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Top 8 dicas de lanches de rua na Europa: minhas street food favoritas

por Daniel Duclos em 18/01/2012

Confessa: comer na rua é bom demais! Eu sempre curti, desde quando morava no Brasil.

Tá, eu não recomendo o dogão duas salsichas GRATES SUCO, "grates" com o S escrito invertido, do Largo da Batata em Sampa. Hey, me dê um desconto! Eu tinha 15 anos, muita saúde, pouco dinheiro e nenhuma noção (desde aquele dia, menos saúde e mais noção).

Mas enfim, quando me mudei pra Europa e passei a viajar por aqui, uma das coisas que gosto de fazer é experimentar a comida de rua. É um jeito gordo e gostoso de conhecer a cultura do país.

Sério! Comida de rua é comida pé no chão, comida que o povo consome, democrática, barata, feita e servida por locais para quem chegar e tiver algumas moedas e um estômago resistente. E é feita há tanto tempo que faz parte da alma do país.

O croquete, por exemplo, é tão instrinsecamente holandês que foi a coisa que mais os holandeses expatriados citaram que sentem falta (por algum motivo não foi a chuva constante, vai entender).

Então, hora de economizar, se empanturrar e explorar a alma local com as minhas Top 8 comidas de rua favoritas na Europa.

Comida de rua e lanches na Europa

munch munch munch

1. Fish and Chips em Londres

O fish and chips londrino inaugura uma tradição que irá se estabelecer nessa lista: pegue algo facilmente obtível e mergulhe em gordura fervente até ficar dourado, crocante e letalmente gorduroso. Quase qualquer coisa fica gostosa assim, e no caso britânico foram peixe e batatas. No caso, batata palito, não o que os americanos chamam de "chips", a batata redondinha.

O negócio é extremamente famoso, e uma das primeiras providências que tomei ao me livrar da imigração britânica com um "leave to enter" foi caçar uma birosca com fish and chips. Não fui longe, bastou dar uma volta na quadra do hotel.

Fui muito bem atendido por um balconista que logo notou minha cabacisse em termos de fish and chips e me orientou no processo de escolha (isto é, se eu queria sal e vinagre por cima da coisa toda ou não, era o mesmo preço. Eu quis). Saí aliviado de poucos pounds e carregado de gordura e gostosura. Comi sentado numa mesinha na calçada, apreciando a friaquinha londrina ao lusco-fusco, pouco antes de me mandar para a palestra do Neil Gaiman em pleno Halloween.

Foi... legal. Bem legal.

2. Šunka (presunto) em Praga

Prague - Praga

O Badá, do Minha Vida em Praga, nega, mas eu digo que tcheco vegetariano é aquele que só come bacon depois das duas da tarde.

A Carla, que não é a pessoa mais fã de carne no mundo, já tava ansiando por alguma clorofila, e, após muito insistir achou um restaurante com uma seção "vegetariana". A seção consistia de zero uma salada solitária. Continha bacon.

Juro.

Ela pediu essa mesma, e veio uma seleta de legumes, dessas em lata. Provavelmente o chef, confuso com esse conceito de "salada" tinha uma lata desde 1967 estocada pra caso a Guerra Fria descambasse pra conflito nuclear e ele precisasse de uma coisa pesada pra jogar nos zumbis.

Enfim, a República Tcheca é um país de carnívoros, e um dos melhores jeitos de viver isso é comendo um presunto de Praga, assado na rua em grandes nacos sobre um fogo aberto.

Presunto assando nas ruas de Praga

Em Praga a carne é bruta

Peça, peça, acompanhe de mostarda e da verdadeira Budvar (a verdadeira e original Budweiser que, céus, nada tem que ver com a aguinha amarela e suja dos americanos) e coma de preferência no frio com os pés enterrados na neve. Essa parte é opcional, na verdade, mas foi o que fizemos.

3. Crêpe em Paris

Ok, das brutas carnes tchecas pros delicados crepes de Paris. Da primeira vez em que fomos a Paris, sobrevivemos de crepe na rua.

A capacidade calórica de um bom crepe é tamanha que engordei uns 2 quilos, mesmo andando 14 horas por dia. Deviam fazer estudos científicos sobre isso. Sou o primeiro voluntário pra ficar comendo crepe e andando em Paris. Sofrerei muito, mas tudo pela ciência!

Na segunda vez em que fomos a Paris, resolvemos fazer a coisa com mais cuidado e seguir dicas mais locais e fingirmos que éramos moradores da cidade-luz. Isso incluiu crepe, claro, porque crepe é local (mentira, incluiu crepe porque é gostoso), mas daí fomos a uma creperia e não na barraquinha.

Paris crepe

Foi muito gostoso e se você tá curioso, eu contei tudo e incluo o endereço no artigo sobre nossas dicas dos moradores de Paris para comida.

4. Gaufre na Bélgica

O gaufre é o famoso waffle, invenção belga que se disseminou, justificadamente. Os belgas pra variar mandando bem na arte de comer (e beber).

Aliás, os belgas mandam tão bem que são bastante metidos, alegando que fazem o melhor chocolate do mundo, a melhor cerveja e que inventaram a batata frita.

Dá um pouco de raiva porque é tudo verdade (no caso da cerveja e do chocolate; quem inventou a batata frita depende de que lado da fronteira com a França você pergunta. Eu pessoalmente não me importo minimamente, contanto que as batatas sejam gostosas, e as belgas certamente são).

Voltando ao gaufre: embora outros povos comam gaufre salgado (os bárbaros!) o belga é tipicamente doce, coberto desde um singelo açúcar polvilhado até gordas caldas prontas para aquecer seu humor e seu coração (provavelmente de tanto ele trabalhar pra te carregar depois).

O melhor gaufre que comemos tinha tudo pra dar errado: foi na estação central de Antuérpia (uma linda estação aliás), uma barraquinha lá dentro, com uma tremenda cara de engana turista.

Pois enganou dois turistas: nós. Achamos que era roubada e fomos nela só porque estávamos com gula... hã... fome, e nos enganamos, era muito gostosa, e comemos lá sempre que passamos por Antuérpia.

5. Vlaamse frites na Belgica (e, ok, Holanda)

Ah, o famoso enfarte no coninho. Recomendei como uma das top 5 coisas pra se comer em Amsterdam ou na Holanda. As batatas são fritas, derrubadas em um cone de papel e, se você for seguir a tradição, afogadas em um tremendo sblorb de maionesão.

Sim, as famosas fritas flamengas (vlaamse frites) são melhor apreciadas com maionese (met mayo) para horror dos cardiologistas e amantes da culinária sofisticada. Dizem que cada vez que alguém pede uma um francês morre de desgosto, mas eu duvido porque as filas pras fritas são imensas e a França continua cheia de franceses (horrorizados com a idéia geral de "Holanda" mas ainda assim, vivos).

Além disso há toda uma polêmica de quem faz as melhores, os belgas ou os holandeses (os belgas), mas quer saber? Experimente a dos dois, se empanturre e enfarte feliz.

Ah sim: você pode pedir com outros molhos, não necessariamente maionese, e pode até pedir sem nada (não sabe o que está perdendo).

6. Kibbeling na Holanda

O kibbeling é como uma versão holandesa do fish and chips inglês sem o chips, e em vez de vir um pedação são vários pedacinhos. Tá bom, não é tão parecido assim.

Mas o peixe é o mesmo, que em holandês se chama kabeljauw (cod fish em inglês), e é também frito com casquinha (empanado, mas quando eu era moleque eu pedia bife com casquinha pra minha mãe), e é salgadinho, gordo e muito bom.

Se feito na hora, claro. Existem algumas armadilhas em Amsterdam que põem o kibbeling no microondas pra esquentar. Se você vir o vendedor fazendo isso, fuja. Gordura frita requentada é algo triste.

Mas se comprado na beira da praia, minhão! Em geral é feito na hora, sim, e nem preciso dizer que pode mandar com uma breja boa.

(De Amsterdam você chega na praia em uns 20 minutos, pegue o metrô ou trem até a estação Sloterdijk, desça e lá pegue o próximo trem pra Zandvort aan Zee. É uma praia, juro. E vende kibbeling. Que é muito mais gostoso na praia, não sei se falei.)

Zandvoort

Eu tinha uma foto melhor da barraquinha que vende kibbeling na praia, mas eu comi. A foto.

 

O kibbeling pode ser vendido, como tudo na Holanda (exceto possivelmente carros) com ou sem maionese.

7. Currywurst em Berlim

Currywurst em Berlim

Com fritas, lógico.

Ah, a curryworst de Berlim, uma síntese do espírito berlinesco. Segundo o Lonely Planet Berlin (p. 179), ela é "tão parte da trama cultural de Berlim quanto o Brandenburger Tor".

E eu nunca tinha ouvido falar.

Mas na busca de trocar ignorância por gostosuras, logo aprendi o que era e saí a caça da famosa salsicha frita e coberta com curry vendidas nas ruas de Berlim afora.

Eu não iria deixar o fato de estar fazendo menos 10 graus na noite berlinense me impedir de ficar de pé degustando a currywurst acompanhada de sorvete de maçã (que 3 minutos antes era suco de maçã).

É boa sim, mas a minha maior frustração foi a comunicação com o vendedor da barraquinha. Obviamente que ele não fala inglês. Eu falo picas de alemão. Mas após alguns anos de sofrimento, aprendi um pouco de holandês.

A desgraça é que são duas línguas germânicas com muita coisa em comum, e eu ficava no impulso louco de responder em holandês pro cara.

Talvez eu tenha respondido. OK, confesso, respondi. Ele me olhou como o alienígena que sou. Felizmente, o atendente falava Euros e dedo apontado, e não passei fome.

Nossa viagem para Berlim.

8. Kroket da Van Dobben na Holanda

Ah, pois, o famoso croquete da Holanda. Uma pequena porção de holandezisse empanada e frita, consumida fora ou dentro de um pequeno pão macio (caso em que o kroket vira um broodje kroket), em geral tuchada de mostarda (não confundir com o líquido amarelo que o McDonald's oferece em sachês, tô falando de mostarda mesmo).

O recheio não é abundante (provocando injustificadas tiradinhas sarcásticas aludindo ao extremo senso de economia holandês que povos mais esbanjadores confundem com pãodurismo), mas na medida certa.

A mera lembrança do singelo lanche arranca suspiros dos expatriados holandeses, enchendo suas mentes de imagens de terras baixas, frias e varridas por um gélido e constante vento (exceto duas semanas em abril) e suas narinas do cheiro das bicicletas em flor, suspiro...

Bicicleta na Holanda: primavera

Se você quer saber o gosto da alma holandesa, coma um kroket — alguns dizem que do Febo, outros da Van Dobben, ah, dane-se, o artigo é meu, o da Van Dobben não tem nem comparação com o do Febo. Duvida? Experimente os dois, mas não ao mesmo tempo, e pondere a questão cuidadosamente enquanto anda pelas ruas de Amsterdam a mascar e exclamar em intervalos:

— Lekker hoor!

Esqueci algo? Compartilhe a gordice!

Essas são as minhas favoritas, mas tenho certeza de que tem muito mais por descobrir. Me ajude e conte aí nos comentários quais as comidas de rua que você acha imperdíveis.

Daniel Duclos (Daniduc), é um brazuca que mora na Holanda com a esposa, também brasileira, desde novembro de 2007. Criou o Ducs Amsterdam, o qual escreve, fotografa e edita. Em 2011 lançou um guia de Amsterdam e virou pai de uma linda garotinha, com quem redescobre o mundo todos os dias.

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