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Amsterdam é uma cidade limpa?

by Daniel Duclos on 10/05/2010

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Greve dos lixeiros e garis em Amsterdam

Não me levem a mal, eu amo Amsterdam. Mas isso não quer dizer que a ache perfeita (desde quando perfeição é pré-requisito pra amor?). Um dos primeiros mitos sobre o primeiro mundo que caiu foi o da "limpeza". Pode ser que as cidades suíças sejam limpas: em Genebra vi um pouco de lixo, mas muito pouco e era de madrugada, compreensível.

Já em Amsterdam o papo é um pouco diferente. Não que ela seja totalmente imunda (já explico a foto) mas não é difícil de encontrar lixo nas ruas (e cocô de cachorro) e lixeiras lotadas. Alguns bairros são mais limpos do que outros, uma vez que a coordenação da limpeza é responsabilidade do stadsdel ("subprefeitura").

Agora a situação calamitosa da foto é excepcional. Os lixeiros e garis estão entrando e saindo de greve já tem um tempo. Eles querem um acordo coletivo com a municipalidade ("Gemeente") de Amsterdam, e o bicho vem pegando nessa área. Pouco antes do Koninginnedag de 2010, os lixeiros fizeram mais uma greve, dessa vez de 24 horas. Mas logo após a festa (quando toneladas de lixo são deixadas nas ruas, inclusive impedindo o tráfego de trams, já que os trilhos ficam entupidos) os lixeiros fizeram um mutirão na madruga e a cidade amanheceu limpa (notícia em holandês, mau aí).

Mas no dia 6 de maio, eles voltaram a entrar em greve (essa também tá em holandês, sor-ry). Aliás, a treta dos lixeiros não é só em Amsterdam: em Utrecht também está rolando uma disputa (e em Haia também teve greve). A paralisação atual vai até pelo menos dia 19 de maio (sim, em holandês), mas a chance de uma ação mais longa é grande.

É uma pena. Espero que seja atingido logo um acordo bom pra todas as partes (confesso minha ignorância acerca das exigências e reivindicações de parte a parte UPDATE: li as reinvindicações dos lixeiros e me pareceram bem razoáveis), uma vez que, parafraseando um slogan da subprefeitura de oud-zuid, Amsterdam é linda demais pra estar imunda.

A coleta de lixo na Holanda é um assunto complexo e variado. Ainda vou voltar a falar disso em artigos futuros. Enquanto isso, um dos primeiros vídeos que fiz quando cheguei em Amsterdam, mostrando a coleta de um caminhão de lixo:

httpv://www.youtube.com/watch?v=IWh7pC_gyqQ

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Daniel Duclos (Daniduc), o autor do texto, mora na Holanda, desde novembro de 2007. É o editor do Ducs Amsterdam, o qual escreve, fotografa e ilustra. Possui também um portfolio on-line pra suas fotos e ilustrações.

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Gus maio 11, 2010 às 16:12

Pois é, Dani. Nossa ilusão acabou também quando mudamos para Toronto. Não é que a cidade seja suja; mas ela não é bem limpa não. Para começo de conversa, como a mão-de-obra aqui é bem cara, não dá para manter aquela quantidade de gente limpando ruas. Em geral, passa um caminhão daqueles que limpam o meio-fio e é só. Parques e praças sofrem um pouco mais. Além disso, há uma divisão de tarefas bem clara: a prefeitura, quando limpa, limpa as vias públicas. As pessoas, quando limpam, limpam seus jardins (com exceção da nossa landlady, que é neurótica e sai varrendo a rua também). Conclusão: como a prefeitura demora para fazer o dela, e as pessoas têm preguiça de fazer a sua, às vezes o lixo vai se acumulando… O inverno é crítico: a neve se acumula e a limpeza com os caminhões fica mais complicada. Conclusão: o lixo também vai se acumula.

O que funciona bem aqui é a coleta domiciliar de lixo, incluindo a seletiva (recicláveis). Para começo de conversa, as casas obrigatoriamente devem ter os bins (latões) que são, muitas vezes, manuseados por um braço mecânico na lateral do caminhão. E eles são sérios (ou preguiçosos) com isso: se não tiver no bin, se o lixo estiver saindo para fora dos latões, se tiver coisas por cima da tampa, se eles perceberem objetos estranhos junto com os recicláveis… eles não levam, largam na rua mesmo…

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Bailandesa maio 12, 2010 às 00:16

Aqui em Utrecht o bicho também tá pegando. As ruas estão imundas. Fico mais impressionada com a quantidade de lixo no chão do que com as montanhas de saco de lixo. Se as latas estão cheias, simplesmente as pessoas jogam no chão, sem o menor pudor.

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Daniduc maio 13, 2010 às 01:47

Fico triste em saber disso :(

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Verônica Polzer maio 13, 2010 às 01:27

Estou voltando da 9ª Conferência – Produção mais limpa e Mudanças Climáticas (para o Estado de São Paulo) que aconteceu hoje 12/05/2010 no Memorial da América Latina. A situação do Brasil é alarmente. Me sinto uma formiguinha separando o lixo no método alemão, implantando minhocário em casa e tentando reduzir ao máximo meu consumo. Busco fazer a minha parte mas me deparo com a ignorância dos meus compatriotas, o que me deixa extremamente decepcionada.
Estou desenvolvendo uma pesquisa sobre resíduos urbanos pelo Mundo que irá virá uma apresentação, a qual pretendo voluntariamente apresentar em escolas, associações de bairro, igrejas, etc… Enfim, pesquisando sobre a Holanda me deparei com a sua matéria sobre o lixo em Amsterdam e fiquei sensibilizada pois o que se houve é que a Holanda é referência mundial, assim como São Francisco (EUA) e Japão.
Me ajudaria muito, se possível, vocês pudessem me enviar mais informações sobre a cidade, como é o sistema de coleta seletiva, compostagem, lixo eletrônico, etc., além de dados, índices, taxas governamentais.
Desde já agradeço pela atenção! Obrigada!

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Daniduc maio 13, 2010 às 01:58

Oi Verônica. Não tenho esses dados. O que sei é de minha experiência e vivência.

O que sei é que cada cidade, e, na verdade, cada bairro tem um sistema de coleta diferente. É, na verdade, bastante complexo o sistema. Como comentei, ainda irei escrever um artigo mais completo sobre o lixo por aqui.

Agora, ignorância é característica universal. Eu vejo as pessoas jogando lixo na rua (ao lado do cesto), vejo pessoas jogando lixo não reciclável em cesta de reciclável, cansei de ver gente jogando vidro na lixeira exclusiva de papel (uma vez perguntei. Resposta “Ah, eu conheço o lixeiro, ele disse que tudo bem”.), pessoas deixando lixo volumoso embaixo de placas dizendo “não deixe lixo volumoso aqui” e por aí vai. Cada bairro lida com isso de um jeito.

Nada é preto no branco e as coisas são sempre mais complexas quanto mais de perto examinamos. A Holanda claramente se preocupa com a problemática do lixo e da reciclagem, e há um trabalho sério sendo feito aqui. Mas como todo problema complexo, tem muitas facetas a questão e nenhuma resposta fácil.

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Verônica Polzer maio 13, 2010 às 02:19

Obrigada!
Vou aguardar seu próximo artigo! :)

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Daniduc maio 13, 2010 às 02:32

Enquanto isso, há esse artigo da Bailandesa: http://www.bailandesa.nl/blog/lixo-dicas/930/

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Diego maio 16, 2010 às 19:01

Realmente, deu muita pena de ver Amsterdam suja do jeito que está. Parecia uma cidade abandonada, e o mais triste é ver muita gente que visitava a cidade pela primeira vez e ficavam estarrecidas com garrafas boiando nos canais, além das ruas, claro. Nem no Dia da Rainha havia tanto lixo acumulado, ouso dizer. :(

Fico aqui na torcida pela pronta solução deste impasse, é um assunto sério e não somente por envolver a imagem da cidade. É questão de saúde pública, mesmo.

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Batateira maio 16, 2010 às 20:11

Eles fecharam um acordo e estão limpando Amsterdam. Mas a greve eh nacional, tb de funcionários públicos que trabalham em escritórios. Dou o maior apoio aos grevistas, só dessa forma que se vê o quanto o trabalho deles eh importante e não eh valorizado. Eh uma pena, como disse a bailandesa, ver que as pessoas jogam lixo na rua…

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Daniduc maio 16, 2010 às 20:37

Eu cito no artigo que a greve não é só em Amsterdam. Mas não são todos os funcionários de limpeza que estão em greve: o pessoal que limpa o canais (da Waternet), por exemplo, continua o trampo.

Tbm dou apoio pra greve, inclusive pelo que eu li os pedidos da categoria pareciam razoáveis. O que eu não achei ainda é o que alega o gemente para não dar o aumento.

Agora, como eu respondi pra Verônica, o lance do pessoal jogar lixo na rua é direto, com ou sem greve. Ao menos no bairro em que eu morava, a situação era triste. Ele chegou a ser considerado, em 2009, o bairro mais sujo de Amsterdam.

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