"O melhor guia online sobre Amsterdam, em português" — Estadão




Dicas de Berlim: transporte público e impressões

by Daniel Duclos on 23/01/2009

Curtir!

Berlin - Reichstag Dois dias antes de embarcar pra Berlin eu consegui cair da calçada e torcer o pé, o que foi incrivelmente estúpido e irônico, considerando que andei de patins e sobre lagos gelados sem grandes problemas, mas uma calçada me derrotou, acabando alguns centímetros antes do que eu esperava, resultando num pisão em falso e um trambolhão. Me entupi de anti-inflamatório, gastei um tubo de pomadinha de arnica holandesa e lá fui eu manquitolando para capital alemã. Devido à minha condição, aventou-se a hipótese de tomar um ônibus de turismo, daqueles sight-seeing, hop on hop off, por vinte euros ao dia. Mas se tem uma coisa que eu e Carla gostamos, é explorar a cidade usando o transporte público regular dela. Conhecer uma cidade não é só ver os seus monumentos e locais históricos, é também ver e entender um pouco de como ela funciona de verdade, no dia-a-dia. Obviamente que para entender uma cidade de verdade é preciso passar muito tempo nela, morar, talvez, mas ao sentarmos (ou nos espremermos, conforme o caso) com os locais nos trams, metrôs, ônibus, ao andarmos pelas ruas que eles andam, ver como eles são, andam, onde compram, como dirigem, atravessam a rua, entender a organização da cidade, norte, sul, leste, oeste e como essa geografia influencia na locomoção e na vida, temos uma janelinha pra alma da cidade. O que é diferente de sentar em um limbo multinacionais de pessoas tão estranhas àquele lugar quanto você e sair, sem ter idéia de como, em  frente à monumentos que você não sabe conectar ou integrar na cidade. Além de economizar uma grana, claro :) Então, sem bumba de turista. Pus o pé machucado bem apertado na bota, taquei o Lonely Planet na mochila, a mochila nas costas, e fui, eu mais Carla, aprender a andar em Berlin.

Transporte público

Berlin Estação de trem (S-bahn)

Uma estação de S-bahn em Berlin

Berlin é servida por ônibus, tram (no Brasil chamamos de bonde), trem (S-Bahn em alemão) e metrô (U-bahn em alemão). Primeira lição, você deve comprar o bilhete de transporte antes de embarcar. Nas estações de metrô tem máquinas automáticas que vendem bilhetes e aceitam dinheiro, cartão de débito e crédito. Existem 3 zonas em Berlin, A, B e C. Pra turistar, você irá precisar basicamente das zonas A+B. O bilhete dá direito a andar em todo o sistema de transporte, incluindo trens, contanto, claro, que você fique dentro das zonas que pagou. Existem diversas opções de bilhetes - viagem única, 4 viagens. Nós optamos por comprar um bilhete válido pelo dia todo - em janeiro de 2009 ele custava €6,10. As máquinas de venda tem menu em 4 línguas, obviamente inglês sendo uma delas, mas foi surpreendente como conseguimos nos virar razoavelmente bem nos menus em alemão devido aos nossos parcos conhecimentos de holandês. Comprado o bilhete, é preciso validá-lo nas máquinas amarelas antes de embarcar. Se você resolver dar de esperto ou, cof, "esquecido", "turista perdido", está sujeito à multa. Os fiscais de Berlin não andam uniformizados, aliás. Pode ser qualquer um no transporte. De repente, aquele senhor tranqüilo levanta, tira uma carteira de identificação e sai a pedir os bilhetes. Os espertinhos acostumados a lembrar que deixaram a torneira da pia aberta em casa e dar meia volta quando avistam um fiscal uniformizado de longe irão dançar com €40,00 pra ter e memória melhorada da próxima vez. Quando um fiscal começou a pedir bilhetes no nosso vagão, nem me cruzou a mente que fosse um fiscal. Achei que era alguém pedindo um troco, e sacudi negativamente a cabeça. Daí todos começaram a pegar os bilhetes e ele mando pra mim "tickets, please" (que é mais inglês do que o fiscal do metrô de Paris se dignou a falar comigo). Ops, sorry. Tickets. Tudo certo, sem multa para os Ducs. :)

Berlim - Estação de trem

Uma estação mais moderna de S-Bahn

As máquinas de venda de bilhetes também permitem que se consulte o mapa da rede de transportes de Berlin, o que pode ser uma mão na roda - as estações não são tão bem sinalizadas como as de Londres, por exemplo, ou Paris. Nós penamos procurando o mapa da rede de transporte nas estações de metrô, mas não achamos fácil. Até nos ligarmos que nas máquinas tinha. Quem salvou a pele enquanto isso foi o mapa (resumido) do Lonely Planet. De uma próxima vez, eu irei imprimir a rede do site de transporte públic de Berlin (linhas de tram aqui).

Uma versão mais barata e mais "local" ao ônibus de turismo é pegar a linha 100 de ônibus no ponto inicial, na frente do Reichstag, e ir sentar no andar de cima - os ônibus têm dois andares. Ela passa por diversos pontos turísticos de Berlin até seu ponto final, na Zoologischer Garten metro. É uma alternativa popular (e barata) entre turistas e locais.

O site da rede de transportes públicos de Berlin é excelente e tem muitos recursos - todas as linhas, preços, rotas, mapas, regras de funcionamento e mais. Vale a pena explorar (eles tem inclusive um jorney planner para celulares e outros aparelhos moveis, o que pode ser bem útil se você tiver um smart phone europeu ). E, oh, tem uma versão em inglês bastante completa.

Berlin

Estação de U-bahn

Impressões

A maioria das cidades européias tem muito o apecto de antigo misturado com moderno, mas em Berlin isso é agudo, com arquiteturas díspares, de todas as épocas e períodos convivendo. Berlin é uma cidade com grandes cicatrizes (urbanas, mas não só),  marcas fundas de seu passado, o que me parece uma evolução boa - até outro dia, ela tinha grandes feridas abertas. Vocês, jovens que lêem o Ducs, talvez não lembrem, mas o muro e duas Alemanhas eram reais durante um bom naco da minha vida, embora eu só viesse a ter uma pálida idéia do impacto que este e outros eventos dramáticos da história do mundo que lá aconteceram ao me deparar com os rastros deixados por eles. Uma cidade que foi dominada por uma ditadura sanguinária (vocês sabem do que eu estou falando, o N. Me recuso a usar a palavra, ou o nome do ditador assassino que a liderou, para não atrair buscas indesejáveis via Google), bombardeada, invadida, dividida em dois do dia para a noite, com uma das metades vivendo por mais trinta anos sob outra ditadura totalitarista.

Claro que Berlin é muito mais do que história, ditaduras, passado misturado ao presente. Há uma juventude que agita uma vida cultural rica, alternativa, de vanguarda, mente aberta. Mas para mim, ao menos, para ver Berlin é preciso saber, ou querer saber, de seu passado. Entender como ele desenhou essa cidade que mistura arquitetura monumental soviética com prédios ultra modernos, construído nos espaços abertos por bombas ou deixados vazios quando o muro caiu. Ver como os berlinenses escolheram reconstruir, recomeçar, fechar as feridas sem apagar as cicatrizes, que estão lá também para lembrar, pois lembrar é o primeiro passo para se reconciliar com o passado e assim se mover para o futuro, foi meu objetivo, pelo menos nessa primeira visita (primeira de muitas, sou um cara otimista). Se você tiver esse mesmo interesse em sua visita à Berlin, compre um guia que fale da história dela antes de ir. Ou mesmo, futrique na Wikipedia, ou dê um jeito de pelo menos ter uma noção do que lá aconteceu, porque o que lá aconteceu foi importante, dramático e tem reflexos muito vivos até hoje, no mundo todo, inclusive.

Hotéis - Você pode procurar também no Booking.com por hotéis em Berlim!

Related Posts with Thumbnails
Daniel Duclos (Daniduc), o autor do texto, mora na Holanda, desde novembro de 2007. É o editor do Ducs Amsterdam, o qual escreve, fotografa e ilustra. Possui também um portfolio on-line pra suas fotos e ilustrações.

Quer ser um autor do Ducs Amsterdam também? Veja como fazer!

Procurando hotel pra sua viagem?

Eu escrevi um artigo com muitas Dicas de hospedagem.

Se você fizer sua reserva através dos links aqui no Ducs, eles repassam uma comissão pra gente. Então é uma forma de descolar um lugar legal, pagar menos, ter suporte em português e ainda retribuir o Ducs em Amsterdam! :) Todo mundo ganha!

Ah... e o Booking lista hotéis no mundo todo! Não precisa ser só em Amsterdam!

Continue a viagem:

Tá com dúvida? Taca ela aqui:

{ 17 comments… read them below or add one }

Barts janeiro 23, 2009 às 16:41

Qd voce fala de cicratizes do evento ocorrido em 49, estamos falando de eventos arquitetonicos, fora o muro em si?

Tipo, as cicratizes estao nas construcoes? Predios derrubados deixados assim e talz?

Qd eu fui a NY, vi a esfera de bronze que ficava entre as torres gemeas foi resgata dos escombros, absolutamente danificada, e colocada “no estado” numa linda praça florida, com uma chama acesa, homenagem aos mortos. Isso ficou bacana.

Por outro lado, no ground zero, por toda a volta, existem marcas da tragedia, com fotos dos falecidos, e etc. O clima todo parece meio que eles nem deram um passo adiante, saca? Ficaram ali, remoendo a coisa toda … Nao me senti bem la nao …

Responder

daniduc janeiro 23, 2009 às 16:50

@Barts:

As cicatrizes são prédios novos encravados em meio a vizinhanças antigas, ocpuando o que antes era terra devastada, seja por bombas, seja pelo muro (a ferida não está mais lá, foi ocupada por tecido novo, que ocupa o espaço e completa, mas ainda assim é possível distingui-lo do antigo), são restos do muro aquie ali, uma linha no chão demarcando onde ele passava, é um lado oriental desenvolvido de maneira distinta do ocidental, é um complexo arquitetônico mega-moderno, como o Sony center, com a única coisa que restou de um dos mais importantes hotéis da cidade, destruído na guerra, e hoje preservado em vidro, iluminado por luzes de neon mutantes, integrado a ele (veja fotos: http://www.flickr.com/photos/ducs_amsterdam/3203191997/ http://www.flickr.com/photos/ducs_amsterdam/3204047396/ e adjacentes)

Dar o passo adiante leva algum tempo – para alguns mais do que para outros. O trabalho que Berlin está fazendo para isso é admirável, ainda mais quando se considera a magnitude dos eventos lá ocorridos.

Responder

Ida janeiro 25, 2009 às 12:11

Eu vi um filme mto legal, é de 2003, mas só vi o ano passado. “Adeus Lenin”, Vc. assistiu? A sinopse é assim:

“Em 1989, pouco antes da queda do muro de Berlim, a Sra. Kerner (Katrin Sab) passa mal, entra em coma e fica desacordada durante os dias que marcaram o triunfo do regime capitalista. Quando ela desperta, em meados de 1990, sua cidade, Berlim Oriental, está sensivelmente modificada. Seu filho Alexander (Daniel Brühl), temendo que a excitação causada pelas drásticas mudanças possa lhe prejudicar a saúde, decide esconder-lhe os acontecimentos.”

Tem tudo a ver com esse post.

Responder

daniduc janeiro 26, 2009 às 01:14

Ida, o filme já está na nossa lista de “para ver”! valeu a dica :)

Responder

bruno imbrizi janeiro 26, 2009 às 12:27

Berlim é minha cidade favorita. É verdade que não conheço tantas cidades assim, nunca fui a NY, nem a Londres nem a Itaquaquecetuba. Das que eu coneço, Berlim é a número um.

Três anos atrás passei uma semana em Berlim e o que vi foi um lugar lindo, forte, cheio de cicatrizes e de vida. Muitos jovens, muita arte, muita música. Saí de lá com a impressão que Berlim hoje é o centro da expressão artística, assim como foi Paris em outras décadas.

Não vejo a hora de voltar. Foi ótimo ler os posts e ver as fotos.
Ah, e recomendo Adeus Lenin também!

Responder

daniduc janeiro 26, 2009 às 12:51

Oi Bruno. Codades favoritas são um pouco como pessoas favoritas – você não precisa ter conhecido todas as outras pessoas do mundo pra se apaixonar por uma. :)

É ótimo ter seus comentários de novo!

Responder

Pablo janeiro 26, 2009 às 19:46

Licensa pra conhecer a vida de vocês!
Descobri o Blog hoje, e fiquei feliz por que estou indo ai em Março!

Abraços!!

Responder

daniduc janeiro 26, 2009 às 20:40

Oi Pablo, bem-vindo! Fique à vontade pra explorar o Ducs em Amsterdam e as dicas que espalhamos por ele. Espero que vc se divirta bastante na sua viagem!

Responder

Bailandesa janeiro 29, 2009 às 00:47

Amei o post. Para nós que vivemos no tempo em que as duas Alemanhas eram fisicamente separadas por um muro e não apenas virtualmente, por questões culturais e econômicas, deve ser muito emocionante visitar Berlim.

Tá na minha lista. Ainda não fui. Mas agora vou cheia de dicas!! :)

Abraços

PS: Fiquei feliz que vocês encontraram o aipim/mandioca. Depois passa a receita, hein?!

Responder

daniduc janeiro 29, 2009 às 13:04

baliandesa, acho que você irá gostar bastante de berlin! :) ë uma cidade marcante.

Responder

Rafael maio 11, 2010 às 16:13

Daniduc,
quero passar 4 a 5 dias em berlin e depois partir patra frankfurt em seguida Paris, Londres, Amsterdam e voltar por berlin total de mais ou menos uns 23 dias.
Em berlin quanto gastaria para passar bem, comer bem, e dormir em hostels não sofisticado por dia.

Abraços

Responder

Luciano Fiaschi março 26, 2011 às 22:42

Que bom encontrar este material. Estou preparando minha viagem para Berlin em Maio.
Alguém pode me dizer se maiores de 65 (é o meu caso) pagam condução urbana? Se não pago, tenho de tirar um bilhete específico?

Responder

Nicole Plauto novembro 27, 2011 às 13:51

Muito legal o post e o blog. Moro em Berlim há pouco mais de três meses e sinto a cidade muito viva, ao mesmo tempo em que uma parte dela é bem ferida ainda. Amo demais essa cidade!
Em relaçao ao transporte público, Berlim é muito bem dotada, voce pode ir pra qualquer lugar de onibus, trem, metro e etc. Para o senhor que perguntou acima, idosos pagam sim o transporte urbano, mas existe um desconto (o mesmo pra estudantes). É só comprar o bilhete com “Ermäßigung”. Tem a opçao na máquina, mas se achar melhor pode comprar em quiosques com o símbolo DB (Deutsche Bahn) em estaçoes maiores.
Enfim, espero ter ajudado. Em breve deve estar no ar um blog que vou fazer só sobre Berlim e as experiências que vivencio por aqui. Se interessar a vc, venho divulgar quando tiver pronto. ;)
Abraços!

Responder

Viva Berlim dezembro 15, 2011 às 18:43

Muito boas as dicas. Só um adendo: o ponto inicial do ônibus 100 é na verdade no Zoologischer Garten, e vai até a Alexander Platz (ou no sentido contrário). Se pegar no Reichstag já perde metade da viagem, como por exemplo o próprio Zoo, a coluna da Vitória (Ernst-Reuter-Platz), o Tiergarten, e o palácio Bellevue. Vale a pena pegar o 100 no Zoologischer Garten mesmo :)

Responder

Daniel Duclos dezembro 23, 2011 às 03:22

Oi, legal, brigado pela dica!

Mas, mudando de assunto, eu gostaria de pedir pra você assinar os próximos comentários com seu nome, em vez do nome do seu site – conforme está explicitado na política de comentários do Ducs Amsterdam (http://www.ducsamsterdam.net/politica-de-comentarios/). Obrigado!

Responder

Nicole Plauto janeiro 16, 2012 às 18:08

Desculpe! Estou assinando com meu nome agora :)

Responder

Daniel Duclos janeiro 16, 2012 às 19:07

Sem problemas! Obrigado por ter comp[reendido e pela contribuição :)

Responder

Leave a Comment

(Ah, você tem uma dúvida? Muitas das perguntas já foram respondidas! Dá uma lida lá, pode te poupar muito tempo!)

Você leu a Política de Comentários aqui no Ducs?

Dê lá o seu recado!

Notifique-me de novos comentários via e-mail. Você também pode se inscrever sem comentar.

{ 2 trackbacks }


Previous post:

Next post: