é um rústico peão boiadeiro do pantanal matogrossense.

Assinado: La cucaracha.

Responder

daniduc dezembro 8, 2008 às 00:36

@Gus:

shhhhh, não fala tão alto, que senão ele me mata por ter espalhado o segredo!!

É. esse Fred mesmo.

Responder

Carol dezembro 8, 2008 às 00:39

ah, esqueci de responder sobre os Reis: Quando a gente era pequeno, meus primos na Argentina pediam presentes de Reis. Mas isso mudou, mesmo. Papai Noel entrou de sola. Também, não tem como uns trecos tipo mirra competirem com um saco de presentes, né? Tudo culpa da Coca-Cola. :P

Responder

Carol dezembro 8, 2008 às 00:41

(Vixe, isto aqui está parecendo chat. Por que que a gente não está falando no Skype, alguém me explica?)

Responder

daniduc dezembro 8, 2008 às 00:46

@Carol:

ei, mas QUEM tá reclamando?? Eu fiquei *surpreso* – devido ao seu comando *perfeito* da língua portuguesa e da cultura brasileira havia percebido que vc era estrangeira. Mas ai quando vc disse que veio bebe pro BR e que se sentia brasileira, fez sentido: vc é, afinal de contas, brasileira (também), por isso q eu nao havia percebido. Ué. :)

A oferta dos alfajores por stroopwafels continua, aliás.

Responder

Carol dezembro 8, 2008 às 01:15

É que eu sou uma cucaracha undercover.

Tá, o fato de eu ser profissional de português também não ajuda a parecer que sou argentina.

Sabe que aqui em Toronto ainda não achamos alfajores? Muito triste. Compramos mate (chimarrão), doce de leite, etc., mas nada de alfajores. Mas eu tenho a receita de alfajores caseiros da minha mãe. E, naturalmente, todo visitante argentino chega aqui com uma oferenda de alfajores ou outras guloseimas argentinas. (O pior é que eu não sou nada fã de alfajores, troco feliz da vida por stroopwafels.)

Bom, chega, já dominei demais seu blog. Como o papo sobre Sinterklaas virou alfajor, não sei dizer.

Responder

Gus dezembro 8, 2008 às 01:52

hahahahahahahahaha

Eu nunca teria coragem de fazer isso, hahahaha

O interessante aqui no Canadá é você dizer que é do Brasil. Todo mundo olha para você com cara de “Nossa, que legal!”, mas não tem a menor idéia do que o Brasil é, onde é, do que fazemos lá, que língua falamos, e tal.

Engraçado.

No outro dia, estava na faculdade, de saco cheio em um final de tarde. Um cara do doutorado chega para mim e pergunta:

- que cara é essa?
- fhdjkhfdh
- mas por quê? Afinal, você é brasileiro!
- hgfjkgfghf… grrrrr…. e daí? O que uma coisa tem a ver com a outra?
- você são felizes, têm futebol, aquele lance da música…

Tá, ele tava de sacanagem com a minha cara, então deixei para lá…

O mais estranho é que muitas vezes estou falando em português com a Carol e alguém pergunta se somos italianos, ou franceses de Quebec, etc. Dá para ver que o cara situou a gente como latinos, mas não sabe exatamente de que país, hehe. Outro dia voltávamos de taxi para casa (os taxis aqui são invariavelmente dirigidos por paquistaneses) e quando pagamos o motorista respondeu “ouí” e “Mercí!”

Bom, não dá para culpar o coitado. Eu também não sei falar a lingua dele. E só sei que ele é paquistanês pelo nome. E ele foi gentil.

Responder

Carol dezembro 8, 2008 às 02:10

hehehe

Muito bom! Eu nunca tive coragem de tirar onda com os gringos…

Camiseta do “The Dude”, é? ;)

Esse negócio do espanhol/português é incrível. Aqui, no começo, eu me senti profundamente aliviada ao constatar que a maioria das pessoas com quem eu conversava sabia, ou pelo menos perguntava num tom semi-afirmativo, que no Brasil a gente fala português. Só que depois eu percebi que todas as conversas seguem o mesmo padrão, que geralmente começam perguntando o que eu faço e eu dizendo que sou tradutora de inglês, português e espanhol, e seguem mais ou menos assim:

- Mas então no Brasil não se fala espanhol, né? É português, não é?
Eu, esperançosa:
- Isso mesmo, português no Brasil, espanhol no resto da América Latina.
- Mas quem fala espanhol entende português, não entende?
Eu, começando a perder as esperanças:
- É, mais ou menos. São línguas parecidas.
- São muito parecidas, né?
- Mais ou menos.
- Mas as pessoas não se entendem? Elas não assim, quase a mesma coisa?
Eu, tentando disfarçar a irritação:
- São línguas aparentadas, como o francês, o italiano… Mas a compreensão não é assim tãaao fácil, não.

Nessa altura, alguns se conformam. Mas vários já tentaram me realmente convencer de que as línguas são tão, mas tão parecidas, que no fundo são a mesma coisa (para corroborar a idéia que eles têm de que todo mundo fala espanhol e pronto). Já chegou um ponto em que eu precisei explicar que eu era tradutora e as pessoas me pagavam para traduzir do espanhol para o português e vice-versa, e que se fossem a mesma língua ninguém me pagaria para traduzir, né?

Povinho cabeça-dura, sô! Duvido que eles tentem convencer um holandês de que certamente a língua que ele fala é a mesma coisa que alemão.

Responder

Barts dezembro 8, 2008 às 02:17

Ei, ei

Eu troco alfajores e stroopwafelz por … ahn .. por … tapioquinha? bombom de cupuaçu? ahn? ahn?

Nao … ok …

Mas eu posso “ganhar” alfajores e stroopwalfes, nao?

Responder

Gus dezembro 8, 2008 às 02:19

Holandês e alemão:

Ué, mas não é a mesma coisa? ;)

Responder

Carol dezembro 8, 2008 às 02:22

hihi, eu e o Gus estávamos escrevendo ao mesmo tempo e começamos dizendo a mesma coisa.

Esse taxista foi engraçado, a gente falou tudo em inglês com ele, mas entre nós dissemos algumas coisas em português e, no final, ele falou bem caprichado: “Merci!” Ficamos boiando, só depois deduzimos que ele achou que a gente estava falando francês.

Agora… “Eu também não sei falar a lingua dele. E só sei que ele é paquistanês pelo nome.”

Você *acha* que é paquistanês. Porque pode muito bem ser indiano, bengalês ou cingalês. Chega na cara de um bengalês e chama de paquistanês, se for macho!
:P

Responder

Gus dezembro 8, 2008 às 02:23

Oi Barts!

Eu adoro bombom de cupuaçú! Posso trocar por alfajores, mas só quando formos ao Brasil :(

Só podemos levar daqui Maple Syrup. E não é tão bom assim…

Responder

Gus dezembro 8, 2008 às 02:25

Carol,

um indiano com nome de Mohammed só pode ser paquistanês… ah, tá, desculpe, talvez da Kashemira.

Se nós somos todos hispânicos, eu decido se os de lá são paquistaneses ou indianos. É que nem essa mania de brasileiro de chamar sírio, libanês, turco, de árabe. Somos todos ignorantes, hehe.

Responder

Gus dezembro 8, 2008 às 02:27

O Dani!

O site está bloqueando a Carol! Ela está sendo tratada como spammer! LOL!
;)

Responder

Carol dezembro 8, 2008 às 02:28

Barts,

A muamba glicêmica rola solta por aqui. É só entrar no circuito. Qualquer coisa típica que deixaria um diabético em coma glicêmico está valendo. (Nada pessoal, diabéticos!)

CARACA! O Wordpress está me censurando! Disse que eu estou escrevendo comentários demais e me bloqueou. Mimimimi, magoei!

Responder

daniduc dezembro 8, 2008 às 01:31

@Carol:

uá, afajores caseirs com receita da mamãe tem cotação *alta* no mercado de stroopwafels. Vais fazer fortuna! :)

Aliás, essa história de cucaracha undercover, lembrei duma aqui em Amsterdam.

— post extra, exlclusivo pra quem lê comentários –

Eu e a Carla fomos passear no mecado das pulgas da Waterlooplein (Praça Waterloo, que aqui eles dizem vaterluúpléin), um imensa feirinha hippie a céu aberto (alguns, maldosos, diriam que Amsterdam é uma imensa feirinha hippie a céu aberto, mas ignoremos). Paramos pra olhar camisetas em uma banquinha, e o dono dela notou que falávamos português/espanhol (qual a diferença, afinal?). Conversamos um pouco, dissemos que éramos do Brasil. aquela coisa. No meio tempo, ele foi atender outro possível freguês, e enquanto continuávamos olhando as camisetas, o vaganundo começou a cantar “La Cucaracha” pra si mesmo. Eu interrompi-o na hora:

- Por que você está cantando nosso hino naciona?
- Hein?
- Esse é o nosso hino nacional, na verdade, o hino nacional de toda América Latina.
(cara de espanto do dono da barraqquinha)
Continuei: toda manhã, na escola, nós ficamos em posição de sentido e cantamos:
LAAA CUCARAAAACHA, cantei eu, em posição e sentido, mão no coração, LA CUCARAAAAAACHAAAAAA, JÁ NãooOOOo PUEEEeeeDEEESSss CaminAAAAArr
O cara me olhava desconcertado. Talvez a Carla também, não estou certo. Ela faz essa cara o tempo todo, não sei mais quando ela está desconcertada.
- Hã? Nossa. Sério, putz, não sabia…
- Nah, tô só brincando com você.
Ele ficou ainda mais desconcertado…
Comprei uma camiseta do Grande Lebowsky. Ao nos despedirmos o cara disse pra não fumarmos demias na ossa estadia aqui. Imagina, um dono de barraquinha hippie de Amsterdam me recomendou não fumar muito – e eu não fumo. Hah! Isso tem que ser uma espécie de Medalha de Honra.

– fim do post –

Ah, não tem essa de dominar! Comentários é território dos leitores! :)

Responder

juju dezembro 8, 2008 às 05:00

botei
meu sapatinho
na janela do quintal
papai noel deixou
meu presente de natal!
.
.
.
um D de chocowati – ahazento!

Responder

juju dezembro 8, 2008 às 05:02

“Talvez a Carla também, não estou certo”
hiushaiuhs

Responder

Barts dezembro 8, 2008 às 12:29

Tipos

Falando em paquistaneses e motoristas de taxi …

Voces sabem que eu fui pedida em casamento por um árabe motorista de taxi em nova iorque? Nao, pois é. Eu fui.

http://blog.cybershark.net/barts/2008/05/13/o-dia-em-que-fui-pedida/

Alias, este foi o segundo pedido de casamento esquisito do qual fui vitima.

Responder

daniduc dezembro 8, 2008 às 16:57

Ueba! Multicomments! Vam’lá!

@carol: “Eu nunca tive coragem de tirar onda com os gringos…

É muito mais fácil quando eles começam a tirar onde de você primeiro, como no caso :)

@gus: “Holandês e alemão:

Ué, mas não é a mesma coisa? ;)

Hm, não. Alemão é uma língua *muito* mais pura (/me ducks, and runs :D )

FULL DISCLOSURE: essa piada é do Undutchables. Sim, eu cito Undutchabels com alguma freqüência. É indispensável pra qualquer expat que venha parar aqui nas terras baixas.

Ah, quer dizer que o WP está bloqueando os amiguinhos, é? Pódeixar, eu vou chamar a atenção dele, pra ele prestar mais atenção às credenciais.

(Ele pediu desculpas e disse que não vai mais acontecer)

Responder

daniduc dezembro 8, 2008 às 17:07

@carol: “Como o papo sobre Sinterklaas virou alfajor, não sei dizer.

Conversa de Sinterklaas virar de Alfajor?? Isso é LOUCURA!
- Não. Isto é AMSTERDAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAMMMMM (ducs em…)!

Responder

Gus dezembro 8, 2008 às 23:49

HUahuahauhuahuahuahauha

Responder

Gus dezembro 9, 2008 às 00:01

Barts:

caramba, o que mais acontece com você? Hahahahaha. Muito insólito.

Responder

Carol dezembro 9, 2008 às 00:03

HAHAHAHHA

Nossa, quanta trabalheira! Por causa de uma telinha que me disse “You are writing comments too fast. Slow down.” Tá, tudo bem que depois disso eu tive pesadelos com a sala de tortura da Thought Police sob o olhar do Big Brother, mas já passou.
:)

Responder

daniduc dezembro 9, 2008 às 00:07

@Carol:

foi trabalheira não, a coisa toda durou uns milisegundos, linguagem de máquina e tal. É que a tradução fica mais extensa. Mas tranqüilo. Ops, tranquilo. Enfim. Sussa.

Responder

Barts dezembro 9, 2008 às 00:08

O wordpress bloqueou a carol porque ela é argentina?? Foi isso que ele disse nas entrelinas???

Meu deus, onde este mundo vai parar?

A carol, argentina, o wordpress, bairrista e o daniduc, pra completar, é capixaba!

Responder

daniduc dezembro 8, 2008 às 23:17

BTW, a conversa com o WordPress foi assim, ó:
(já traduzida na maior parte)

- TRR. TRR. TRR.
- Ducs em Amsterdam, Wordpress, boa tarde!
- Oi Wordpress, é o root. Pode dar um pulinho aqui na salinha, faz favor?
- Indo, chefia.
*CLICK*
Milisegundos depois, ele chegou.
- [HTTP 1.1 - OK] – Chamou, chefia?
- Opa, sim, entra aí. Senta. Seguinte, eu notei que aconteceu um probleminha no turno da madrugada…
- Oi? Não, chefia tudo normal.
- É que houveram uns bloqueios…
- Ah, isso. Pois é, chefia eu tô orgulhosos de mim mesmo! Um spammer, sabe, ele conseguiu de algum jeito ter o primeiro comentário aprovado, e aí tava aproveitando pra mandar um monte direto, sem passar pela checagem, sacas? Mas eu fui lá e cortei as asinhas…
- Não era um spammer.
- …dele, e.. Hein?
- Não era um spammer. Era a Carol.
- A Carol?? O senhor tá falando da moça de Toronto??
- Isso.
- Tá de brincadeira!
- Não.
- Ahhhh, chefia! Nem fala!
- A Carol, Wordpress, A CAROL!
- Po, chefia, é que eu não reconheci!
- A CAROL? Po, Wordpress, não me fode, como que você não reconhece a Carol?!
- Mau aí chefia, é que eu vi um comentário dela falando que ela argentina…
- E?
- E, poxa chefia, a Carol! Eu tinha aqui pra mim que ela era brasileira…
- Ela é.
- Mas, ela disse que…
- Ela é argentina também.
- Ah. Certo.
Ele fez uma pausa. Depois disse:
Pisei na bola, né?
- Amram. Pisou.
- Putz, nem sei o que dizer.
- Tente “desculpa, Carol”.
- Opa, claro. Lógico. Desculpa, Carol.
- Eu vou passar pra ela. Só garanta que não vai acontecer de novo, ok?
- Vou fazer o máximo, chefia. Errare computadorus est.
- É isso. Pode ir.
- Té mais, chefia! [CONNECTION CLOSED]

Responder

daniduc dezembro 9, 2008 às 00:32

@Barts:

O WP né bairrista nào Barts, foi um mal entendido. Ele achou q não era a Carol, tava acostumado com uma credencial, veio mais uma, aí ele se atrapalhou, coitado. Agora, eu sou capixaba mesmo, isso daí é verdade. O glorioso estado do Espírito Santo produziu 3 coisas dignas de nota: chocolates Garoto, Roberto Carlos e eu. O quão positivo é cada um deles, varia de acordo com a fonte. Enfim.

Caramba, é melhor eu parar de comentar e ir fazer outro post, hora dessas, hehe.

Responder

Gus dezembro 9, 2008 às 02:56

Dani,

eu ia dizer que tenho dúvidas se o Roberto Carlos é realmente digno de nota.

Mas ele é o orgulho da cidade de Cachoeiro de Itapemirim.

fazer o que, né?

Quanto a você, bem, você não é apenas uma das 3 coisas dignas de nota do Espírito Santo. Também é uma das três coisas dignas de nota de Amsterdam, junto com o Stormtrooperwafle e o Sinterklaas (xí, mas ele mora na Espanha, expatriado conta?). Carla, sinta-se incluída no “digno de nota” do Dani.

Abraços puxa saquíssimos (e interessados no Strumpfwafle),

Gus

Responder

daniduc dezembro 9, 2008 às 12:44

@Gus:

Em Amsterdam a concorrência é forte, então sinto-me profundamende honrado pela menção. Stroopwafels pra todos, pra comemorar!!!! :)

Responder

Barts dezembro 9, 2008 às 12:53

Yay, vc manda aqui pra barra mansa ou eu busco ai em sao paulo? Hein? hein???

Responder

daniduc dezembro 9, 2008 às 12:58

@Barts:

como assim, “” em São Paulo?

Responder

Barts dezembro 9, 2008 às 13:56

ué … em algum momento vc vai visitar sao paulo, ne? e ai, tipos, vai deixar stroopwafels la com a aline e o érre, nao? Eu posso buscar la, se bem que eles desapareceram, nao atendem mais qd eu ligo e qd eu passei la na casa deles eu vi que a aline me viu e saiu correndo … tadinha .. devia estar apertada para ir ao banheiro ou se lembrou de um compromisso urgente …

Dps eu liguei pra eles mas qd eles atendiam o telefonema ficava caindo … e ai me ligou um moço dizendo que se eu fizesse isso de novo ele me processaria.

Nao entendi o porquê. Será que é proibido ligar pras pessoas muitas vezes?

Responder

daniduc dezembro 9, 2008 às 16:41

barts; ué … em algum momento vc vai visitar sao paulo, ne?

Ué. mas ainda assim seria em São Paulo, não?

Nao entendi o porquê. Será que é proibido ligar pras pessoas muitas vezes?

De modo algum. Nem é proibido tomar esse remedinho. Vai fazer você se sentir melhor… isso… olha, os homens de branco são seus amigos. Isso… não, a camisa é assim mesmo, sem abertura pra mão na manga, super na moda, você vai ficar demais. A manga é muito comprida, você acha? Tem problema não, eles amarram nas costas, vai ficar show, você vai ver… depois você vai prum quarto super confortável, todo acolchoado, vc vai adorar. Lá você vai poder… “falar” com todos os seus “amiguinhos” quantas vezes quiser, tá? É só falar que eles escutam…

Responder

Gus dezembro 9, 2008 às 16:52

É, Barts, e aquele choquinho que eles aplicam de vez em quando é bom para você…. para a circulação, quer dizer. E deixa a pessoa calminha e feliz.

Responder

carladuc dezembro 10, 2008 às 00:17

@Gus,

Honrada com a menção. Obrigada! :)

Ah, além dos stroopwafels, tem outra delícia que descobrimos no último sábado: Oliebollen! :)

http://marinaeronnie.blogspot.com/2008/12/oliebollen.html

Responder

Algo a dizer? Manda bala! :)

(Ah, você tem uma dúvida? Muitas das perguntas já foram respondidas! Dá uma lida lá, pode te poupar muito tempo!)

Você leu a Política de Comentários aqui no Ducs?

Dê lá o seu recado!

Notifique-me de novos comentários via e-mail. Você também pode se inscrever sem comentar.

{ 6 trackbacks }

Previous post:

Next post: