Haia certamente não é uma cidade tão pop entre os turistas quanto Amsterdam. Porém, é bonita e muito charmosa, na minha suspeitíssima opinião de residente (vocês já devem saber a essa altura que me mudei de Amsterdam para Haia em abril deste ano.) Além das típicas casas holandesas, o centro tem cafés, galerias de arte, sebos (incluindo uma feira de livros que ocorre de quinta e domingo de maio a setembro, onde já fui inúmeras vezes, sempre voltando com a carteira mais leve e a mochila mais pesada).
Árvores tombadas
E as árvores de Haia contribuem pra muito desse charme e ambiente agradável. Enormes, muitas são centenárias, e sua longa participação na vida da cidade acabou sendo reconhecida num programa chamado "Monumentale bomen" — algo como "árvores tombadas". Essas árvores recebem atenção e cuidados especiais da Municipalidade de Haia e devem atender a um dos seguintes critérios:
- A árvore é insubstituível
- A árvore tem valor histórico cultural
- A árvore é rara devido à sua forma
- A árvore é rara devido à sua espécie
- A árvore é rara devido à espessura de seu tronco ou à sua altura
- A árvore é especialmente bonita
- Abriga plantas ou animais raros
Além disso, as árvores devem estar em boa condições e ter mais de cinquenta anos de idade.
Fonte: Site da Municipalidade de Haia [em holandês, traduzido por mim. Eventuais erros são culpa minha]
Como reconhecê-las? Bem, você vê uma bela árvore, como essa, logo na frente da Den Haag Centraal Station:
...pensa, que bela árvore, boa sombra...
E então você encontra uma placa no chão, próxima à árvore, contando a espécie, a quantidade de árvores na área e porquê ela foi tombada:
Lange Voorhout - área histórica, centro cultural, arborizada desde o século XV
Não muito longe da Estação Central, você chega ao prédio do Parlamento Holandês, o Binnenhof, um dos símbolos político do país. (Você sabia que Haia é onde fica a sede do governo, da monarquia e as embaixadas na Holanda? Veja mais sobre a política da Holanda). Logo na frente do Binnenhof há uma rua, na verdade meio rua, meio praça, em forma de L, chamada de Lange Voorhout (achou difícil? Dia desses te conto como era o nome da minha rua em Amsterdam. Diversão pra família toda pronunciar aquilo).
Na Lange Voorhout é que acontece a feira de livros que mencionei, e é uma área com origens no século XV, quando bordejava o antigo Bosque de Haia (mas não era parte do bosque em si). Há 800 anos atrás foram plantadas as primeiras árvores, e hoje todas as árvores da área são tombadas, sendo as mais antigas que ainda estão lá plantadas em 1745. No total, toda a área contém 332 árvores tombadas, e, caso uma árvore morra e outra precise ocupar seu lugar, a nova imediatamente é considerada tombada também.
Além da feira de livros, outras coisas acontecem na Lange Voorhuot, como, nesse momento, uma exposição de esculturas ao ar livre.
Conhecendo Haia através de suas árvores
Se você curtiu a história das árvores de Haia, um dos jeitos de passear pela cidade é fazer uma rota circular de 5 quilômetros pelo centro, passando por diversas. É uma maneira muito interessante (e original) de conhecer a cidade em uma tarde de bom tempo (o clima na Holanda não é o mais amistoso, mas há dias bons o suficiente, especialmente fim de primavera e começo de verão). Pensando justamente nisso, a Municipalidade de Haia criou um roteiro com as árvores marcadas e identificadas. Infelizmente, só achei o PDF do roteiro em holandês. Porém, o mapa é universal e pode ser seguido normalmente. Se quiser arriscar, está na página dois do PDF com roteiro das árvores tombadas da Municipalidade de Haia [NL].
E se você tem interesse em Haia, seja em visitar ou em morar, eu recomendo altamente o site da Municipalidade de Haia: é extremamente completo, atualizado e bem feito. Sim, claro, a maior parte das informações está em holandês, mas há versão bastante completa em inglês e até algo em português.
Eu escrevi um artigo com as principais atrações de Haia.
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{ 3 comentários… leia abaixo ou deixe um }
Já sabe que vai ter que falar o nome da rua nos comments, né? hahahaha
Achei “bijzonder mooi” a árvore em frente à CS, e a iniciativa de tombá-las é muito louvável, nestes tempos onde muito acreditam que o meio-ambiente é inimigo do progresso. Pura balela e falta de comprometimento. Gostaria que algumas árvores enormes e lindas daqui de Santos também fossem salvas deste jeito…
Abraço!
Adorei o artigo!!! Adoro arvores e nao sabia dessas plaquinhas explicativas. Heeeeel mooi!
@ Diego: concordo, qdo vou a Santos (onde fui criada) tenho sempre medo que algumas belas arvores tanto no centro da cidade como na praia acabem virando palitos de dente!! Quem sabe um dia eles tombarao nossas belas arvores centenarias tbem… Ao menos, a ciclovia chegou… atrazada, incompleta… mas chegou…
Conhecer Haia por meio das árvores: que pauta! Grande idéia.
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